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Petição contra abate de jacarandás em Lisboa já tem quase 40 mil assinaturas

A carta aberta surgiu após a Câmara Lisboa ter anunciado que ia abater as árvores para construir um parque de estacionamento na Avenida 5 de Outubro.

Desde que a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que ia abater jacarandás na Avenida 5 de Outubro para a construção de um parque de estacionamento, que na cidade (e um pouco por todo o País) se desencadeou um sentimento de revolta, amplamente partilhado nas redes sociais. A decisão levou à criação de uma petição online contra o abate das árvores emblemáticas que embelezam as ruas da capital durante a primavera e verão.

Em apenas quatro dias, a petição pública foi assinada por mais de 37 mil pessoas (e o número continua a crescer). A carta aberta, dirigida à Assembleia Municipal de Lisboa, surgiu após a autarquia ter colocado um papel em várias árvores na Avenida 5 de Outubro, a anunciar que estas seriam abatidas ou transplantadas por razões de urbanismo.

“A Avenida 5 de Outubro vai fica mais verde e com mais árvores. A intervenção tem por objetivo construir o novo parque de estacionamento público de Entrecampos e, no final, será duplicado o número de árvores naquela zona, o que contrasta com o plano original para a zona, que previa que todas teriam que ser cortadas”, escreveu a autarquia nas redes sociais. 

Na página dedicada às Intervenções no Arvoredo Municipal, a Câmara revela que serão removidas 47 árvores, das quais 22 serão “transplantadas para outras áreas verdes da freguesia, não reunindo, as restantes, condições para transplante”. A intervenção, sublinha a autarquia, será “necessária para a construção de um estacionamento subterrâneo na Avenida 5 de Outubro”.

A petição foi lançada não só pelo anúncio do abate de árvores adultas, mas também pela “falta de comunicação sólida e de prestação de esclarecimentos acerca do assunto”. No documento, podemos ler: “Só através das folhas de papel A4 colocadas nas árvores é que os cidadãos vieram a descobrir as razões para o abate: ‘motivos de urbanismo e inviabilidade do transplante’.”

“Ficamos sem saber que obra é, quais as razões que impossibilitam os transplantes, de que espécie serão as novas árvores e sequer se serão colocadas na localização anterior”, questiona o documento. Com a petição, os portugueses que estão contra a decisão esperam ver esclarecidas questões como “qual a razão para se substituir os jacarandás abatidos por árvores de outra espécie?” ou “Se a utilidade deste abate e transplante é a criação de estacionamento subterrâneo, será devolvido mais espaço público aos munícipes, retirando o estacionamento à superfície?”.

No documento, mencionam ainda que estas árvores são um elemento natural, fundamental em Lisboa: “Numa cidade cada vez mais quente, refrescam as ruas fustigadas pelo calor refletivo pelo chão, chapas de obras e prédios, contribuem para a substituição de CO2 por O2 e filtram do ar pós e a fuligem da grande afluência de trânsito”.

Além de todos os benefícios que a presença das árvores traz à cidade, os jaracandás são também um “símbolo de Lisboa”. “Não nos podemos esquecer de como marcam a passagem das estações num lugar em que o tempo aprece fugir de nós deixando-nos reféns de um constante e infinito agora, de como nos espantamos e comovemos com os pequenos espetáculos que a natureza nos oferece”, lê-se na petição.

Aproveite e leia o artigo sobre a curiosa história dos jacarandás, as árvores que pintam Lisboa de roxo todas as primaveras.

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