Na cidade

Lisboa vai mudar, mas como? Conheça as promessas de Carlos Moedas para a capital

O País foi surpreendido com a notícia da mudança da autarquia da capital. Saiba o que promete o candidato eleito para a cidade.
Bicicletas têm estado no centro das atenções.

Na madrugada de segunda-feira, 27 de setembro, veio a confirmação: contrariando a maioria das sondagens e expetativas, Carlos Moedas, candidato da coligação “Novos Tempos” entre PSD/CDS/Aliança/MPT/PPM, vencia a Câmara Municipal de Lisboa.

Com a coligação entre o PS e o Livre “Mais Lisboa”, Fernando Medina perdia a liderança da autarquia da capital, seis anos depois. Os lisboetas que votaram —  a abstenção aqui foi de 53,88 por cento — fizeram-no na maioria por uma mudança de rumo, ainda que o novo executivo tenha pela frente uma Assembleia Municipal onde o domínio continua nos partidos de esquerda.

A coligação “Novos Tempos” de Carlos Moedas conseguiu sete mandatos, os mesmos da “Mais Lisboa” de Fernando Medina, enquanto João Ferreira, da CDU conseguiu dois e o Bloco de Esquerda manteve um vereador. Chega e Iniciativa Liberal não conseguiram colocar ninguém na vereação.

Moedas venceu assim com 34,25 por cento, contra 33,30 por cento de Medina, ficando os dois projetos para a cidade separados apenas por 2.299 votos.

Ainda assim, para o presidente eleito, um momento histórico: “comprometo-me com todos os lisboetas, é isso que vamos fazer mudar Lisboa, acreditem!”, frisou no discurso de vitória, garantindo ser “o presidente que vai unir todos os lisboetas” e voltando a prometer proteger os mais frágeis, como os idosos, os “pequenos comerciantes”, e os mais novos “que terão futuro em Lisboa”.

O programa de Moedas

Era esta aliás a tónica de Carlos Moedas na sua campanha: devolver a cidade aos lisboetas, proteger os mais vulneráveis, no geral. Mas mais concretamente, o que prometia afinal o agora autarca eleito — e  o que poderá mudar na cidade?

Tal como o próprio explicara numa entrevista durante a sua campanha à “TVI24“, o programa do social-democrata para Lisboa tem como bases melhorar a habitação, começando por mudar a administração da GEBALIS (entidade pública que gere os bairros municipais), melhorando o programa de renda acessível e travando a especulação imobiliária, com mais oferta e regras claras. É ainda prometida a isenção do IMT para os mais jovens.

Carlos Moedas, que foi Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação entre 2014 e 2019 (e passou depois pela Fundação Gulbenkian), criticava ainda, em campanha, os transportes da capital, deixando promessas neste sentido e defendendo o uso do PRR para a sua melhoria.

Segundo o seu programa, estas são as linhas essenciais da coligação — logo, tudo o que, conseguindo aprovação, poderá vir a mudar na cidade nos próximos quatro anos:

Criar “Fábrica de Unicórnios”:

Parece ironia, mas não é. Moedas promete criar um espaço para potenciar as Start ups lisboetas “para que se possam tornar unicórnios”. O objetivo, frisa o programa do agora autarca eleito, é trazer conhecimento e experiência de topo mundial para o empreendedorismo local. “Especialistas de todo o Mundo terão em Lisboa uma linha de montagem, que ajudará à maturação e à resiliência de projetos que devem começar na cidade e acabar como marcas globais”, frisa o programa.

A ideia passa por “dar um passo em frente em relação à atual estratégia da Câmara Municipal de Lisboa, que procura mais promover-se em termos de comunicação do que apostar em fixar talento”.

Mais cultura e Parque Mayer

Moedas quer construir espaços “em todas as freguesias para que os lisboetas tenham uma casa de cultura”. Chama-lhes LXIS e pretende com esta ação dar aos lisboetas “uma sala que pode servir como teatro, sala de concertos, sala de dança ou que quer que seja preciso para se expressarem”.

Em simultâneo, defende, “o Parque Mayer tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do País a aprender e a cozinhar e espaços de co-work e laboratórios que criem também uma casa para a nossa ciência”.

Menos IRS

O novo autarca pretende baixar o IRS dos lisboetas, lembrando que parte do imposto que pagamos é definido pelo concelho onde vivemos; e dizendo que o seu executivo de tudo fará “para que nada seja cobrado aos lisboetas por responsabilidade da CML, uma descida de impostos que pode chegar a 5 por cento”

Seguros de saúde gratuitos

Numa cidade com cada vez mais cidadãos seniores e com o orçamento que tem Lisboa, “não é admissível que deixemos os nossos pais e avós à mercê de filas de espera que podem durar anos, para aceder a cuidados de saúde” frisa o programa de Moedas, prometendo seguros de saúde gratuitos a todos os lisboetas com mais de 65 anos que precisem.

Transportes gratuitos “para avós e netos”

Para ajudar na transição verde, Moedas quer encorajar os mais novos a andar de transportes públicos e dar também aos mais velhos a possibilidade de deixarem o carro. Por isso, “todos os lisboetas sub-23 e mais de 65 terão direito a um passe gratuito da Carris”.

Acabar com parte da linha de comboio

Para “esbater as barreiras que impedem os lisboetas de aproveitar os espaços mais emblemáticos da sua cidade” junto ao rio, o programa propõe a eliminação da barreira ferroviária entre a cidade e o rio, “acabando com a linha de comboio de superfície entre Algés e o Cais do Sodré”.

Menos EMEL

É uma das maiores queixas dos lisboetas e poderá, por isso, ter sido uma das promessas com mais impacto. Segundo Carlos Moedas, as zonas que têm EMEL não deixam de ter problemas crónicos, pelo que é apontado um estacionamento “que seja 50 por cento mais barato na cidade toda para os moradores”.

IMT, casas e apoios

Moedas promete ainda, no seu programa, voltar a virar a cidade para o mar, construindo na capital as infraestruturas necessárias para a tornar uma “capital global da economia do mar”; criar então uma isenção de IMT “para jovens, com menos de 35 anos, a comprar a primeira casa”, bem como apostar na “transformação dos edifícios devolutos que a Câmara Municipal de Lisboa deixou ao abandono em habitação para jovens com custos ajustados”; garantir um prazo de seis meses para responder a pedidos de licenciamento urbanístico, “para que nenhum lisboeta fique com os seus investimentos dependentes da rapidez da Câmara”; e criar o cheque Recuperar +, um apoio a fundo perdido para que os empresários da cidade se consigam levantar.

Ciclovias

Sobre as ciclovias, uma das apostas do executivo de Medina mais faladas (ou polémicas), a coligação “Novos Tempos” nada tem no seu programa mas, em campanha, Moedas explicou que gosta de andar de bicicleta mas defendeu “ciclovias bem feitas”, alegando que as de Lisboa não o eram: e protagonizando até um momento que depois se tornou viral, num debate com Medina, quando afirmou que morreram 26 pessoas nas ciclovias em Lisboa em 2019 (quando o número de 26 mortes nesse ano existe mas é nacional).

Há vários meses, em abril deste ano, o então candidato endereçara, no entanto, precisamente uma das ciclovias que mais alvo de criticas em Lisboa tem sido: a da Avenida Almirante Reis. No Twitter, então, Moedas argumentara que, sendo a Almirante Reis uma das artérias mais importantes para a cidade de Lisboa, as ciclovias poderiam ser feitas em ruas diferentes.

“Se esta é a via mais importante, porque é que não há uma ciclovia que faça uma outra paralela?”, questionava num vídeo, defendendo assim que as ciclovias podiam passar por ruas paralelas a esta artéria.

 

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