Na cidade

O estranho (e incrível) fenómeno da neve que começou a brilhar no Ártico russo

Os culpados eram, no final de contas, uns pequenos copépodes. Os "insetos do mar" que se deixam levar pelas correntes.
Fotografia da National Geographic.

A Natureza nunca pára de nos surpreender: existem momentos em que nos deixa completamente admirados com o que vemos. Por vezes, aparecem criaturas aquáticas verdadeiramente aterradoras e que poderiam muito bem pertencer a uma história de terror de Stephen King.

Era apenas mais uma noite de trabalho numa pacata estação de investigação nas extremidades do Mar Branco, no Ártico russo. Vera Emelianenko, uma bióloga, saiu para ir dar um passeio com Mikhail Neretin, filho do biólogo molecular do espaço, e dois cães. Ao saírem, Neretin reparou que um monte branco de neve tinha ganho uma nova cor, graças a um brilho azul que ali reluzia. Ao início pensou que poderia ser o reflexo da luz do telemóvel da bióloga, mas rapidamente perceberam que não era o caso.

Vera Emelianenko pegou num pedaço de neve e ao apertá-lo notou que começou a brilhar mais intensamente, conta à “National Geographic”. “Pareciam luzes azuis de Natal, na neve”. “Estivemos perto de duas horas a pisar o chão todos juntos, para fazer as manchas brilhar”, acrescenta Alexander Semenov, o fotógrafo da estação que foi imediatamente chamado ao local.

Claro que, sendo cientistas, não podiam deixar que o assunto morresse ali, e foram à procura de respostas. Para tentar descobrir o porquê da neve brilhar, Emelianenko colocou uma amostra de neve debaixo de um microscópio, onde viu copépodes, uns crustáceos aquáticos que começaram a brilhar assim que a investigadora lhes tocou.

Medem poucos milímetros e são os “insetos do mar“, explica Steven Haddock, um biólogo marinho. Também são conhecidos por serem nadadores passivos, ou seja, deixam-se levar pelas correntes uma vez que não têm força própria para seguir o seu rumo individual. Embora possam ser encontrados desde o Canadá ao Ártico, não era suposto terem ido parar ao Mar Branco. “Os copépodes geralmente estão mais longe no oceano, migram para profundidades de 25 a 90 metros durante o dia e ascendem até a poucos metros da superfície durante o breu da noite”, diz Ksenia Kosobokova, uma perita em zooplâncton marinho ártico na Academia de Ciências da Rússia.

Calcula que os pequenos insetos marinhos tenham sido apanhados por uma corrente mais forte do que as habituais, numa altura em que a lua estava mais próxima da Terra — o que afeta bastante as marés.

Embora o mistério das luzes tenha sido resolvido, levantou-se outra questão. Será que os copépodes estavam vivos, ou mortos? Para Kosobokova, os insetos estavam num limbo, estando a desvanecerem-se.

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