Na cidade

Proprietários do Zmar protestam: não querem receber doentes com Covid-19

O governo fez um pedido de requisição temporária para que o parque de campismo receba infetados nas propriedades.
Continua a polémica.

Esta quinta-feira, 29 de abril, o primeiro-ministro António Costa disse no anúncio sobre a nova fase de desconfinamento que Odemira está com uma grande taxa de incidência  de Covid-19 mas que, devido à sua dimensão e ao facto de esta incidência estar localizada, vai avançar no processo com exceção feita a duas freguesias.

Enquanto o resto de Odemira desconfina, São Teotónio e Longueira-Almograve vão mesmo ficar em cerca sanitária devido à elevada incidência de casos de Covid-19, sobretudo em trabalhadores da agricultura. O reconhecimento antecipado da situação de calamidade veio com um pedido de “requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional, da totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes que compõem o empreendimento Zmar Eco Experience, localizado na freguesia de Longueira-Almograve”.

Segundo o documento publicado entretanto em Diário da República e citado pela Lusa, o espaço ficará alocado à realização do “confinamento obrigatório e do isolamento profilático por pessoa a quem o mesmo tenha sido determinado”.

A pousada de Almograve vai ficar como alojamento para infetados, mas a requisição civil do Zmar para a possível colocação de infetados e indivíduos em quarentena não está a ser bem recebida pela população. O parque de campismo deverá receber quem precisa de estar em isolamento profilático, mas a decisão aprovada esta sexta-feira, 30 de abril, pela autarquia, gerou vários protestos, sobretudo dos proprietários que foram surpreendidos pela situação.

Durante a tarde, o administrador judicial do Zmar disse à “SIC Notícias” que estavam em desacordo com esta requisição civil por colocar em causa a época alta e a faturação que permitiria à empresa recuperar. “Isto é uma atividade turística e toda a gente de bom senso considera que vir passar férias a um sítio que foi um covidário não é a solução mais apelativa.”

“Isto aponta para a liquidação da empresa e para a extinção de mais de 100 postos de trabalho, além de outras consequências nefastas”, acrescentou o responsável. Como forma de contestação, já foi enviada uma carta por escrito ao ministro da Economia com todos os argumentos conta a requisição.

Nuno Silva Vieira, advogado da maior parte dos proprietários, disse que a presença de habitações e domicílios significa que ninguém pode sair das suas casas sem uma decisão judicial. “As pessoas não vão sair das suas casas para dar lugar aos doentes”, declarou. “Espero que amanhã o conselho de ministros possa garantir a estas pessoas que isto não passou de um mal entendido.”

O profissional explicou ainda que existem muitas alternativas à requisição do governo. “Não vai entrar ninguém que ponha em causa os domicílios e as propriedades das pessoas. Isto não é um hotel em que nós chegamos e de repente vamos requisitar. Aqui dentro há casas particulares, bens pessoais das pessoas.”

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