Na cidade

A mais importante arte rupestre da Península está em exposição no Museu do Côa

Gravuras dos bisontes de Altamira e artefactos do quotidiano pré-histórico estão entre as peças da nova exposição.
Para ver até 12 de maio. Fotografia: António Jerónimo.

Mais de um século se passou desde que o Museu Nacional de Arqueologia de Espanha, em Madrid, acolheu uma exposição pioneira a nível mundial que marcou o início da difusão em larga escala da arte rupestre, a mais antiga forma de expressão artística criada pelo Homem.

A mostra reuniu duas décadas de documentação e estudo realizado por investigadores de diferentes pontos geográficos. Dava-se a conhecer um trabalho, “muitas vezes levado a cabo com limitações, poucos meios e de uma forma heroica, em grutas e lugares de difícil acesso”. Mas o mais importante era “transmitir a um público que ainda não tinha descoberto o turismo cultural a grandeza desta arte primitiva”, afirmam em comunicado os curadores de “Pré-Histórico: Da Rocha ao Museu”, a nova exposição do museu de Vila Nova de Foz Côa que celebra, precisamente, essa primeira apresentação.

Acima de tudo, a exibição em Madrid possibilitou a entrada da arte pré-histórica nos museus, “primeiro através de representações que acabariam por evoluir para fórmulas mais complexas, procurando envolver o espetador no ambiente em que foi criada”. Abriu-se a porta à criação de espaços como o que foi inaugurado em 2010.

Há 270 peças para conhecer. Fotografia: António Jerónimo.

A recém-inaugurada mostra, que se divide pelas três salas que compõem o Museu do Côa, apresenta ao público um total de 270 peças. Entre elas, os visitantes encontram gravuras dos bisontes de Altamira; arte móvel paleolítica; artefactos do quotidiano pré-histórico; esculturas; e fragmentos de arte rupestre originais, além de outras dezenas de objetos de distintas cronologias.

Dalila Correia, técnica superior do espaço cultural, realça que algumas destas “peças são pertença do tesouro nacional espanhol”. Provêm, maioritariamente, do Museu Arqueológico Nacional e do Museu Nacional do Traje, ambos em Espanha. É de lá que chegam telas realizadas para a exposição de 1921.

À Lusa, Eduardo Galán Domingo, um dos curadores da mostra que reúne duas das maiores representações mundiais da arte pré-histórica, disse que esta “tem representadas duas faces do mesmo património”. “Por um lado, a primeira descoberta da arte pré-histórica da humanidade que aconteceu no século XIX, nas grutas de Altamira, e a descoberta ao ar livre das gravuras do Côa”.

Considerou, igualmente, as duas formas de arte [Altamira e Côa] como uma forma de “diálogo” entre pinturas das cavernas e gravuras ao ar livre que é “muito valioso para a humanidade”.

A exposição estará em exibição até 12 de maio. Os bilhetes têm um custo de sete euros por pessoa. “Pré-Histórico: Da Rocha ao Museu” chega ao espaço cultural no distrito da Guarda depois de passar pelo Museu Arqueológico Nacional de Espanha e Museu Nacional de Altamira (Santander). “Demonstra a importância e o crescente reconhecimento do Vale do Côa no contexto europeu e internacional, salienta Dalila. Segue para Ponte Vedra, Valência e França.

A entrada custa 7€. Fotografia: António Jerónimo.

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