Na cidade

Proibida a circulação para dentro e fora de Lisboa no fim de semana

É uma medida antecipada do governo para “conter na área o aumento da incidência”. O retrocesso no confinamento fica para já de parte.

Será já no próximo fim de semana que a área metropolitana de Lisboa voltará a um cenário bem familiar dos últimos meses: a proibição de circulação para dentro e fora da região ao fim de semana. Esta é uma “medida adicional” apresentada pelo governo esta quinta-feira, 17 de junho, decidida em Conselho de Ministros.

Com o aumento preocupante do número de casos de Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, especulava-se sobre uma eventual antecipação das medidas restritivas, que não se veio a verificar. Lisboa está, por enquanto, em situação de alerta em conjunto com outros nove concelhos, na sua maioria da área metropolitana da capital.

“Dada a incidência particular destes números na área de Lisboa, o governo decidiu retomar a proibição de circulação de e para Lisboa ao fim de semana”, explicou a ministra Mariana Vieira da Silva.

A partir das 15 horas desta sexta-feira, 18 de junho, será proibido circular para dentro e fora de Lisboa, exceto nos caso já previstos de exceções, como para trabalhar. “Esta é uma medida adicional que não estando na matriz e no conjunto de regras previstas, o governo decide tomar para conter na área o aumento da incidência.”

De acordo com Mariana Vieira da Silva, “esta não é uma medida que vai fazer com que os números [da pandemia] em Lisboa baixem, é uma medida que tem como objetivo conter que esta situação alastre para outras áreas do País”.  Ou seja, explicou a ministra, “é uma medida de proteção do resto do país, mais do que uma medida de contenção da pandemia”.

A governante esclareceu ainda que “as restrições dizem respeito à área metropolitana como um todo e não à circulação entre concelhos”, sublinhando que se trata de uma medida extraordinária que vai para além da “previsão de medidas”, mas que “não é uma antecipação”.

Sobre a elevada incidência em Lisboa, a ministra aponta para o crescimento da variante Delta, que é já culpada pela maioria dos novos casos. “Aparentemente, uma prevalência maior da variante Delta neste território e também na região do Alentejo. Aguardamos mais dados e do trabalho de sequenciação que o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge faz. É difícil a explicação e tomada destas medidas mas é uma condição que nos pareceu fundamental neste momento para não fazer alastrar a todo o país a situação que vive em Lisboa.”

O anúncio desta quinta-feira feito pela Ministra de Estado e da Presidência sublinhou não só a situação preocupante de Lisboa mas também a do País como um tudo, já “bastante longe da zona verde” da matriz. “A avaliação semanal a nível nacional afasta-se hoje da zona verde, o que significa que para a semana, quando estava prevista a nova fase de desconfinamento, ela muito dificilmente se poderá verificar com estes números.”

Boas notícias: quatro concelhos recuperam dos níveis anteriores e hoje estão abaixo da linha dos 120 casos por 100 mil habitantes. São eles Paredes de Coura, Alcanena, Santarém e Vale de Cambra.

Por outro lado, em sentido contrário, avançam para o estado de alerta: Alcochete, Águeda, Almada, Amadora, Barreiro, Grândola, Lagos, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Sardoal, Seixal, Setúbal, Sines, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira. São, na sua maioria, concelhos da área metropolitana de Lisboa.

Pior estão dez concelhos que “não acompanham e deixarão de acompanhar o nível de desconfinamento”: Sesimbra que, pela segunda semana consecutiva, está acima do limite dos 240 casos por 100 mil habitantes; Albufeira, Arruda dos Vinhos, Braga, Cascais, Lisboa, Loulé, Odemira, Sertã e Sintra.

Ao contrário de Sesimbra, que retrocede para um desconfinamento que exige, por exemplo, encerramento de restauração às 15h30, os restantes concelhos mantêm-se na fase anterior à do resto do País, com estabelecimentos forçados a fechar às 22h30.

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