As palavras são proibidas, só é permitido partilhar assobios. É assim que funciona um grupo no WhatsApp que, em 10 dias, conseguiu juntar mais de três mil membros de vários países diferentes, incluindo Portugal. Chegou ao ponto de ficar lotado e não permitir a entrada de novas pessoas.
A ideia surgiu por acaso. no início do mês, quando Ryan Cardozo, um jovem de 16 anos, natural de São Paulo, no Brasil, se deparou com um vídeo no Instagram sobre um grupo semelhante. Tinha cerca de 100 membros, que diariamente partilhavam mensagens de voz a assobiar.
“Estava num centro comercial com os meus amigos, sem nada para fazer, e acabámos por ver um vídeo sobre esse grupo. Não era algo oficial e não tinha muita gente”, começa por contar à NiT o estudante brasileiro. Nesse momento, percebeu que era “uma forma divertida de se entreter” e decidiu fazer o mesmo.
A 17 de abril, criou então o grupo no WhatsApp e uma página no Instagram. Começou a convidar pessoas para participar e o sucesso foi imediato. “Começámos a ter muitas pessoas a entrar e tivemos de criar mais grupos para conseguir receber toda a gente”, explica Ryan. Agora, o jovem é administrador de quatro grupos diferentes, que já ultrapassam os 900 membros cada — no total, são mais de três mil pessoas.
A dinâmica é simples: para entrar num dos grupos, basta enviar uma mensagem privada para a página oficial de Instagram. Depois, um dos administradores envia um link direto para um chat no WhatsApp que ainda tem vagas disponíveis. Lá dentro, os próprios membros explicam as regras aos recém-chegados. E tudo é feito através de stickers [imagens]. Afinal, uma das únicas proibições é que não se podem utilizar palavras.
“Comecei a perceber que a partir do momento em que uma pessoa nova entra no grupo, as antigas começavam a explicar as regras. Claro que não explicamos através de assobios, mas também não utilizamos palavras, porque são proibidas”, explica.
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O fundador explica à NiT que esta regra surgiu para “manter a dinâmica do grupo”. Por vezes, há pessoas que se esquecem e acabam por enviar uma ou outra mensagem escrita. Na maioria dos casos, estas são apagadas pelos responsáveis. “Se for algo mais inofensivo, como por exemplo uma pessoa a elogiar, acabamos por deixar a mensagem. Mas a maioria da comunicação acontece através de stickers”, frisa.
A maioria dos membros são brasileiros de diferentes estados, mas Ryan já começou a perceber que várias pessoas de outros países estão a juntar-se. Já há membros da Colômbia, Bolívia, Angola e Portugal.
“Há muitos portugueses a entrar, só descobri recentemente que se tornou viral em Portugal”, confessa. Além disso, a faixa etária também varia: há miúdos, jovens, adultos e até idosos. Nos primeiros dias, Ryan enviava uma mensagem a motivar as pessoas a gravarem mensagens de voz a assobiar. Agora, a dinâmica acontece de forma natural e os próprios membros enviam áudios por conta própria.
Dos assobios às competições
Na passada quarta-feira, 22 de abril, Ryan organizou a primeira competição de assobios num dos grupos. Para participar, os interessados tinham de pagar 1 real (cerca de 17 cêntimos). No geral, participaram 20 pessoas e o vencedor acabou por receber 25 reais (4,28€) como prémio.
“Tínhamos alguns critérios. Primeiro era que as pessoas tinham de enviar os assobios entre as 19 e as 20 horas. Cada um tinha de ter entre 10 e 30 segundos”, recorda. Os participantes podias enviar o assobio que quisessem — normal, com alguma música, a imitar um pássaro, entre outros.
Além disso, era proibido fazer fraude ou reencaminhar outros áudios. “Como foi o nosso primeiro campeonato, estávamos um pouco receosos de sermos apenas os administradores a escolher o vencedor. Portanto, escolhemos os cinco melhores e abrimos uma votação”. A votação foi feita ao longo dos vários grupos geridos por Ryan e contou com mais de 300 votos. Depois, o vencedor recebeu o valor em dinheiro.
Esta quarta-feira, 29 de abril, vai realizar-se a segunda competição e a lógica será a mesma. Quem quiser participar ou simplesmente juntar-se a um dos grupos, basta enviar uma mensagem para a página de Instagram do grupo.
“Às vezes, entro e envio uma mensagem a assobiar também. Claro que não fico nesses grupos o dia inteiro, porque é muita coisa para mim. Mas às vezes assobio um pouco e as pessoas acham engraçado que o dono do grupo esteja a participar”, diz, entre risos.
Desde o início que o objetivo do jovem era divertir-se e ajudar os outros a fazer o mesmo. Agora, criou a própria comunidade. “Há pessoas que só entram, enviam um assobio e saem. Penso que deve ser uma forma de relaxar um pouco a mente.”









