Na cidade

Lisboa é a primeira cidade a receber as City Trees — mas com polémica

Dois blocos purificam o ar de sete mil pessoas. "E plantarem árvores verdadeiras?", pergunta-se nas redes. A CML responde à NiT.
Foto de Ana Luísa Alvim da CML.

Lisboa tem duas novas “árvores” que pretendem ajudar a cidade a respirar melhor, bem como a monitorizar a sua qualidade do ar. Duas estruturas artificiais, feitas de madeira onde no interior há diferentes tipos de musgo que limpam o ar e produzem oxigénio, estão agora na zona da Ribeira das Naus. E por lá ficam até janeiro.

A medida, anunciada esta semana pela Câmara de Lisboa e a sua Lisboa Green Capital, resulta de uma parceria entre a autarquia e a empresa DPD, conhecida sobretudo como uma distribuidora internacional. Cada uma destas City Trees, revela a CML, purifica o ar de sete mil pessoas por hora e tem um sistema de abastecimento de energia autónomo. Trata-se de “uma solução inovadora para ajudar o combate contra os efeitos da poluição atmosférica”, dizem os responsáveis da Câmara.

“Esta iniciativa é muito útil para Lisboa. É um projeto decisivo, uma vez que nos permite obter dados adicionais fundamentais e identificar áreas verdes e pontos críticos da cidade”, frisa o vereador Manuel Gaspar.

Além do efeito purificador, uma tecnologia integrada nas City Trees permite que sejam recolhidos dados e da qualidade do ar; sendo depois também disponibilizados no site da empresa, permitindo avaliar como anda o ar que respiramos. “A tecnologia IoT integrada permite uma informação exaustiva sobre o estado do equipamento bem como fornece dados ambientais em redor do mesmo. Os resultados encontram-se disponíveis em tempo real no site dpd.pt”, explica a empresa.

Publicado por Lisboa Green Capital 2020 em Segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Na partilha da Câmara de Lisboa no seu Facebook, e também na página da Green Capital, os comentários ao anúncio desta novidade foram, na sua maioria, negativos. “E plantarem árvores?”, perguntam vários cidadãos. “Árvores. Queremos muitas árvores Andam a matá-las todos os dias” ou “entendo que seja uma tecnologia que pode vir a servir no futuro… especialmente se cortarmos e queimarmos as árvores do planeta” são  algumas das reações. É ainda criticada a escolha deste investimento, que poderia, dizem, ser feito em árvores.

A Câmara responde em vários dos comentários: o sistema foi instalado de forma temporária, e gratuita, pela DPD, diz; a empresa já recolhe informação sobre a qualidade do ar através de sistemas de medição colocados nas suas viaturas e os dados são depois disponibilizados para análise, adianta a CML; as City Trees têm associado duas estações de medição da qualidade do ar, garante.

Acima de tudo: “Este projeto faz parte da política ambiental e de neutralidade carbónica da própria empresa DPD DPD”. Lisboa vai no entanto “poder obter dados específicos para esta zona (que vão ajudar os técnicos e na tomada de decisões estratégicas)”. E acrescenta: “Ao mesmo tempo, permite experimentar esta tecnologia de descarbonização em Lisboa”, dizem os responsáveis pela autarquia.

À NiT, fonte da Câmara de Lisboa endereça de forma mais pormenorizada as críticas. E garante: o sistema não pretende, de todo, substituir as árvores. Foi cedido, temporariamente, e de forma gratuita pela empresa.

Além disso, sobre as críticas do “e mais árvores”, a mesma fonte explica que a autarquia plantou mais de 20 mil árvores este ano, “e não plantou mais porque apareceu a pandemia”.

Destas City Tress que são, reitera a CML, uma oferta tendo a Câmara apenas cedido o espaço, o mais importante nem é “enorme capacidade de filtragem e purificação” do ar; “mas também a tecnologia associada e que permite recolher dados sobre a sua qualidade”. Isso é, para medidas futuras, “essencial”.

A autarquia lembra ainda que a DPD implementou no ano passado um programa de monitorização da qualidade do ar em Lisboa. Os veículos de entrega e as suas lojas pickup estão equipados com sensores que medem em tempo real as mais prejudiciais e finas partículas PM2.5. Atualmente, já encontra, no seu site. os dados da qualidade do ar que qualquer cidadão pode consultar — pode inclusive introduzir o nome da sua rua e saber qual a qualidade do ar à sua porta.

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