É o fim de uma era. Os velhos cacilheiros, que fazem a travessia do rio Tejo entre Lisboa e Cacilhas, vão ser substituídos por barcos elétricos — e os primeiros já começaram a circular. As novas embarcações da Transtejo Soflusa (TTSL) são apontadas como sendo mais modernas, mais rápidas e com um menor impacto ambiental, sendo menos poluentes.
Até então, a frota da TTSL era composta por três cacilheiros — “Dafundo”, “Seixalense” e “Sintrense” —, que datam dos anos 80, segundo o jornal “Lisboa Para Pessoas” (LPP). As antigas embarcações tinham capacidade para 409 passageiros.
“Mais carreiras, mais lugares e uma operação que integra navios elétricos e a diesel, com capacidade para 540 passageiros e 20 bicicletas por viagem”, avançou a página da República Portuguesa, nas redes sociais, esta terça-feira, 11 de novembro.
O primeiro elétrico da rota de Cacilhas apresenta, assim, várias características que trazem benefícios aos passageiros: têm mais lugares sentados, ar condicionado, casas de banho e tomadas elétricas, tornando o interior das embarcações mais moderno.
Construídos pela empresa espanhola Astilleros Gondán, os novos barcos elétricos alcançam uma velocidade de cerca de 30 quilómetros por hora. Contam com 40,15 metros de comprimento e 12 metros de largura. Além disso, foram instalados novos carregadores rápidos em cada terminal fluvial para assegurar o carregamento dos navios.
Por sua vez, a ligação entre o Seixal e o Cais do Sodré é a única totalmente operada por navios elétricos, de acordo com o LPP. As ligações de Cacilhas e o Montijo também já contam com as primeiras embarcações modernas.
Esta transição dos velhos cacilheiros para barcos elétricos está a ser pensada desde 2019, altura em que os responsáveis revelaram que a nova frota seria composta por 10 barcos. “São dez navios iguais que andarão ao dobro da velocidade a que andam hoje os cacilheiros, têm a mesma dimensão, num investimento que tem duas parcelas”, referiu, na altura, João Pedro Matos Fernandes, antigo ministro do Ambiente, à “Rádio Renascença”. “Ao todo são 90 milhões de euros, dos quais 57 milhões são para a aquisição dos navios e 33 para assegurar a sua manutenção até 2035.”
A renovação da frota, financiada com fundos comunitários, incluía a substituição dos barcos de Cacilhas, Montijo e Seixal. Deveria ter começado em 2021, mas só arrancou este ano devido a atrasos burocráticos. Quanto ao futuro das das antigas embarcações, foi apontado um destino: serem abatidas. No entanto, a Transtejo Soflusa diz estar a estudar formas de preservar as mais emblemáticas, sobretudo os cacilheiros.
Por outro lado, as ligações entre Lisboa e o Barreiro continuarão a ser asseguradas por catamarãs a diesel, bem como as rotas entre a Trafaria, Porto Brandão e Belém, que irão manter os ferrys com o mesmo combustível.
A empresa responsável informou ainda que a rota voltou aos horários normais no passado 3 de novembro, após mais de um ano de ajustes provocados por limitações operacionais.








