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Por que há mais golfinhos no Tejo? O trisneto do primeiro Presidente da República explica

Sidónio Pais, biólogo marinho e fundador da SeaEO Tours, esteve à conversa com a NiT onde nos explicou o porquê deste fenómeno.
Antes de 2020, apenas haviam 4 ou 5 avistamentos por ano.

Com os golfinhos a voltar ao Tejo, após vários anos com poucos avistamentos, há algumas empresas que se especializaram na criação de oportunidades conseguirmos estar mais perto destes animais. Representados sempre como sendo fofinhos e bastante sociais, os golfinhos dos animais mais populares de sempre, tanto entre os miúdos, como com adultos. A SeaEO Tours é uma destas empresas que, além do entretenimento das pessoas, preza sempre pelo bem-estar e segurança dos animais.

O fundador da empresa tem um nome muito familiar a todos nós: Sidónio Pais. É trisneto do primeiro Presidente da República eleito por sufrágio direto — e com quem partilha o mesmo nome — apaixonou-se pelo mar desde novo: “Fui influenciado por algumas personagens importantes da minha vida, pessoas como o Almirante Andrade e Silva, como os meus pais, como o meu avô. Pessoas que estavam sempre ligadas à água”, explica Sidónio Pais à NiT.

Tal como o Almirante Andrade e Silva (o Chefe de Estado-Maior da Armada entre 1989 e 1991), também Sidónio Pais passou grande parte da sua juventude nas Berlengas. Destaca ainda o Portinho da Arrábida como influenciador deste gosto pelo mar, que o levou posteriormente a tirar o curso em Biologia Marinha. Não se esquece, contudo, dos peixes que teve quando pequeno.

Criada em 2018, a SeaEO Tours mostrou ser a oportunidade ideal para “juntar as pessoas à natureza”, com oportunidades de conhecerem as diferentes aves e os flamingos do Estuário do Tejo.

Os golfinhos são, porém, a grande estrela das viagens de barco organizadas pela empresa. Após vários anos com poucos avistamentos, verificou-se uma maior afluência destes animais à beira de Lisboa e arredores, o que, para Sidónio Pais, tem uma explicação clara: “Antes de 2020 tínhamos avistamentos de cinco ou seis vezes por ano”, inicia.

Este recente fenómeno “pode ter sido por várias razões, mas certamente está relacionado com a drástica redução de atividade económica”, explica. “Ou seja, está relacionado com as embarcações que saem diariamente para ir pescar.” Com menos embarcações piscatórias, os golfinhos têm agora mais alimentos disponíveis.

Esta semana tem sido assim todos os dias! 💙🐬🐬💙

Posted by Sea EO Tours on Tuesday, August 17, 2021

A pandemia acabou também por influenciar este fenómeno, visto que as viagens marítimas de recreio realizadas no Tejo reduziram: “Os cruzeiros que entravam diariamente em Lisboa também deixaram de aparecer, por completo.”

Durante os três anos da SeaEO Tours, Sidónio Pais já foi aprendendo os melhores locais para o avistamento de golfinhos: “Nós vamos conhecendo os padrões. Primeiro, sabemos que o local onde são avistados fora do Tejo é bastante disperso e é uma zona muito grande, mas sabemos que há locais preferenciais”, afirma. Continua por explicar que também dentro do Tejo há sítios onde os golfinhos gostam mais de estar. Além destas zonas populares entre os mamíferos, a empresa começa a entender também os seus movimentos diários, onde andam muitas vezes à procura de mantimentos.

É normal que em quatro anos de empresa se avistem animais menos comuns. Sidónio Pais recorda-se de alguns: “Ainda hoje tivemos um grupo gigante de mais de 100 golfinhos comuns fora de Cascais. Já observámos baleias, peixes lulas, várias espécies de golfinhos. Todos os dias são diferentes e muito emotivos. Ontem tivemos um avistamento bastante divertido de botos, que são muito tímidos e difíceis de fotografar. Sabe-se que em Portugal existem cerca de dois mil, o que é um número preocupante.”

Preocupante também, confessa, é o estado atual da poluição e da atividade humana que se verifica no oceano e nos rios: “Sabemos que durante o inverno, os golfinhos tendem a ir para locais onde haja mais alimento disponível. E esse alimento também está nas nossas mãos. Nós competimos com o mesmo tipo de alimento, que é a sardinha, o carapau, a cavala. Ou seja, são os peixes pequenos. Ao tirarmos estes recursos dos mar tiramos também as probabilidades dos golfinhos terem uma longevidade maior.”

“Em relação à parte das alterações climáticas, há uma coisa importante. Nós que estamos no mar todos os dias somos os porta-vozes do mar, conseguimos perceber o estado do mar e a presença de plásticos é absolutamente assustadora”, informa. O biólogo marinho continua por explicar que embora os plásticos não sejam um grande perigo direto para os golfinhos, são-no para outros animais, como as baleias que, devido ao seu porte imenso, não refletem sobre o que ingerem, acabando por consumir muito do plástico que se encontra na água. “Os próprios microplásticos já estão presentes na cadeia alimentar. Como as baleias e os golfinhos são predadores de topo, acabam por acumular esses venenos”, que muitas vezes se encontram dentro dos peixes.

Além das viagens realizadas para as observações de golfinhos — que custam 60€ para adultos e 30€ para os miúdos entre os 4 e os 11 anos — a SeaEO Tours tem também disponíveis outras atividades: um passeio de barco cultural que passa por alguns monumentos emblemáticos de Lisboa; um serviço de Taxi Boat para atravessar o rio; um transfer para o Oceanário de Lisboa e Aluguer de Barco Privado. No inverno, organizam também viagens não para ver os golfinhos, mas para se observarem as aves que aparecem naquela altura. Pode encontrar mais informações e fazer a sua reserva no site da empresa.

 

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