Na cidade

Out of Office: a plataforma portuguesa que é uma espécie de Airbnb de coworking

Foi inaugurada em junho e promete converter qualquer espaço num sítio perfeito para trabalhar.
A plataforma ficou disponível no dia 7 de junho.

Parece uma frase feita, mas não podia ser mais verdade: o teletrabalho chegou para ficar. A culpa é da pandemia, claro. Basta olhar para os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) para perceber que mais de 15 por cento da população trabalhou a maior parte de 2020 (de abril a dezembro) a partir de casa. Em 2021, apesar de não haver ainda números oficiais, tudo indica que o teletrabalho se mantém para muitas pessoas.

Se, por um lado, há que tenha descoberto no teletrabalho uma nova paixão, há quem simplesmente não consiga conciliar as tarefas profissionais e a vida privada. Quase 65 por cento das pessoas em teletrabalho dizem que o período laboral é o mais stressante do seu dia, de acordo com um inquérito da Nova Information Management School (Nova IMS). 

Foi para dar resposta a quem está em teletrabalho mas não gosta de trabalhar a partir de casa que nasceu a Out Of Office. Lançada em junho, esta é uma plataforma 100 portuguesa que funciona como uma espécie de Airbnb dos escritórios. Através desta plataforma, pode reservar qualquer espaço de sonho para trabalhar — e em lugares que em nada se assemelham a escritórios, como é o caso de bares, galerias de arte, teatros, hotéis ou restaurantes.

Tal como na plataforma de alojamento, no caso da Out of Office, é preciso haver interessados de um lado e espaços disponíveis e registados, do outro. Atualmente, já encontra locais incríveis de restauração como o Seen, hostéis como o Selina, rooftops como o Sky Bar Oriente ou bares de praia, como o Sublime Beach Club que pode transformar no seu escritório longe do escritório.

No total, estão para já disponíveis para reserva oito espaços em Lisboa, um em Cascais e outro na Comporta. São sobretudo restaurantes os mais interessados, para rentabilizar os horários entre refeições — os coworks que já existiam não entram aqui. Segundo explicou à NiT o criador da plataforma, a empresa vai alargar muito em breve a rede de espaços, sobretudo no norte do País e na zona da cidade do Porto. 

“O objetivo é ter uma rede nacional e estar presente em todos os pontos do País. Na verdade, estes espaços já existem e estão espalhados por Portugal! Tal como o AirBnB trouxe a oportunidade de qualquer pessoa tornar a sua casa um hotel, a Out of Office permite tornar qualquer espaço num cowork. Desde um restaurante, um café, um hotel, até mesmo uma loja, uma galeria de arte, um museu, um teatro… todos eles podem ser espaços de cowork altamente inspiradores”, explica José Luís Pinto Basto.

O conceito chega dos Estados Unidos. José Luís Pinto Basto que explica como tudo aconteceu: “vivo em Miami há três anos, onde já existia um conceito semelhante há bastante tempo, mesmo antes da pandemia. Nos EUA, existem espaços que são diferentes dos coworks tradicionais e para onde se pode ir trabalhar. Por exemplo, em Nova Iorque existe um espaço espetacular chamado Soho House, que funciona como um Member’s Club e que as pessoas usam muito para trabalhar. O facto de ter um design de interiores incrível também serviu de inspiração para a Out of Office – o que quero oferecer são espaços com algum elemento diferenciador”.

A nova plataforma de cowork funciona então tal como o Airbnb: acede ao site, escolhe o espaço que mais gosta para trabalhar (com até uma semana de antecedência) e paga apenas o tempo que lá estiver. O custo do aluguer de cada espaço é de 1,25€ por hora, mas existem pacotes de oito horas (9€) e de quarenta horas (40€), com 10 e 20 por cento de desconto respetivamente. É ainda possível fazer-se uma subscrição mensal, que fica 35 por cento mais barata, no valor de 95€ e com acesso ilimitado aos espaços.

O bom de poder reservar passa por que não correr o risco de quando chegar ao espaço ele estar a ser ocupado por outra pessoa. Digamos que é uma forma de garantir que não há atrasos nem complicações que o possam stressar antes de começar o seu horário de trabalho.

Agora, está apenas disponível o modelo de reservas individual, ou seja, uma só pessoa reserva exclusivamente o lugar para si. No entanto, no caso de querer estar no espaço em conjunto com amigos ou colegas de trabalho pode fazê-lo, mas a gestão é feita à chegada ao local e após todos os membros terem feito a reserva. No futuro, contudo, a empresa está a preparar a função “reuniões”, na plataforma, onde vai ser possível reservar de imediato os espaços para um grupo de pessoas que se quer sentar em conjunto. Isto quando, claro, existir um alívio relativamente às restrições relativas à pandemia.

Segundo a empresa, o regime de teletrabalho está a ser facilitado pela maioria das empresas pelo menos até ao final do ano, mesmo que num modelo que intercala dias no escritório e em casa. No entanto, esta modalidade veio mesmo para ficar. De acordo com as declarações da Out of Office “até 2025, estima-se que 70 por cento das pessoas estará a trabalhar remotamente pelo menos cinco dias por mês”. Um número que colocou um ponto final na certeza de avançar com esta plataforma que vem responder às necessidades de quem trabalha por casa.

“Com a pandemia e o teletrabalho obrigatório, apercebi-me de que esta era a altura ideal para lançar um projeto como a Out Of Office: depois de experimentarem o teletrabalho e as suas enormes vantagens, a maioria das pessoas não quer abrir mão dele. No entanto, por vezes, trabalhar a partir de casa não é o ideal, nem as condições são as melhores, tornando-se cansativo. Por isso, aquilo que quero oferecer é a oportunidade de trabalhar em espaços inspiradores, que dão ainda mais vontade de trabalhar, a minutos de distância da casa das pessoas”, esclarece o líder da plataforma José Luís Pinto Basto.

Para conhecer os espaços e saber mais sobre o projeto que acredita que as pessoas em teletrabalho podem mesmo ter lugares melhores e mais inspiradores para trabalhar, pode aceder ao site da Out of Office. Pode ser que encontre por lá, agora mesmo o seu “office for the day”.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT