Na cidade

Não se esqueça de acertar o relógio: a hora vai mudar outra vez

Em Portugal Continental e Madeira, os relógios atrasam 60 minutos à uma da manhã deste domingo. Nos Açores, a hora muda às duas da manhã.
Vem aí o infame horário de inverno.

Se há coisa que todos temos de fazer, pelo menos duas vezes por ano, é acertar o relógio (ou confirmar que a Internet fez o seu trabalho e confirmar que a hora atualizou) para bater certo com a mudança de estação. Os despertadores vão ter der mudados este ano, pela última vez, a 31 de outubro, quando transitarmos para o horário de inverno.

Pode começar a marcar no calendário a madrugada de 31 de outubro. Em Portugal Continental e na Madeira, às duas da manhã, os relógios atrasam 60 minutos, passando assim para a uma da manhã. Caso esteja nos Açores a hora é “atrasada 60 minutos às 2 horas de tempo legal (1 hora UTC) do dia 31 de Outubro”, explica o Observatório Astronómico de Lisboa, no seu site.

Na prática, que o sol se vai põr mais cedo e que os dias ficarão mais curtos. Mas nem tudo é mau: feitas as contas, acabamos por poder dormir mais uma hora este domingo.

O hábito existe há mais de 100 anos e começou durante a Primeira Guerra Mundial com o objetivo de poupar eletricidade. Todos os anos, duas vezes por ano, atrasamos o relógio uma hora no final do mês de outubro, para entrar naquele que é chamado o horário padrão ou de inverno; e, em março, voltamos a adiantá-lo para esticar ainda mais os dias e iniciar a hora de verão.

Nos últimos anos, esta tradição tem sido alvo de análise e do debate mais aceso sobre o tema de que há memória. Face à ausência de consenso sobre o fim (ou não) desta necessidade de adaptar as horas do dia à luz solar, tudo indica que a hora ainda vai mudar por muito tempo. 

A 27 de abril de 2021, a Comissão Europeia publicou um documento onde revela que as mudanças horárias vão manter-se, pelo menos, até 2026.

A decisão não é imperativa, uma vez que que cada estado-membro pode, em teoria, decidir que muda ou não o sistema. Em Portugal, é quase garantido que a mudança de horário se manterá. Em 2018, o primeiro-ministro António Costa anunciou que as alterações sazonais eram para manter, seguindo uma recomendação do Observatório Astronómico de Lisboa.

Como tudo começou

A rotina tem feito parte de vários países um pouco por todo o mundo, começou há mais de 100 anos. Segundo um estudo conduzido pela Assembleia da União Europeia, em outubro de 2017, a ideia inicial partiu de um construtor britânico chamado William Willett, que, em 1907, escreveu um panfleto chamado “O Desperdício da Luz do Dia”.

A prática só foi adotada pela Alemanha em 1916. Outros países europeus, bem como os Estados Unidos, seguiram o exemplo para poupar energia, tendo em conta a crise energética que atravessavam durante a Primeira Guerra Mundial.

Atualmente, existem três fusos horários na União Europeia: Hora da Europa Ocidental, que inclui o Reino Unido, Portugal e Irlanda; Hora da Europa Central, que inclui Espanha, Alemanha e Itália; e Hora da Europa Oriental, que inclui Grécia, Finlândia e Roménia.

Mas nem todos os fusos horários são consensuais: em Espanha, por exemplo, o debate sobre qual é a hora certa é constante. Durante a Segunda Guerra Mundial, os espanhóis e outros países europeus, com exceção de Portugal e Suíça, avançaram os relógios. Mas Espanha nunca voltou ao tempo da Europa Ocidental. Assim, embora geograficamente devesse estar no mesmo fuso horário do Reino Unido e Portugal, os relógios espanhóis estão alinhados com os países de leste.

A alteração da prática da mudança, que desde 1996 é decidida pela União Europeia, começou a ser discutida no Parlamento Europeu no início de fevereiro de 2018. Meses depois, em agosto, surgiram os resultados oficiais do tal inquérito da Comissão Europeia, onde se votava a favor do fim da mudança.

Países como a Rússia, a Turquia e a Islândia já aboliram a prática. Em Portugal, a mudança da hora foi adotada pela primeira vez a 30 de abril de 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, com objetivo de minimizar o uso de iluminação artificial, e assim, contribuir para economizar combustível para o esforço de guerra.

Os argumentos a favor e contra a mudança da hora são variados: muitos estudos analisam a poupança de energia associada e outros referem o seu impacto na saúde (e no sistema imunológico). Argumentos mais recentes, sobretudo a favor do horário de verão permanente, são a de que mais luz ao fim do dia — durante todo o ano se a hora de inverno não chegar —incentiva o ato de estar ao ar livre e ajuda o comércio.

Enquanto na Europa se debate e analisa a situação, no Brasil, Jair Bolsonaro chegou e decidiu mudar. O presidente brasileiro assinou, em abril de 2019, um decreto lei que acabou com a mudança de hora. O horário de verão, adotado em 1931, foi eliminado. O argumento foi de que a mudança da hora, criada para poupar energia, já não faz sentido hoje em dia, mas a medida foi contestada em algumas regiões brasileiras. 

Em 2020, quando Portugal mudou para a hora de verão em pleno confinamento, a Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono, tinha lançou um alerta para os efeitos potencialmente adversos causados pela alteração da hora nestas circunstâncias.

Na altura, os especialistas avisaram que os efeitos adversos se podiam acentuar devido ao confinamento obrigatório das pessoas na sequência da pandemia de Covid-19. 

“Dormir bem, o suficiente e a horas certas, constituem medidas importantes para um aumento da imunidade e prevenção da doença”, defendeu então o presidente desta associação, Miguel Meira Cruz. O investigador adiantou que a pandemia de coronavírus reforçou a importância de um aspeto essencial da vida e da prevenção em saúde pública e comunitária: os ritmos biológicos, nomeadamente o ritmo sono-vigília.

A hora de inverno estará em vigor até 27 de março de 2022.

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