Na cidade

O “parque aquático inovador” no centro do País que nunca recebeu clientes

Os Yellow Jackets visitaram o complexo e contaram à NiT como foi explorar o local que tinha abertura prevista para 2015.

Tinha tudo para ser um projeto de sucesso, numa zona do País que não é propriamente um destino de verão, especialmente para quem adora praia e água. Apesar do investimento de monta, possivelmente um dos maiores dos últimos anos no distrito de Viseu, o Parque Aquático do Almargem ainda não foi inaugurado. E ninguém sabe de alguma vez será.

Os escorregas, de todos os feitios e cores, ainda se mantêm de pé, mas nunca serviram o seu propósito inicial. O complexo “com tanto potencial”,  parece ter sido abandonado à mercê do tempo e dos elementos. 

Pelo menos, foi isso que sentiram os Yellow Jackets quando visitaram o parque, em 2019. As imagens que captaram na altura voltam a dar que falar nas redes sociais quando as republicaram no passado dia 15 de fevereiro.

Com casacos amarelos e as caras tapadas, o casal Ivy e Athon (os nomes que adotaram para manterem o anonimato), dá vida a locais abandonados através das suas fotografias impressionantes em cenários em tempos opulentos e, entretanto, caídos no esquecimento — como o parque aquático construído na praia fluvial do Almargem.

“O projeto do complexo foi apresentado em meados de 2008. O espaço deveria ter sido inaugurado em 2015, mas as obras, que chegaram a avançar rapidamente, acabaram por parar. O parque nem chegou a abrir”, começam por contar à NiT.

A construção foi interrompida há vários anos, devido a problemas de financiamento e irregularidades no processo, e o empreendimento não chegou a ser concluído. O futuro do complexo permanece uma incógnita, mas a Câmara Municipal de Viseu já fez saber que se o processo não avançar, o complexo será demolido.

Afinal, trata-se de um projeto avaliado em mais de 25 milhões de euros, que previa piscinas de ondas, rio lento, escorregas rápidos, tobogãs individuais e familiares, insufláveis, piscina infantil, aquários, spa, restaurante, discoteca, salão de bowling, entre outros. “A dada altura chegou a estar planeado um parque aquático coberto, com piscinas aquecidas, que funcionasse durante todo o ano”, explica o casal.

Quando os Yellow Jackets visitaram o local pela primeira vez, perceberam que, para aceder ao complexo, teriam de atravessar uma ponte de madeira e, depois, uma de betão. “Estas pontes faziam a travessia do rio, o que tornava o espaço ainda mais interessante e diferente do habitual”, confessam.

 
 
 
 
 
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Já da segunda (e última) vez, em 2019, o cenário era diferente. As pontes, que na visita anterior se encontravam em bom estado, foram destruídas pelas chuvas de inverno. “A água do rio já tinha galgado a estrutura, deixando a ponte de madeira completamente destruída, e o interior do complexo cheio de lama e com alguns estragos”, contam.

Ainda assim, não deixaram de ficar impressionados com a dimensão do “projeto megalómano”. Quando as obras pararam, já tinham sido instalados escorregas “prontos a serem utilizados”, bem como vários brinquedos na área destinada aos mais novos. É o caso do “tubarão enorme e uma anémona”.

“Os escorregas tinham cores diferentes e, no interior de alguns deles, existiam cores vivas, em círculos, que refletiam a luz do sol. Era incrível a sensação de percorrer estes enormes tubos. E o espaço por dentro era enorme, conseguíamos andar de pé”, recordam. Exploraram todos os espaços, incrédulos com todo o potencial que nunca chegou a ser aproveitado.

O futuro do parque

Há cerca de um ano, a Câmara Municipal de Viseu deu até ao final de 2024 para que o proprietário e promotor do parque aquático decida se vai ou não terminar a obra, que já vai com quase 10 anos de atraso. O autarca Fernando Ruas deixou claro que “a intenção sempre foi, e é, terminar o projeto que se encontra devidamente planeado e sustentado.”

No entanto, com as obras paradas há anos devido a “processos judiciais”, a autarquia apresentou um prazo de caducidade à empresa. Se não for para avançar, então a estrutura deverá ser desmantelada ou demolida, para evitar ser transformada numa “espécie de Chernobyl”.

“É intenção do município que o processo termine e que a infraestrutura se destine ao uso da região. Contudo, caso a obra não prossiga, o proprietário terá de proceder ao desmantelamento da mesma”, disse o autarca.

A construção do “parque aquático inovador na Península Ibérica” arrancou em 2010, ano em que o contrato foi assinado. Numa primeira fase, seria erguido um edifício de apoio com saunas, restaurante, bowling e outras modalidades. Para a segunda fase, estava prevista uma rota de moinhos ao longo do rio, um parque de campismo, um mini parque aventura e até mesmo um hotel. Este último deixou de ser uma hipótese pouco depois, devido à falta de crédito bancário, explicou o empresário Manuel Cruz, promotor e proprietário da propriedade, na altura.

“Perante a impossibilidade de materializar o projeto, decidimos refazê-lo, com menores custos, retirando o hotel do complexo, deixando apenas o parque aquático”, justificou. Ao retirar a unidade hoteleira, os custos totais do projeto baixaram para 16,5 milhões de euros.

Ao que tudo indica, continua a existir vontade por parte dos promotores do projeto em avançar com a obra. “Gostaríamos muito de voltar a visitar este espaço no futuro, mas desta vez a funcionar”, terminam os Yellow Jackets.

Carregue na galeria para ver algumas das fotografias do complexo que o casal partilhou nas redes sociais. 

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