Há um mural escondido em Alfama cheio de declarações de amor em dezenas de línguas e que só aparece durante alguns meses do ano. Mas há um detalhe importante: desaparece já no dia 30 de abril. Fica mesmo ao lado da Igreja de Santo António, junto ao Museu de Lisboa – Santo António, e é um daqueles spots que facilmente passariam despercebidos se não fosse a quantidade de pessoas (e telemóveis no ar) à volta. Desde fevereiro, o espaço foi transformado num painel com mais de 300 pratos de cerâmica, todos decorados com quadras populares dedicadas ao amor.
A instalação tem cerca de oito metros de altura e foi criada pela Oficina do Castelo, que recuperou tradições antigas portuguesas para dar nova vida a este cantinho de Alfama. As frases vêm do cancioneiro popular (muitas delas com origens nos séculos XVIII e XIX) e aparecem não só em português, mas também em mais de 20 idiomas, desde inglês e francês até japonês, coreano ou turco.
A ideia é simples: celebrar o lado mais romântico de Santo António, conhecido como o santo casamenteiro. As quadras, normalmente com quatro versos curtos e rimas simples, fazem parte da cultura dos Santos Populares e continuam a aparecer nos manjericos, nos lenços bordados ou, neste caso, em pratos de cerâmica.
O mural é uma instalação temporária que pode ser visitada apenas até ao final de abril. Depois, no início de maio, o espaço volta a mudar completamente para dar lugar ao icónico mural de flores, que marca o arranque das festas de Lisboa e fica por lá até setembro.
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