Na cidade

Este novo baloiço panorâmico português tem o formato mais irreverente do mundo

O Baloiço de Aldeia Velha nasceu em dezembro de 2020 na Serra do Homem de Pedra, no Sabugal.
É lindo.

Se é para criar uma estrutura nova, cujo objetivo é valorizar uma zona e a sua envolvente, chamar pessoas, então que se lembre a tradição. Que se conte uma história, instigue a curiosidade e crie, também, um novo símbolo para a região.

Foi essa a ideia deste coletivo de associações no distrito da Guarda. Em Aldeia Velha, concelho do Sabugal, existe a Serra do Homem de Pedra, e por muitos desconhecido ou esquecido, encontra-se nela o cabeço da Nossa Senhora dos Prazeres. No seu topo, há uma capela dedicada à santa da devoção das gentes locais.

E ao lado, nasceu em dezembro de 2020, o Baloiço de Aldeia Velha: um novo baloiço panorâmico com um formato original, que beneficia de uma vista incrível: ampla e desafogada sobre o vale envolvente da cidade da Guarda e que se estende entre as serras fronteiriças de Espanha e a Serra da Estrela.

Além da vista e da oportunidade de voar até à infância, aqui a novidade salta à vista: este Baloiço é em forma de Forcão. A ideia nasceu de uma tradição única no mundo, explica fonte do Centro Recreativo e Cultural à NiT: a Capeia Arraiana, à qual foi atribuída a classificação de património cultural imaterial nacional, lembra. Nela é utilizado o Forcão, daí ser também este um “baloiço único no mundo”, frisa.

A Capeia Arraiana é uma tradição antiga de algumas aldeias da raia Sabugalense e o objetivo do espaço é por isso um dois em um, adiantam os promotores: criar um baloiço num miradouro com uma vista espetacular e mostrar a Capeia.

“É um local que merece ser explorado não apenas pelo horizonte rasgado mas também porque, subindo os quase 900 metros de altitude até ao cume, tropeçamos nas milenares pedras de xisto e granito que formavam um castro da Idade do Ferro e que terão dado abrigo e proteção a um povoado fortificado — agora designado por Sabugal Velho”, explica Ricardo Amaro, da associação.

Neste local, explica ainda, a história ancestral cruza-se com a mais recente. Os visitantes conhecem “caminhos, serras e matos por onde muitos dos habitantes da raia sabugalense trilhavam as rotas do contrabando, lutando pela subsistência e antecipando, com risco próprio, o comércio livre entre os dois lados da fronteira”, adianta.

À carga histórica junta-se a tradição e é também por este motivo que este baloiço é, possivelmente, um dos mais originais e com maior significado entre os existentes, frisam os seus responsáveis.

A estrutura foi construída tendo por base uma réplica, em tamanho real, de um forcão, o tal instrumento da Capeia Arraiana. Tendo aberto em ano de pandemia, o baloiço que é bonito nas vistas de manhã e “ainda mais ao pôr do sol”, teve já bastantes visitas, mas os responsáveis acreditam que ainda possa vir a ter muitas mais.

A ideia foi um projeto conjunto da Junta de Freguesia de Aldeia Velha, do Centro Recreativo e Cultural de Aldeia Velha e do Conselho Diretivo dos Baldios de Aldeia Velha, adiantam ainda e é super fácil lá chegar.

Pode colocar no GPS a localização mas, partindo de Aldeia Velha só tem de subir até à serra por uma estrada, podendo seguir as placas que indicam as ruínas do Sabugal Velho. “Aconselhamos que deixem os carros no parque de merendas e sigam os cerca de 200 metros de caminho a pé (embora os carros também consigam lá chegar)”, adianta o coletivo.

O Baloiço encontra se perto das ruínas do Sabugal Velho e da capela de Nossa Senhora dos Prazeres (em Aldeia Velha), o que é sempre bom visitar. Quem lá for, também pode desfrutar de um piquenique no parque de merendas da serra de Aldeia Velha (também ele, perto do Baloiço) e dar um passeio de natureza pelo meio da serra, com muito para descobrir.

O ano dos baloiços.

Num 2020 marcado pela pandemia, Portugal assistiu a um aparecimento de baloiços sem precedentes: eles são uma das novas grandes modas, recurso quase infalível das autarquias e juntas para dar aquele motivo extra às pessoas de conhecerem e visitarem uma região. Além de lindos e com vistas perfeitas, enchem as redes sociais de fotos que funcionam como uma espécie de bilhetes postais da região — e o turismo agradece.

Recentemente, abriu um destes locais maravilhosos na Serra da Boneca, com vista para o Rio Douro — tal como a NiT lhe contou. Para quem não conhece, há outros dois baloiços panorâmicos com uma história semelhante e até mais antigos — e que também foram criados por jovens para valorizar as suas terras. Neste caso, são espaços irmãos entre si, ou seja filhos do mesmo projeto e próximos um do outro.

Falamos do Baloiço do Trevim, conhecido como o da Lousã, com a sua água; e do Baloiço do Burgo. Os mesmos que inspiraram uma jovem a criar o Baloiço do Talegre, na freguesia e Serra de Alburitel, no concelho de Ourém; e em junho o de Penedros da Cabeça.

Mas continuou: em julho, abriu o Baloiço do Mezio, na Serra do Soajo; no mesmo mês, nasceu o Baloiço de São Silvestre, em Mesão Frio; e ainda o Baloiço CerLove em Vila Nova de Cerveira — que até motivou filas épicas, semanas depois. Já em agosto, abriu o Baloiço do Sobreiro, junto ao Miradouro do Talegre, em Moncorvo; no mesmo mês foi conhecido o Baloiço d’As Antas P’ro Mondego; também o Baloiço da Carriça, em Arganil; e o da Ponte do Canal na freguesia de Abragão, Penafiel.

E ainda o Baloiço da Pateira do Carregal, idealizado e criado pela associação de amigos do parque com o mesmo nome, em Requeixo, Aveiro. Já em setembro, abriu em São João da Fontoura, Resende, o Baloiço da Senhora da Guia; e na Batalha, o Baloiço da Barrozinha. Em Santa Cristina, Mealhada, nasceu já em outubro um baloiço que celebra o renascimento de uma aldeia que esteve cercada pelas chamas: o Baloiço de Santa Cristina.

E no mesmo mês, um baloiço no miradouro que Miguel Torga disse ser “o mais vasto de Portugal”: o da Serra de Alvaiázere. Em novembro, foi a vez do Sítio da Nazaré acolher o incrível Baloiço da Ladeira, com vista para a vila, a praia e o mar e em dezembro o Baloiço do Meco, no Grande Porto. Em Abragão, Penafiel, nasceu ainda o Baloiço do Picoto.

Além disso, a moda já não se fica só pela natureza. Depois de chegar a um restaurante na Ericeira, há agora até um baloiço numa clínica no Porto.

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