Na cidade

“O inferno está de volta aos céus de Lisboa”: Zero denuncia ruído do aeroporto de Lisboa

A associação ambientalista diz também que o regime de restrição de voos noturnos “continua a ser uma farsa”.
Não está a cumprir a lei.

Parece que os cancelamentos de voos e as longas filas de espera não são os únicos problemas no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Os níveis de ruído aeroportuário estão a ultrapassar os limites legais e o regime de restrição de voos noturnos também não tem sido cumprido, avança a Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável.

A associação ambientalista realizou, entre os dias 14 e 19 de julho, a “mais extensa campanha de medições de ruído aeroportuário desde 2019”. E os limites do barulho foram ultrapassados todos os dias, tanto para a média ponderada de 24 horas como para o período noturno, informam em comunicado.

De acordo com a legislação do ruído publicada em 2000, não deveria existir movimento aéreo no aeroporto de Lisboa entre a meia-noite e as seis da manhã. Contudo, tem existido um incumprimento generalizado dos limites de circulação de aviões durante a madrugada previstos no regime de exceção que permite a descolagem e aterragem de 91 voos semanais.

A associação ambientalista analisou os dados recolhidos e comprovou que o regime de restrição de voos noturnos “continua a ser uma farsa”. Na semana de 11 de julho, houve um total de 140 movimentos noturnos.

“Não só o limite não está a ser cumprido, como está a ser largamente excedido em mais de 50 por cento”, refere a Zero, citada pelo jornal “Eco”. De acordo com a associação, têm-se registado cerca de 70 movimentos por noite no período entre as 23 e as 7 horas.

“Estamos, portanto, perante um atropelo gigante e inadmissível a um direito fundamental dos cidadãos, o direito ao descanso com todas as consequências daí decorrentes em termos de distúrbios de sono e patologias associadas”, sublinha. O excesso de ruído pode trazer inúmeros problemas à saúde da população, causando stress, doença cardiovascular, redução da capacidade de aprendizagem das crianças e outros distúrbios.

“O inferno está de volta aos céus de Lisboa”, afirma a Zero, e é preciso combatê-lo. Como no site do aeroporto não existe nenhum espaço que permita aos cidadãos queixaram-se do ruído, a própria associação ambientalista disponibilizou um formulário para facilitar o envio das reclamações para as entidades competentes.

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