Assim que chegou a uma zona reservada de uma estação de comboios em Vila Nova de Gaia, Vasco Alves deparou-se com uma locomotiva a vapor parada no tempo. O espaço, onde a máquina se encontra desde os anos 90, passou a ser conhecido pela comunidade urbex (exploração urbana) como um “cemitério abandonado.”
“Descobri a locomotiva através de uma pesquisa que fiz para uma viagem de autocaravana pelo norte de Portugal, onde andávamos à procura de locais únicos, diferentes e desconhecidos”, começa por explicar à NiT o filmmaker de 24 anos, que costuma visitar locais abandonados com amigos.
Nos anos 70, foram deixadas várias locomotivas a vapor, já sem utilização, na Estação de Contumil, no Porto. No entanto, depois de 20 anos ali estacionadas, foram transferidas para Vila Nova de Gaia, onde permanecem desde então.
Nessa altura, sobretudo durante a Revolução Industrial no início do século XVIII, mantendo a importância até ao início do século XX, as máquinas a vapor eram frequentemente utilizadas em comboios com o objetivo de queimar o combustível numa fornalha para aquecer água, transformando-a em vapor, que depois acionava os cilindros e as rodas, permitindo que os comboios andassem.
Hoje, muitas foram deixadas ao abandono, estacionadas em estações pelo País e pelo mundo. Vasco teve oportunidade de visitar estas e descreve as locomotivas como um cenário “marcado pela ferrugem e pela degradação.”
“Estava completamente consumida pelo tempo, todas as peças estavam presas, sem qualquer movimento, e a estrutura dava a sensação de que se estava a desfazer aos poucos”, recorda.” Era impressionante ver como algo que já teve tanta vida está agora parado no tempo.”
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As locomotivas foram construídas nas primeiras décadas do século passado. Apesar de terem sido deixadas seis máquinas na estação de Vila Nova de Gaia, hoje o número é muito inferior. Em 2023, segundo o “Observador”, o cemitério contava ainda com cinco: uma com um peso de 84,3 toneladas, fabricada em 1916; duas com 98 toneladas e datadas de 1924; uma quarta com mais de 60 toneladas e fabricada em 1910; e, por fim, a quinta com mais de 65 toneladas e de 1912.
Nessa altura, a sexta (com mais de 64 toneladas, de 1913) já tinha sido levada para a Guarda, para ser exposta na cidade. O Museu Nacional Ferroviário também terá mostrado interesse em acolher as restantes, mas não há informação sobre o projeto ter avançado.
Hoje, ainda é possível ver algumas partes das locomotivas que estão ali estacionadas desde os anos 90. “Não foi propriamente difícil de aceder ao interior, mas também não havia muito por onde entrar”, explica Vasco. “Conseguimos apenas observar o interior de uma forma muito limitada, através de buracos e de algumas portas entreabertas.”
Nos últimos meses, o filmmaker tem partilhado no Instagram, onde conta com mais de 35 mil seguidores, várias visitas a sítios abandonados em Portugal, que se tornam sempre virais. O objetivo, segundo conta à NiT, é chegar aos 50 mil seguidores para “organizar algo em grande” relacionado ao urbex.
Leia também o artigo da NiT sobre a fábrica de cerâmicas abandonada em Coimbra que já pertenceu à Vista Alegre.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do cemitério de locomotivas abandonadas em Gaia.

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