Quem passa pelo Palácio da Fonte da Pipa, em Loulé, pensa que se trata apenas de mais um sítio abandonado no País entregue às ruínas. Afinal, o edifício algarvio foi deixado para trás ainda nos anos 80. Contudo, poucos sabem que em 2017 a propriedade foi palco de uma tragédia.
Pelas 6h10 de 24 de janeiro desse ano, deflagrou um incêndio na quinta centenária, que ficou parcialmente destruída. Apesar dos esforços dos bombeiros, não foi possível salvar a cobertura do monumento, que acabou por fazer ruir o telhado.
O videomaker e criador de conteúdos Vasco Alves, que também se dedica ao urbex (exploração urbana), visitou recentemente a propriedade e não deixou de reparar nas “cicatrizes deixadas pela tragédia.” A ideia de ir até lá foi-lhe sugerida pelo tio, que acompanha arduamente as aventuras partilhadas pelo sobrinho no Instagram.
“Ele disse-me que eu tinha de ir até lá porque aquilo tem uma história incrível e quase ninguém fala disso”, começa por contar à NiT o jovem de 23 anos. “Não fazia ideia da dimensão do lugar, mas só pela forma com que o meu tio falou disto, fiquei super curioso.”
Durante as férias de verão no Algarve, aproveitou para ir até ao espaço com alguns amigos. Assim que lá chegou, ficou “de boca aberta”, diz. “O palácio é enorme, cheio de árvores à volta, e apesar de estar em ruínas, ainda dá para perceber o quão imponente aquilo já foi”, conta. “Uma coisa que marca imenso logo quando se entra, que foi o facto de grande parte do interior ter sido destruído por um incêndio. É como se tivesse ficado com cicatrizes para sempre.”
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Grande parte do edifício foi consumido pelo incêndio e, ainda hoje, os vestígios são notórios. “Lá dentro o ambiente é pesado porque os corredores estão pretos do fumo, há tetos caídos e paredes chamuscadas”, descreve.
Por outro lado, há zonas encantadoras que resistiram ao fogo, como os azulejos antigos e algumas pinturas nas paredes. “Parecia que estávamos a andar no meio de memórias queimadas, como se o palácio ainda guardasse imensas histórias.”
O palácio foi construído no século XIX pelo advogado e político Marçal de Azevedo Pacheco, que chegou a ocupar cargos importantes como o de Presidente da Câmara Municipal de Loulé e o de Presidente do Tribunal do Contencioso Administrativo do distrito de Lisboa.
Ao longo dos anos, a propriedade que se tornou num marco em Loulé teve vários donos, até que, em 1981, foi adquirida por um fundo imobiliário que nunca chegou a reabilitá-la. Desde então, foi deixada ao abandono.
“O que mais me marcou durante a visita foi o contraste entre a destruição e a beleza”, confessa Vasco. “Subimos uma das torres e a vista lá de cima era surreal. Ao mesmo tempo, bastava olhar para baixo para ver os salões onde já se tinham dado festas incríveis, agora reduzidos a cinzas e escombros.”
Leia também o artigo da NiT sobre o “maior hotel de luxo” abandonado no País, também no Algarve.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Quinta da Pipa atualmente.








