Durante quase 10 anos, Pedro Ferreira e Filipa Maniés viveram no centro de Setúbal. Porém, com o tempo, o casal — ele videógrafo e ela fotógrafa — começou a sentir-se saturado da vida citadina e decidiu que era a hora de procurar uma nova casa.
“Percebemos que não estávamos a descansar naquele meio, o que nos incomodava muito”, conta à NiT Filipa, de 32 anos. Foi numa zona rural, no concelho do Montijo, que Filipa e Pedro, de 40 anos, conseguiram encontrar um escape.
Em 2022, o casal encontrou uma propriedade datada de 1957 à venda e decidiu tentar a sua sorte. Pedro decidiu ligar ao vendedor, que era também um dos responsáveis pela residência. “Ele contou-me a história da casa, que pertencia à família, e disse que passou a infância com os primos a brincar aqui”, recorda Pedro. “Achei muita graça, era mesmo um senhor muito simpático e amigável. Decidimos então ir vê-la”.
Foi a primeira propriedade que o casal viu em conjunto e Pedro percebeu logo o potencial do terreno. Filipa, por sua vez, demorou algum tempo a habituar-se ao espaço. Isto porque a propriedade era antiga e ainda tinha alguns pertences dos antigos proprietários. “Fazia-me confusão porque também tinha muita coisa partida, como as persianas”, confessa a fotógrafa. No entanto, à medida que os dois exploravam o terreno, começaram a perceber todo o potencial.
A compra foi oficializada em 2022 e o período de negociação durou mais tempo do que estavam à espera. “Foram nove meses de tortura. O nosso País não é fácil e, na altura, as regras do Crédito Habitação mudavam-se a cada mês, mas deu certo”, partilham.
O primeiro passo foi enviar um empreiteiro ao terreno para fazer as obras essenciais. Na altura, Pedro e Filipa estavam a viver num apartamento arrendado e tinham de sair o mais rápido possível. Por isso, assim que a casa ficou minimamente habitável, decidiram pôr mãos à obra.
“Precisávamos de sair daquele apartamento arrendado o mais cedo possível. Portanto, teve de ser alguém a vir fazer as obras para conseguirmos habitar, pelo menos. Depois, o resto fazíamos nós”, apontam.

Depois das obras essenciais, que duraram entre janeiro e dezembro de 2023, a casa ficou “uma tela em branco”. A partir daí, o casal mudou-se para a propriedade para começar a organizar tudo. Desde o início, inspiraram-se nas construções da zona da Comporta.
“Não percebíamos nada de construção”, confessam. “A casa estava habitável e algumas coisas não ficaram muito bem. Percebemos que era melhor metermos as mãos à obra, em vez de pagarmos a alguém. Sem qualquer tipo de formação, não tivemos medo de arriscar.”
Pedro e Filipa arranjaram uma bomba de cimento e começaram a dar continuidade à remodelação da casa. Aos poucos, a propriedade começou a ganhar forma e, nos dias de hoje, o interior está quase completo.
No geral, o terreno tem cerca de 1400 metros quadrados. Além da casa principal, com 114 metros quadrados, conta ainda com um anexo, de 50 metros quadrados. Na construção mais pequena, o casal optou por construir uma guesthouse, que serve também de apoio à piscina no jardim.
Embora seja a parte mais pequena do terreno, foi também a mais desafiante. Isto porque Pedro e Filipa começaram por construir a cozinha, que ditaria o resto da construção e a localização das outras divisões. No entanto, acabaram por cometer um erro durante a construção e tiveram de partir tudo para começar de novo.
“Tivemos de partir toda a cozinha porque influenciava o resto da obra. Portanto, acabou por comprometer um pouco o prazo”, confessa. “Acabámos por fazer uma cozinha ao estilo alentejano, como se fazia antigamente, em alvenaria.”
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Para a decoração, tanto da casa como do anexo, o casal apostou na madeira e nos tons naturais. Aproveitaram, aliás, alguns pedaços de madeira que encontrou na casa para construir duas pérgulas, que são atualmente um dos encantos da residência.
“Reaproveitámos as madeiras que estavam na casa há vários anos, mas estavam intactas e em boas condições”, referem. No interior, tinham também um “estilo muito definido” e tentaram conjugar todos os elementos decorativos.
No Instagram, o casal criou uma página, à qual deu o nome de The Doers’ Story. Desde agosto que têm partilhado todo o processo de recuperação e já reúne mais de 14 mil seguidores. “Criámos a página completamente do nada e, no espaço de um mês, chegámos a um alcance de um milhão de visualizações. Não estávamos à espera.”
Atualmente, grande parte do interior já está pronto, com exceção da casa de banho do anexo. O exterior, por sua vez, está ainda por fazer — sobretudo partes do muro, a piscina e alguns pormenores do portão. “Cada coisa que fazemos aqui, estamos a acrescentar valor”, frisam. “Podem demorar um bocadinho mais, mas no final vai valer a pena.”
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da casa recuperada por Pedro e Filipa.







