Na cidade

Procura-se jovens voluntários para reabilitar casas de forma solidária durante o verão

É mais um projeto da "Just a Change" que pretende agora intervir em 44 casas de particulares que vivem em situação de pobreza, com a ajuda de cerca de 600 voluntários.
Mais de 60 mil portugueses não têm água canalizada nem saneamento.

Em 2018, cerca de 695 mil pessoas com mais de 15 anos participaram ativamente em trabalhos de voluntariado formal e informal em Portugal. Três anos e uma pandemia depois, espera-se que a esse número sejam acrescentadas outras tantas. E há um projeto que vai contribuir para isso. 

Chama-se “Camp In” e será organizado pela associação Just a Change, através da reabilitação, entre os meses de Julho e Agosto, de 44 casas de particulares que vivem em situação de pobreza. A ajudar nesta iniciativa, que se encontra já na sua 7.ª edição, espera-se cerca de 600 voluntários, apoiados pelas comunidades envolventes de norte a sul do país.

“O projeto consiste na reabilitação de casas de famílias e de particulares carenciados, através da mobilização de voluntários e da comunidade local, assim como empresas, fornecedores, empreiteiros, instituições locais e câmaras municipais. No fundo, mobilizamos a comunidade à volta das casas que reabilitamos, porque a nossa missão é reabilitar casas e construir vidas”, explicou, em declarações à “Lusa”, o diretor executivo da Just a Change, António Bello.

Óbidos, Sever de Vouga, Faro, Loulé, Alandroal, Portimão, Lagoa, Vila Pouca de Aguiar, Tondela e Torres Vedras: são estas as onze zonas onde, neste verão, dezenas de pessoas se preparam para refazer casas — e transformar vidas. 

“O projeto abrange uma solução completa, acima de tudo de construção/reabilitação, desde o telhado até ao chão, todas as patologias que uma casa tenha nós tentamos resolver: reparar telhados, paredes, tetos, janelas e vãos, chão, reparações elétricas, de gás, canalização, esgotos”, assim como “a parte mais estética, de pintura e decoração, como colocar móveis e equipamentos” também está incluída, acrescentou António Bello.

As habitações a ser reabilitadas são normalmente sinalizadas através de instituições, com o apoio das câmaras municipais e as juntas de freguesia. Mas para além destas entidades competentes, o site da “Just a Change” tem disponível uma secção em que é possível identificar-se residências que pedem por uma intervenção. A associação analisa depois caso a caso. 

Assim que são reabilitadas, devolvem os valores da saúde, segurança, conforto e bem-estar a quem vive numa situação de pobreza habitacional extrema. Ao mesmo tempo, contribuem para uma maior valorização imobiliária e do próprio território envolvente e social.

Este ano, em especial, a associação tem como objetivo principal reabilitar as já mencionadas 44 habitações durante o verão, mas com o intuito de chegar às 55 até ao final do ano. Mas há mais um propósito: serem colocados 20 painéis solares nas casas, para que se tornem também amigas do ambiente.

A reconstruir vidas (e casas) desde 2010, a associação Just a Change já recuperou ao todo mais de 200 casas de família e 65 instituições. Destes números, mais de 4.700 pessoas por todo o País viram ser construídos pilares para alcançarem uma vida mais digna. Tudo isto com a ajuda de mais de 5.000 voluntariados que, para além de ajudarem as casas a ganhar novos telhados, janelas e portas, levaram a mudança a quem mais precisava dela.

Conheça o projeto e no caso de querer (ou conhecer quem queira) dar sentido ao seu verão, as inscrições para o “Camp In” estão abertas no site da associação. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT