Esperar pela chegada do metro é melhor quando temos algo que nos distraia como um livro, por exemplo. Caso não leve consigo nenhuma companhia do género, pode agora entreter-se a encontrar os versos espalhados pelas estações do Metro de Lisboa.
Quem utiliza diariamente este transporte, já começou a reparar na poesia que ocupa as paredes. E o culpado é só um: Luís de Camões. Entre os azulejos e as placas informativas, os versos do poeta português ocupam diversos espaços. E não estão lá por acaso.
Fazem parte de uma nova iniciativa do Metropolitano de Lisboa que leva a obra do poeta para o dia a dia de quem anda de metro. A ideia é simples: transformar uma viagem rotineira num pequeno encontro com a literatura. E, pelo meio, há frases que obrigam a parar, nem que seja por segundos.
Na estação do Chiado, por exemplo, pode ler-se: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça / Desta vaidade a quem chamamos Fama!”. Mais à frente, outro excerto surge numa parede branca: “Bem puderas, ó Sol, da vista destes, / Teus raios apartar aquele dia,”.
Os versos fazem parte de uma das mais famosas obras clássicas portuguesas, “Os Lusíadas”, e de outros textos do autor, que foram escolhidos para se integrarem no espaço sem parecerem deslocados. O objetivo é mesmo esse: surpreender quem passa, sem avisos nem explicações longas.
A iniciativa surge no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Camões e tenta criar uma ponte entre duas ideias que, à partida, não parecem assim tão diferentes: viajar e descobrir. Tal como na obra do poeta, onde as viagens são centrais, também no metro tudo se resume a deslocações, encontros e destinos. Só que agora, entre uma estação e outra, há também espaço para um momento cultural.
Não é por acaso que o autor continua tão presente no quotidiano. “Luís de Camões é a figura mais agregadora da sociedade portuguesa. É património e faz parte da cultura viva”, lembra José Augusto Cardoso Bernandes, Comissário Geral das Comemorações do V Centário do Nascimento de Luís de Camões.
Além do Chiado, os versos já podem ser encontrados nas estações Parque, Alto dos Moinhos e Entre Campos. E a ideia é que quem anda de metro comece a olhar para as paredes com mais atenção. Porque, no meio da rotina agitada, há frases que continuam a fazer sentido séculos depois. E agora estão ali, mesmo à frente entre uma viagem e outra.
Carregue na galeria para ver alguns dos versos de Luís de Camões nas paredes das estações do Metro de Lisboa.

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