Na cidade

Krow: vem aí a app que lhe monta o escritório num hotel

Eles querem provar que o trabalho remoto não tem que ser feito em casa — nem tem que ser uma seca.
Troque a casa pelo hotel

Uma aplicação e o estatuto de membro da Krow é tudo o que precisa para poder sair de casa, de portátil na mão, e instalar-se numa mesa confortável com vista sobre a serra de Sintra ou sobre o Douro. Numa altura em que o teletrabalho ganha raízes, dois empreendedores decidiram apostar numa visão da sociedade pós-pandemia.

A Krow pretende servir de ponte entre os trabalhadores remotos e os hotéis, ambos impactados pela pandemia de diferentes formas. Os primeiros anseiam por um ambiente diferente e os últimos pelo movimento de clientes que escasseiam desde que a pandemia assolou o mundo. No meio está Paulo Palha e Joana Balaguer, o casal de empreendedores que tirou “a ideia da gaveta”.

“Foi uma ideia que vimos há um tempo atrás nos Emirados Árabes Unidos, que apesar de não ser igual, tinha alguns pontos de contacto”, conta à NiT o empresário de 39 anos. “Se antes da pandemia a ideia fazia sentido, agora faz muito mais, até porque é importante que comecemos a pensar no mundo depois da pandemia.”

O projeto arrancou no final de 2020, está agora em fase de testes e tem lançamento previsto para o início de setembro. Mas convencer os hotéis a apostarem numa forma inovadora de captar clientes não foi fácil.

“O nosso desafio passava por vender uma proposta inovadora num momento em que os hotéis estavam apenas a tentar sobreviver”, conta. “Mas alguns já estavam a tentar olhar para o futuro e foi junto desses que colhemos mais recetividade. Agora o panorama está a mudar.”

Receber clientes apenas para trabalharem nas suas mesas obrigou a alguma adaptação por parte dos hotéis. “Nos hotéis há uma questão de ergonomia. Quando pensamos num bar de hotel, normalmente tem mesas baixas, poltronas, são feitos a pensar no conforto. Não têm mobiliário pensado para a ergonomia do trabalho”, nota.

Uma das soluções passava, por exemplo, por usar as mesas e cadeiras de restaurantes que, fora as horas das refeições, estavam inutilizadas. Essa é também uma das máximas da Krow: não desperdiçar recursos.

A caneca amarela sinaliza os membros

“A ideia passa por usar o que já existe no hotel. Muitos já têm as mesas, cadeiras, o wi-fi, o staff, a climatização, todo um conjunto de argumentos que podem colocar à disposição da comunidade local que pode trabalhar dentro dos hotéis”, explica. “Sabemos também que os hotéis urbanos têm picos ao pequeno-almoço e final da tarde, portanto há ali muitas horas em que estão praticamente vazios e que podem ser usadas.”

Do ponto de vista prático, é tudo muito simples. Para poder trabalhar nos hotéis aderentes tem que ser subscritor do plano mensal — que tem um custo de 95€ — e depois só precisa de usar a aplicação para ver que locais estão disponíveis.

Cada hotel tem disponíveis um número limite de locais de trabalho. Basta ver se existem cadeiras disponíveis, deslocar-se até ao local e fazer check-in.

Nos hotéis, todos os membros têm direito a café, chá e água de forma gratuita — servidos numa caneca amarela da Krow, para que os membros se identifiquem mutuamente. Esses são garantidos. Os restantes benefícios variam consoante o hotel e a disponibilidade: pode ter direito a estacionamento gratuito; a 20 por cento de desconto em comida e bebida; e até ter direito a usar o ginásio.

Variáveis são também os horários em que cada hotel disponibiliza os locais de trabalho. “Temos hotéis que estão ativos a partir das 7 horas e que vão até as 23”, explica Paulo Palha. “E estão sempre abertos ao fim de semana. A ideia é essa: dar liberdade e flexibilidade de trabalho às pessoas.”

Tem 12 hotéis por onde escolher

O local onde vai trabalhar pode ser na esplanada, no lobby, no bar ou na biblioteca. Tudo depende do hotel em causa.

Pelo caminho, os próprios desafios da Krow levaram Paulo Palha a criar mais uma modalidade. “Precisávamos de um escritório e às tantas pensamos: será que precisamos mesmo? Assumimos a opção de não ter um escritório físico”, conta.

“Assim imaginamos um modelo híbrido que contempla um plano de trabalho remoto e um team day numa localização à escolha.” Dessa forma, uma empresa com vários colaboradores poderá, em teoria, dispensar um escritório físico.

“Podem ter os trabalhadores a trabalharem remotamente neste sistema da Krow e depois, periodicamente — semanal, mensal ou conforme a empresa precisar —, criar team days, encontros nas localizações com todas as pessoas, onde se reúnem, alinham objetivos, estão juntos e depois cada um vai à sua vida.”

Por enquanto, a rede de hotéis da Krow inclui 12 locais, com mais opções na região de Lisboa: do Penha Longa Resort, em Sintra, ao Onyria Quinta da Marinha, em Cascais, passando pelo Sofitel Lisbon Liberdade, em Lisboa. Fora da capital, pode passar pelo M’AR de Ar em Évora, pelo Vila Galé Collection em Braga ou pelo Vila Galé Porto Ribeira. Mais estarão a caminho, por altura do lançamento, em setembro.

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