Na cidade

Obras na Garagem Lis expõem vestígios do Real Colyseu de Lisboa

O espaço onde, há 125 anos, era primeira vez exibido cinema em Portugal, foi revelado durante as obras de construção de um hipermercado.
Imagem da ERA Arqueologia.

“Aqui, há 125 anos, foi pela primeira vez exibido cinema em Portugal”. O anúncio é feito pela ERA arqueologia, revelando que em plena Rua da Palma, no Intendente, foram descobertos importantes vestígios do Real Colyseu de Lisboa.

Tal como a NiT já tinha noticiado, a histórica Garagem Lis vai transformar-se num mega Continente e as obras começaram no verão deste ano.

O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa em abril sendo que os vários negócios que existiam no edifício deste edifício, construído em 1933, e classificado como imóvel de interesse público, já fecharam.

Agora, de acordo com a Agência Lusa, a transformação do edifício da antiga Garagem Lis, na zona do Intendente, expôs parte da estrutura do desaparecido Real Colyseu de Lisboa, construído em 1887, e cujos vestígios já foram registados antes de serem novamente soterrados.

A agência adianta que as obras de transformação do edifício, situado na esquina entre a Rua da Palma e a Calçada do Desterro, exigiam precisamente que se tentasse perceber se havia ali vestígios arqueológicos.

A equipa da ERA Arqueologia, contratada para o efeito, já tinha “noção do que ali estava”, explicou à Lusa a arqueóloga Arlete Figueira. Segundo esta responsável, havia já fotografias, relatos e notícias que davam conta de que era naquele local que se situava, em finais do século XIX, o Real Colyseu de Lisboa, demolido para dar lugar ao edifício da Garagem Lis, construído em 1933 e entretanto classificado como Imóvel de Interesse Público.

Na fase de “sondagem, de diagnóstico, que tem de ser feito, em termos legais, dentro do contexto da obra”, os arqueólogos encontraram “parte do embasamento da estrutura do Coliseu, ou seja, de toda a zona onde se realizavam todos os espetáculos de ópera, teatro, e onde foi exibido pela primeira vez um filme em Portugal“, adiantou a mesma fonte.

Os achados, já registados e catalogados, serão agora soterrados, de acordo com o diretor de projeto da Sonae MC, Henrique Campos, responsável pela obra, “sendo protegidos por uma camada de geotêxtil para que tudo fique preservado e enterrado tal como se vê agora”.

“Tudo o que se encontra agora foi documentado e registado, e o registo foi enviado para a Direção-Geral do Património Cultural, para receber autorização de aterro das estruturas encontradas”, explicou à Lusa. Segundo Henrique Campos, a Sonae MC prevê “fazer um espaço museológico” no edifício, mas ainda está a estudar o modo de o fazer.

“Não houve muita coisa que foi encontrada que possa ser exposta, o que interessa é o registo do espaço tal como é e da memória que tem. É isso que queremos preservar, e a melhor maneira de o fazer será com recurso a audiovisuais, mas ainda estamos a analisar com a DGPC e a Era para perceber qual é a melhor forma para tornar visível este achado, aquando da abertura do supermercado”, conclui a mesma fonte.

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