Na cidade

Os famosos jacarandás já começaram a pintar de roxo as ruas de Lisboa

Todos os anos, o cenário repete-se. As imagens destas árvores das cores lindas e do cheiro estranho já estão a ser partilhadas nas redes sociais.
Aparecem no final da primavera. Foto: Ricardo Fernandez.

Costuma dizer-se que a primavera só começa realmente quando os jacarandás florescem. Desde o final de abril que estas árvores incrivelmente bonitas e fotogénicas começaram a pintar de roxo as ruas de Lisboa. Com a chegada dos jacarandás em flor, vêm também as fotografias nas redes sociais — e são um sucesso todos os anos, mesmo sem filtros.

Originárias do Brasil, os jacarandás vieram para Lisboa no início do século XIX, por ordem do Jardim Botânico da Ajuda, por serem bonitos e diferentes de tudo o que existia no País naquela altura. Quem trouxe as árvores para a capital foi Felix Avelar Brotero, o pai da botânica em Portugal, que ofereceu sementes a quem quisesse cultivá-as pela cidade. Para a realeza esta planta, pelo seu exotimo, era uma forma de demonstrar o poder real.

Quando chegaram, os botânicos tinham sérias dúvidas de que se adaptassem ao clima da cidade — mas enganaram-se. Pode também ser novidade que, por ser tropical, tem um ritmo diferente das demais — ou seja, dá as primeiras flores quando as restantes árvores já estão cobertas.

A época de floração dos “Jacaranda mimosifolia” depende das condições meteorológicas, mas começa normalmente em maio ou meados de junho. Por vezes apresentam uma segunda floração em setembro, “embora seja mais raro e nunca tão exuberante como a de primavera/verão”, segundo a Câmara Municipal de Lisboa.

Em Portugal, só sobrevivem em zonas abaixo de Lisboa, uma vez que o ADN tropical não tolera o frio de maneira nenhuma. São elas que anunciam a primavera e o verão, e quando as folhas caem deixam um manto roxo que passou a ser conhecido por Purple Rain — como a música de Prince. 

As localizações mais emblemáticas desta espécie em Lisboa, sobretudo por terem muitos exemplares adultos, são a Avenida Dom Carlos I, início da Alameda Edgar Cardoso (do Marquês para cima), Campo Pequeno (no jardim, destacam-se dos plátanos fazendo um efeito muito bonito), Avenida da Torre de Belém, Avenida do Restelo, Avenida das Descobertas, Avenida 5 de Outubro e Avenida 24 de Julho. No entanto, esta não é a única altura do ano em que as pode ver. No Parque das Nações, por exemplo, existe um Jardim de Jacarandás que está aberto durante todo o ano. 

Não há dúvidas de que embelezam a cidade, mas há quem não as suporte devido ao cheiro e vestígios que deixam. O piso fica pegajoso, deitam um cheiro por vezes estranho e até são responsáveis por uma espécie de piolhos que se espalham pela cidade. 

Nas zonas mais movimentadas, como as Avenidas Novas, o mau cheiro é também um enorme motivo de desconforto para os clientes que ficam nas esplanadas. E há ainda um terceiro fator que irrita alguns lisboetas: as folhas desta árvore tropical são um verdadeiro pesadelo para quem sofre de doenças respiratórias, como rinite alérgica.

Seja como for, e com mais ou menos queixas, os jacarandás vão mesmo manter-se em Lisboa. Por isso o melhor é controlar os nervos, respirar fundo e tirar o telemóvel ou a máquina para eternizar as árvores em flor numa fotografia.

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