Na cidade

O evento mais colorido do mundo regressa a Lisboa já em junho, com muita tinta em pó

O Bollywood Holi, com as raízes bem assentes na Índia, deveria ter acontecido em abril, mas o mau tempo adiou-o para 4 de junho.
Não vai sair de lá com a mesma cor que entrou.

Covid-19, varíola dos macacos e uma guerra na Ucrânia. No meio de tantos acontecimentos pesados, todos nós precisamos de um pouco de cor na nossa vida. Nada melhor para nos proporcionar isto do que o Holi, o famoso festival com tinta em pó que decorrerá a 4 de junho na Comunidade Hindu de Portugal, mais especificamente no imponente Templo Radha Krishna, na Alameda Mahatma Gandhi (em Telheiras). Será, contudo, uma versão bastante diferente daquela a que estamos acostumados.

O local não foi escolhido ao acaso, uma vez que o evento tem origem na Índia. “Já organizava eventos ao som de música indiana (Bollywood, Bhangra) e, em Portugal, também já existia um evento que usava as cores e o nome Holi. No entanto, faltava algo. Faltava ir às raízes e incluir a cultura indiana”, explica à NiT Hetul Chagane, um dos organizadores deste festival. Naquele país, o Holi é uma forma de comemorar a chegada da primavera, “num ambiente descontraído e de festa onde as pessoas atiram tintas em pó umas às outras.”

O que para muitos é apenas um festival cheio de cores, para os hindus, o Holi, também apelidado de Festival do Amor, reveste-se de uma enorme importância religiosa. Além de celebrar o fim do inverno, celebra a vitória do bem sobre o mal, graças à morte de Pootana que tentou envenenar Krishna, um deus indiano, quando este era bebé. É também considerado uma homenagem ao momento em que Krishna coloriu a cara de Radha, uma gopi (ou pastora), começando assim uma nova tradição no país.

O evento estava marcado para 9 de abril, mas “foi adiado devido à chuva”, conta-nos o organizador. “O São Pedro não queria ajudar, e não seria possível fazer o evento com a chuva”, brinca.

Em Portugal, o Bollywood Holi começou em 2015, e as seis primeiras edições decorreram no Mercado da Fusão, no Martim Moniz. Este ano, a mudança para o novo espaço e inclui algumas novidades: não será apenas uma enorme explosão de cores. Antes do evento principal começar, terá lugar uma aula de ioga. Depois da prática, começa a música, mas numa vibe mais relaxada do que aquilo que podíamos esperar. Isa Guitana (a instrutora de ioga) entoará mantras acompanhada por Rumar no sitar (um instrumento musical indiano de cordas, semelhante ao alaúde).

Pelas 13 horas o recinto receberá “danças com bailarinas trajadas a rigor e um mercado com comida e artesanato indianos”. Duas horas depois arranca um dos momentos mais esperados do dia: o set do DJ Yash (que é o próprio Hetul Chagane). O artista de 35 anos é quase um super-herói com duas identidades: é assistente informático numa empresa e também DJ de “Bollywood, Bhangra e Urban desi” (estilos musicais indianos).

“O dress code da festa recomenda roupas brancas para garantir um espetáculo cheio de cor”, realça. “As tintas em pó são biodegradáveis e ecológicas e saem facilmente com água. Com a aquisição do bilhete é oferecido um pacote à entrada do recinto e estarão disponíveis outros para comprar durante o espetáculo.” Resume o evento como sendo “uma explosão de cor e uma experiência multicultural — com boa música.”

A organização sonha realizar uma edição além das fronteiras nacionais, embora ainda não tenham certeza se será possível. Por enquanto, estão contentes por terem conseguido cumprir o que prometeram fazer no início: “organizar um evento anual e multicultural.”

O preço do bilhete é de 10,70€, caso queira participar na aula de ioga. Se apenas quiser desfrutar do DJ set, o preço desce para 5,35€. Os ingressos podem ser adquiridos online.

Carregue na galeria para relembrar alguns dos melhores momentos das edições passadas.

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