Na cidade

Penedo: a casa portuguesa mais estranha do mundo vai ser um alojamento local

Também é conhecida como a Casa dos Flinstones, com presença habitual em meios internacionais. Agora, tem novos programas.
É linda.

Deverá haver poucos portugueses que não conheçam este marco do norte do País. Nas Serras de Fafe, A Casa do Penedo ganhou o seu nome por ter sido erguida entre quatro enormes rochas de granito que integram a estrutura. Mas se esse é o seu nome principal, há muitas outras definições: de “casa mais estranha do mundo”, apelido que os proprietários assumem no site oficial; ou a “Casa dos Flinstones”, como os media internacionais gostam, nas suas muitas referências, de lhe chamar.

Certo é que esta casa é única, incrível, numa localização perfeita e tem uma história ainda mais insólita. Situada na União de Freguesias de Várzea Cova e Moreira do Rei, concelho de Fafe, na Região Norte de Portugal, a casa foi inaugurada a 13 de outubro de 1974, com um modo de construção incomum: iniciado pelo telhado, seguindo-se o resto.

Tal como se lê na sua página oficial, ela foi idealizada para estar perfeitamente integrada na paisagem e servir simplesmente como um abrigo de família. A sua localização única permite uma “comunhão invulgar com a natureza”, sempre rodeado do ar limpo da montanha.

Recentemente considerada como a casa mais estranha do mundo, a Casa do Penedo viu o seu nome e imagem chegar a todos os continentes, “atraindo tanto curiosos como especialistas de arquitetura e amantes da Natureza”.

O interesse não esmorece e ainda esta semana o grupo de Facebook Montanhas do Norte lhe deu novo destaque, com as reações a oscilarem entre os comentários elogiosos de quem por lá passa regularmente e a surpresa total, no caso de quem nunca a visitou ou dela ouviu falar.

🏔️ Casa do Penedo – Serras de Fafe 🏔️Uma das mais peculiares casas de Portugal, e provavelmente do mundo!📷:@ricardojsfer

Posted by Montanhas do Norte on Sunday, September 12, 2021

Já em 2015 o jornal britânico “Daily Mail” lhe dera relevo, chamando-a então de “Casa de Flintsones”; bem como de “bizarra” no bom sentido e enaltecendo a sua estrutura e mística únicas.

“O seu fascínio vai além de sua semelhança com as casas de pedra da série de TV de animação clássica — ela tem portas e janelas à prova de balas e uma piscina” descrevia então o jornal. E destacava a tal piscina escavada nas rochas, a lareira e a ausência de eletricidade, explicando que de casa de férias de família ela passara a uma “atração turística crescente” depois de ser transformada num museu local.

Em 2020, uma outra publicação internacional, a “Gail at Large“, contou com mais detalhes um pouco da sua história: “No início da década de 1970, um engenheiro de Guimarães pretendia construir uma casa de fim de semana para a sua família descansar na serra de Fafe, perto de Cabeceiras de Basto”, começava. 

“O plano era uma fuga com vista, um lugar para relaxar, mas duvida-se que o engenheiro tenha imaginado que construir uma casa com quatro pedras teria o efeito oposto ao que pretendia”, adiantava a mesma revista.

“A porta da frente da casa é feita de aço, as janelas são de vidro à prova de balas com grades, o principal material interno da escada, corrimãos e móveis é de madeira”, continua a descrição. “As camas são feitas à medida e há uma cozinha e uma sala de estar com um sofá de 350 quilos feito de concreto e eucalipto. Além da casa, existe uma piscina e um outro edifício que se destina a arrumos, eventualmente para futura ampliação”, relatava há um ano o repórter.

E rematava: “É uma casa invulgar, não só para esta região mas para todo o Portugal, mesmo comparando-a com aldeias de montanha como Monsanto e outras onde as casas são construídas em torno de uma ou duas paredes de rocha existente”.

Na mesma publicação também se explica a recente evolução turística da Casa do Penedo: desde que foi descoberta pelos media internacionais, sobretudo em 2015, o interesse foi crescente, tal como as visitas. Um ano antes, em 2014, a revista “Strange Buildings” dava-lhe então o nome de “casa mais estranha do mundo”.

Entretanto, a localização da Casa do Penedo passou a fazer parte do Rally de Portugal, o projeto do museu evoluiu para um projeto turístico e a Casa do Penedo passou a ter uma nova plataforma, a partir de janeiro de 2020. Pode agora, neste site, conhecer e reservar uma série de pacotes e de formas mais originais de conhecer e visitar a casa — e toda a região.

Um dos atuais responsáveis pela Casa acrescenta os pontos finais desta história e das mais recentes novidades à NiT:  

“A casa atualmente pertence à terceira geração, aos netos de quem a idealizou e construiu. Foi criada com o intuito de ser uma casa de férias e continua a ser”, explica fonte do espaço à NiT.

E adianta: “A casa encontra-se completamente original, desde o ano da sua fundação (1974). Tem um estilo rústico e enquadrado pela natureza que a envolve. Foi pensada para não ter nenhuma tecnologia, principalmente televisão e telefone, continua a não ter. Resiste às modas e as tecnologias”. 

Sobre a definição de “casa mais estranha do mundo”, o mesmo responsável explica: “A casa está classificada pelos sites de arquitetura como a casa mais estranha do mundo. Existe um site interativo com uma lista de edifícios estranho e estamos em primeiro lugar. Foi noticia nacional há oito anos, no ‘Jornal Noticias’, RTP e Porto Canal. Não é alcunha. Pelas pessoas de Fafe e Cabeceiras de Basto, é conhecida como a Casa do Penedo”.

Para conhecer a casa qualquer pessoa pode agora agendar a sua visita através do site. Atualmente, existem vários pacotes, como um de visita guiada (5€) ou programas mais completos, com vários percursos ou temas. O site oferece experiências personalizadas que incluem ser pastor por um dia, provas de vinhos, mini concertos, jantares temáticos e muito mais. 

No entanto, a opção da visita guiada é a que têm mais sucesso. “Temos também muitas visitas espontâneas sem marcação e reservas da piscina. E voltámos também a ter excursões programadas”, adianta o mesmo responsável.

Ainda segundo a Casa do Penedo, todos estes programas tiveram início em janeiro de 2020, com excursões matinais e tarde; incluindo Fafe; Guimarães; Cabeceiras de Basto; e também os tais “programas feitos à medida almoços e jantares temáticos, passeios pedestres e a cavalo, palestras sobre as estrelas etc”, adianta.

No entanto, com a pandemia, em março de 2020, as atividades desse género foram suspensas. “Os programas familiares e de pequenos grupos foram sendo retomados lentamente; os grupos maiores, só agora iniciam, só agora se começaram a programar”, explica.

E a melhor novidade está para breve: a Casa do Penedo vai ter alojamento local, como já se pode ver no site e foi confirmado à NiT. “O alojamento local na casa principal ainda não iniciou, só será uma realidade quando tudo estiver normalizado em termos de pandemia. Temos projetos de alojamento mais abrangentes, não sabemos ainda se vão ser possíveis em termos de licenciamento”, acrescenta o mesmo responsável.

E conclui: “A Casa do Penedo propõe-se  a dinamizar o turismo em Fafe e na região. Temos milhares de visitantes no verão, queremos também prolongar  esse interesse turístico para o resto do ano. Há muito trabalho a fazer, muitos investimentos; mas também muita burocracia a ultrapassar”. 

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