Na cidade

Partilha Casa: a nova plataforma quer juntar jovens e idosos sob o mesmo teto

O objetivo é responder a dois grandes desafios da sociedade portuguesa: a crise habitacional e a solidão da população sénior.
É o match perfeito.

Numa altura em que Portugal enfrenta uma crise sem precedentes no acesso à habitação, uma das maiores preocupações dos jovens estudantes é encontrarem uma casa com uma renda acessível. Já a população sénior, que se sente cada vez mais sozinha num mundo em constante correria, só quer companhia.

Identificados os dilemas dos dois grupos — uns não têm onde morar, outros não querem viver sozinhos — a MEO decidiu desenvolver uma iniciativa revolucionária para os resolver: juntar universitários e idosos até aí perfeitos desconhecidos sob o mesmo teto.

No final de novembro de 2023, lançaram a plataforma Partilha Casa. “Esta iniciativa nacional, a três anos, visa mitigar a dificuldade de acesso a alojamento a um custo acessível por parte de jovens universitários, deslocados do seu contexto familiar, e a solidão da população sénior”, começa por contar à NiT Luiza Galindo, diretora de marca e comunicação MEO. 

Por trás, estão associações que trabalham na área da intergeracionalidade — as relações entre várias gerações — responsáveis por fazer o cruzamento entre sénior e jovem. Atualmente, existem dois projetos associados: a Une.Idades, em Lisboa; e o Abraço Gerações, em Coimbra. São eles que, posteriormente, vão acompanhar todo o processo e fazer o match perfeito.

A utilização da plataforma é bastante simples. Assim que entrarem no site, os interessados podem conhecer todos os programas parceiros, que fomentam a partilha de casa intergeracional. Ao fazerem a candidatura, os universitários devem escolher a localidade pretendida e preencher um formulário com dados pessoais, dando assim início ao processo de triagem. 

“Posteriormente, cabe a cada instituição a análise das respetivas candidaturas, após um processo de triagem, identificação de compatibilidade entre perfis e enquadramento entre a disponibilidade de alojamento e a procura por jovens”, explica.

Uma vez identificados os pares ideais, o sénior e jovem estudante poderão conhecer-se pessoalmente e confirmar se pretendem avançar com esta convivência diária. A candidatura é gratuita, embora a partilha de casa possa ter uma divisão de custos ou de tarefas entre os dois, segundo as condições específicas de cada programa. No caso do Abraço Gerações, em Coimbra, o alojamento é gratuito para o jovem escolhido, que terá de pagar apenas as despesas, como a água, luz e gás. No final, pagarão apenas “um valor simbólico”.

“Temos recebido inúmeras manifestações de interesse de instituições e entidades que se pretendem associar ao projeto”, adianta. Neste momento, a iniciativa só está disponível em Lisboa e Coimbra, mas quanto mais associações se associarem, “maior será a cobertura geográfica”. 

O projeto destina-se a jovens estudantes que tenham entre os 18 e os 35 anos, e seniores com mais de 60 ou 65. Até ao momento, já receberam mais de uma centena de candidaturas de idosos e mais de meio milhão de universitários.

Um mês após o lançamento do projeto, o “balanço é bastante positivo”. Enquanto líder no setor das comunicações eletrónicas, a MEO tem o dever de chamar à atenção para temas presentes na sociedade. Com este projeto, por exemplo, desperta “a consciência social” e junta “as vontades de câmaras municipais, empresas, instituições de solidariedade social, start-ups e academia”.

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