Na cidade

Jardins do Bombarda: vai nascer um novo pólo cultural em Lisboa esta primavera

Irá ocupar parte do antigo hospital psiquiátrico. Terá uma sala de espetáculos, residências artísticas, bar e restaurante.
Está a decorrer uma campanha de crowfunding.

Quando o Hospital Miguel Bombarda fechou, em 2011, o edifício foi recuperado para acolher apartamentos de arrendamento acessível e espaços multifunções. Nos últimos meses foram iniciadas discussões para ceder uma vasta área dentro do antigo complexo para que várias entidades do campo artístico e social possam desenvolver as suas atividades.

Entre abril e maio, parte da antiga unidade psiquiátrica vai receber um novo núcleo de animação cultural em Lisboa de cariz social, os Jardins do Bombarda. Até 29 de fevereiro, está a decorrer uma campanha de angariação de fundos para garantir os 20 mil euros necessários para custear as mudanças.

A notícia foi avançada após um acordo, fechado no final de janeiro, entre a Largo Residências e a Estamo, responsável por gerir o património imobiliário do Estado. O objetivo é unir a comunidade local num só polo, à semelhança do que a entidade cultural tem feito na última década, em espaços como o Largo do Intendente ou o Largo do Cabeço da Bola.

“O que interessa é as pessoas virem, desfrutarem do lugar e dele se apropriarem. Vamos abrir um espaço muito bonito, onde apetecerá estar e que se encontrava de portas fechadas há muito. Será uma zona de Lisboa que as pessoas vão descobrir com prazer”, explica a diretora do Largo Residências, Marta Silva, ao jornal “Público”.

Ocupando cerca de 6300 metros quadrados de área, o pólo cultural irá acolher vários espaços sociais e de trabalho. Destacam-se salas de espetáculo, uma zona para residências artísticas, ateliers, um bar e restaurante, assim como os jardins que dão o nome ao local no coração da capital.

Ao todo, a unidade hospitalar tem cerca de 44 mil metros quadrados e inclui o antigo Hospital de Dia, que passa a dar lugar aos serviços administrativos, às residências sociais para artistas e ainda a uma loja Arts & Crafts. Já a utilização das pequenas casas do jardim e do barracão da Alameda das Oliveiras será condicionada enquanto o projeto de rendas acessíveis é definido.

No entanto, as obras não se ficam por aqui. Enquanto as Casinhas do Jardim vão receber residências artísticas e um bar exterior, após a requalificação, os Jardins Românticos vão tornar-se em espaços comunitários privados para acolher eventos e o pinhal terá espaço para receber esplanadas.

Na Sala-Estúdio Valentim de Barros, o barracão adjacente, vai abrir portas a uma sala de espetáculos, um bar, ateliers e salas de ensaios. A Alameda das Oliveiras vai receber módulos de madeira para projetos socioculturais permanentes, recebendo iniciativas da programação no exterior.

“Vamos abrir portas, sem intervir muito nos espaços. Veremos, ao longo do tempo, como será a apropriação do lugar, que uso a comunidade lhe dará”, conclui a porta-voz. Os Jardins do Bombarda, o novo pólo sociocultural no coração de Lisboa, irá abrir ainda durante a primavera.

“A grande vantagem deste lugar, além de ter uma grande beleza natural, contendo uma espécie de ‘mini-Monsanto’, é a de que, quando lá chegarmos, já estaremos a trabalhar em rede.”

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