Na cidade

O incrível recanto na Madeira onde pode mergulhar num recife e surfar

No Cabo Girão, não há só um miradouro daqueles que tem mesmo de visitar uma vez na vida: há muitas novidades para descobrir.
O Cabo Girão.

A Madeira tem atributos e motivos de visita que não terminam: do clima à gastronomia, das paisagens ao mar, das pessoas aos hotéis perfeitos, dos montes aos miradouros incríveis. E tem também, desde 2018 e ainda que muita gente não o saiba, um recanto que foi adaptado para ser um verdadeiro sonho de aventureiros, surfistas, amantes de mergulho ou simplesmente viajantes.

Quem nos fala das muitas maravilhas do Cabo Girão é Ana Neves, coordenadora do GIRO – Projeto de Valorização da Área Protegida do Cabo Girão. Tal como explica à NiT, muitas das vezes, quando é anunciado o ponto de visitação deste cabo no Arquipélago da Madeira, há apenas referência ao seu famoso miradouro.

Trata-se do incrível e vertiginoso Miradouro do Cabo Girão: se ainda não o conhece, não é uma das 6.172 pessoas vindas de todo o mundo, que lhe dão uma avaliação de quase cinco estrelas no TripAdvisor. Ou uma das 1.500 pessoas que já o visitam diariamente na época alta pré-pandemia.

A NiT já lhe falou deste espaço que fica num dos cabos mais alto da Europa, com 580 metros, e é hoje em dia conhecido sobretudo pela sua plataforma suspensa em vidro. A falésia onde se encontra é íngreme, sendo uma das mais elevadas ao nível do mar no planeta.

As vistas são pouco recomendadas a quem sofre de vertigens. Lá do alto há vista panorâmica sobre as fajãs do Rancho e do Cabo Girão, incluindo pequenas áreas de terra cultivadas no sopé da falésia, bem como uma visão desafogada sobre o oceano, e ainda os municípios de Câmara de Lobos e do Funchal.

Recentemente, o miradouro foi alvo de obras de requalificação, tendo sido construída a tal plataforma suspensa em vidro: uma skywalk à imagem de locais e edifícios icónicos em todo o mundo.

Na Ilha da Madeira, a oeste do Funchal, este Cabo Girão é então conhecido e visitado sobretudo pelo miradouro e pela sua vista para o mar, a até Câmara de Lobos e ao Funchal. Mas o parque é muito mais do que isso, adianta Ana Neves.

“É de nosso interesse passar uma mensagem muito mais abrangente; sobretudo para a divulgação dos valores naturais e outros pontos de interesse do Monumento Natural, Paisagem Protegida e Parque Natural Marinho que constituem este espaço protegido”, explica-nos a responsável.

O GIRO destaca um espaço recente, que muitos não sabem existir e que pode ser um foco de interesse e até aprendizagem importante: o recife artificial para mergulho, criado em 2018 com o afundamento do navio da Marinha Portuguesa Corveta Afonso Cerqueira. Mas não só.

“A área marinha, costeira e arribas do Cabo Girão, distingue-se no território madeirense pelo seu valor natural e paisagístico. Aqui podem ser encontradas espécies marinhas e costeiras nativas, formações vegetais naturais de elevado interesse, zonas de nidificação e repouso da avifauna marinha, além de um dos mais admiráveis monumentos geológicos do arquipélago bem conhecido pela sua skywalk”, salienta.

Esta Área Protegida na cidade de Câmara de Lobos engloba desde 2017, acrescenta a responsável do GIRO, duas áreas terrestres classificadas como Monumento Natural e Paisagem Protegida do Cabo Girão e uma área marinha, o Parque Natural Marinho do Cabo Girão.

Nesta última é possível fazer uma série de atividades: o surf, sendo o primeiro surf spot madeirense em área protegida, a observação da vida selvagem, passeios marítimos de contemplação e bem-estar e, mais recentemente, o mergulho recreativo com a criação de um recife artificial.

A Corveta Afonso Cerqueira foi afundada a 4 de setembro de 2018, com os objetivos de atrair e criar vida marinha de todos os tipos, proteger a rica biodiversidade existente e potenciar o desenvolvimento da atividade do turismo subaquático.

O navio entrara ao serviço da Marinha Portuguesa em 1975, quando partiu para Timor, acabando por dar a volta ao mundo. Fez paragens na Austrália, Japão, Havai, Califórnia, Panamá, Venezuela, Ilha da Madeira e Lisboa. 45 anos depois, o velho navio Corveta Afonso Cerqueira está a cumprir a sua última derradeira missão como recife artificial neste habitat de inúmeras espécies marinhas.

Em declarações à NIT, Ana Neves, explica que tudo isto está a ser monitorizado e que, embora recente, a operação já é considerada um sucesso pela entidade gestora.

Só no primeiro ano, foram registados mais de mil mergulhos recreativos e um parecer positivo nos trabalhos de monitorização do seu impacto neste ecossistema. Segundo a equipa de investigação, o mais recente naufrágio no arquipélago da Madeira está mesmo a recriar características existentes nos recifes naturais, albergando diversidade ictiológica que pode ser equiparada aos habitats naturais.

É ainda expetável que esta diversidade aumente ao longo do tempo, sobretudo à medida que ocorre colonização de flora e fauna sésseis que, à medida que cresce e diversifica-se, fornece uma base biológica para atrair novas espécies. E os visitantes adoram.

“Com o mergulho no destroço, é possível explorar o mobiliário, equipamentos e salas originais do navio, e até recordar a primeira missão da NRP Corveta Afonso Cerqueira num momento memorável histórico de Portugal. Um cenário igualado a um verdadeiro naufrágio”, adianta Ana Neves.

O mergulho neste pedaço da pérola do Atlântico é feito através do contato com as entidades de mergulho da região, contudo, no site da área protegida pode conhecer melhor as espécies que vai encontrar e um roteiro para conhecer todas as atividades existentes que pode usufruir neste espaço protegido.

Para chegar ao Funchal, encontra voos a partir de 43€, ida e volta de Lisboa, e uma vez lá pode consultar os postos de turismo ou operadoras locais, para marcar as suas visitas ao Cabo Girão.

Para dormir, pode escolher um de muitos e incríveis hotéis de que o Funchal dispõe. Recentemente, abriu o Next, o grupo Savoy, que até tem uma piscina infinita onde se ouve música debaixo de água. Carregue na galeria para conhecer melhor este novo hotel madeirense.

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