Na cidade

Já desconfiávamos e os dados confirmam: o trânsito em Lisboa e Porto está muito pior

Apesar da escalada dos preços dos combustíveis, registam-se congestionamentos superiores aos meses pré-pandemia.
É um pesadelo.

Durante os últimos dois anos também existiram engarrafamentos, mas não eram sequer parecidos com os que temos enfrentado nos últimos meses. Na verdade, agora, até existe mais trânsito em Lisboa e no Porto do que em tempos pré-pandemia. E não se trata apenas de uma opinião ou uma impressão de quem se desloca diariamente de automóvel nas duas cidades — é mesmo um facto.

Para quem andou de carro nas horas de ponta, as últimas semanas foram caóticas. O trânsito estava de tal forma condicionado, que cada trajeto demorou o dobro do que demoraria em condições normais.  Segundo os dados recolhidos pela TomTom, uma empresa de GPS, o cenário está mais dramático do que em 2019, antes da pandemia começar.

O “Expresso”, que teve acesso aos dados do Waze (a aplicação de navegação GPS da Google que refere o estado do trânsito), avança que “nas duas primeiras semanas deste mês, ainda antes do início das aulas, já o nível de congestionamento em ambas as cidades tinha ultrapassado o que se registava antes da pandemia”.

O aumento do tráfego reflete-se no stress e na ansiedade de quem vive esses momentos e na qualidade do ar, prejudicada pela poluição que os carros emitem. E também prejudica a circulação dos autocarros, fazendo com que circulem mais devagar. Os atrasos sucedem-se e tornam este meio de transporte ainda menos atrativo.

As soluções passam por criar novos corredores BUS, segundo as propostas debatidas no ciclo de conferências sobre os desafios da mobilidade nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto (que se realizaram nos dias 14 e 20 de setembro, respetivamente). Uma medida que já está a ser discutida entre a Carris e a Câmara Municipal de Lisboa.

Os especialistas defendem também que é necessário investir mais nos meios digitais e desenvolver uma plataforma única que agregue os vários horários, rotas e informações dos diferentes transportes públicos. A criação de passes híbridos — destinados a quem está em regime de teletrabalho uma parte da semana — também podem contribuir para reduzir a taxa de utilização do carro.

Segundo os peritos em mobilidade, apesar dos aumentos dos preços dos combustíveis e dos custos associados à utilização do automóvel (seguros, manutenção, estacionamento), o facto de continuar a ser o meio de transporte privilegiado pelas populações destas áreas metropolitanas, reflete a falta de alternativas adequadas na atual oferta de transportes públicos.

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