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Pink My Bike: as divertidas motas cor-de-rosa que andam a percorrer Trás-os-Montes

A empresa que organiza tours auto-guiadas foi criada por três amigos apaixonados pelas viagens sobre duas rodas.
Chamam a atenção.

Esqueça o carro cor-de-rosa da Barbie. Agora, os veículos da moda são as motas da Pink My Bike. A empresa criada por três apaixonados pela região de Trás-os-Montes organiza passeios em Honda Monkey 125 e oferece “uma experiência autêntica para descobrir o melhor do norte do País”.

Francisco Gonçalves, de 34 anos, e os irmãos João e Pedro Fá, de 36 e 35 anos, respetivamente, são amigos de longa data — conhecem-se praticamente “desde que nasceram”. “Os nossos avós e pais já eram amigos, é uma relação que existe há muito tempo. Crescemos todos na freguesia de Ervedosa, no concelho de Vinhais, e sempre gostámos de andar de mota”, começa por contar Francisco à NiT.

Passaram a infância e a adolescência juntos, mas com a chegada da vida adulta acabaram por se afastar por motivos profissionais. Francisco emigrou para a Suíça, onde viveu cinco anos, enquanto os irmãos se mudaram para a Dinamarca. Mesmo a milhares de quilómetros de distância, mantiveram o contacto e encontravam-se sempre que possível.

Num desses encontros decidiram fazer uma viagem em conjunto, onde começaram a discutir o que seria a Pink My Bike. Há cerca de três anos fizeram a Adventure Country Track de Portugal, um percurso de aventura entre Bragança a Tavira. Percorreram 1.250 quilómetros de mota, 60 por cento em todo-o-terreno e 40 por cento em asfalto.

Numa das cinco noites em que acamparam, tiveram a ideia de desenvolver um projeto com motas mais leves para organizar tours na região onde cresceram. Seria uma forma de “juntar o útil ao agradável”, pensaram. “Enquanto estávamos a viajar tínhamos uns intercomunicadores para falarmos uns com os outros e aproveitamos para definir coisas como o nome [da empresa], a cor das motos, o modelo. Queríamos uma coisa fora do normal”, recorda.

Optaram pelo rosa, por ser mais fácil de identificar: “Chama à atenção e provoca sorrisos genuínos a quem as vê e conduz”. A Divaga Design ajudou o trio a dar um toque especial a “uma das motas mais bonitas do mundo”.

Com a consciência de que o mercado de moto aventura em Portugal está focado em veículos de alta cilindrada, teriam de oferecer algo distintivo. “Temos de arranjar melhor”, pensaram, desde o início. Optaram pelas Monkey porque são “ágeis, ligeiras e de fácil manuseamento” — e permitem ir a sítios onde outras não conseguem chegar.

Já o nome foi inspirado num programa de televisão MTV que costumavam assistir em miúdos: o “Pink My Ride”. Começou por ser apenas uma brincadeira que acabou por ser levada a sério. Ainda durante a viagem, registaram a marca e compraram o domínio para os obrigar a irem mesmo em frente com o projeto.

“Sabíamos que depois disto ia cada um à sua vida e, assim, comprando o domínio, não podíamos retroceder”, explica. Despediram-se com a promessa de abrir a loja dali a um ano, um prazo que acabou por ser muito mais curto do que esperavam. Em novembro de 2022, inauguraram o espaço físico da Pink My Bike, em Bragança, onde os interessados podem alugar um dos quatro veículos disponíveis — um número que pretendem aumentar neste verão.

O objetivo era oferecer experiências diferenciadoras e atrair mais turistas a Trás-os-Montes, uma região desertificada e com pouca variedade no que toca à oferta turísticas. “As pessoas visitam o castelo, mas depois acabam por não ter grandes alternativas. As redondezas são muito bonitas, mas não têm como se deslocar. Nós oferecemos uma forma bastante divertida, fácil e acessível de conhecer esta zona”, explica.

As tours da empresa não são como os passeios habituais, que duram um dia e sempre com um guia a acompanhar. Os clientes aventuram-se sozinhos, com um GPS e um mapa interativo com indicações devem seguir para chegarem aos principais pontos da excursão, que pode durar entre dois a cinco dias. O roteiro inclui várias paragens e, em cada uma, o equipamento está preparado para contar a história do local em questão.

A experiência inclui a estadia nos hotéis e alojamentos locais ao longo do trajeto escolhido, bem como algumas atividades. Trata-se um pacote completo, sem preocupações. Os capacetes, as luvas e os intercomunicadores para as conversas durante o passeio, também são disponibilizados pela Pink My Bike.

Atualmente estão disponíveis tours auto-guiadas de dois (290€ por pessoa), três (460€), quatro (580€) e cinco dias (690€). A mais curta percorre o Parque Natural de Montesinho e Área Protegida da Albufeira do Azibo. Trata-se de um percurso circular de 340 quilómetros com início em Bragança, que segue pelas estradas sinuosos de Montesinho e pelos caminhos empoeirados que levam à Área Reservada do Azibo.

O Parque Biológico de Vinhais, a aldeia de Rio de Onor (eleita uma das sete maravilhas de Portugal) e os castelos de Algoso e de Bragança são alguns dos principais pontos de interesse que irá encontrar ao longo do trajeto. O valor inclui o alojamento com pequeno-almoço, passeio de barco solar ao pôr do sol (com aperitivos), entrada no Parque Biológico de Vinhais, seguros e depósito de gasolina cheio.

A Rota Norte, de cinco dias, é também muito requisitada. Trata-se de uma tour circular de 777 quilómetros que une o litoral ao interior, percorrendo as mais belas estradas do norte do País — esta roadtrip foi desenvolvida por Marco Neiva, em fevereiro do ano passado. 

Para conduzir uma das motas cor-de-rosa, é necessário ter carta de condução categoria B e mais de quatro anos de experiência. Pode consultar todos os requisitos e informações necessárias online.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias dos icónicas Monkey da Pink My Bike.

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