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Radar e Oxigénio sem emissão há 2 dias devido a puxadas de eletricidade ilegais em Almada

À NiT, o diretor das duas estações de rádio lamenta a falta de resposta da Câmara e os problemas recorrentes desde 2024, causados pelo bairro da Penajoia.

Desde 2024 que as rádios Radar (97.8 FM) e Oxigénio (102.6 FM) têm lidado com o mesmo problema: ficam vários dias seguidos sem emissão e há um motivo: as puxadas ilegais do bairro da Penajoia, em Almada. O aglomerado habitacional, autoconstruído e considerado ilegal, tem crescido sem planeamento nos últimos anos e afetado, sobretudo, as torres de eletricidade da região. 

“Estamos com problemas de abastecimento de energia nesse centro emissor, que fica em Almada”, começa por explicar à NiT Ricardo Guerra, diretor das duas estações. “No bairro da Penajoia eles não têm saneamento, não têm eletricidade, não têm nada e o que fazem é roubar a eletricidade mais próxima, que é a nossa.” 

O responsável explica-nos que o centro emissor das duas rádios está localizado num terreno que pertence ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e que está arrendado para as estações. O problema é que os habitantes do bairro fazem puxadas ilegais com frequência, o que, de tempos em tempos, acaba por causar um curto-circuito. 

“O cabo que abastece o nosso centro emissor, que está ali por cima do rio Tejo, está colado com esse bairro. Quando essas puxadas ilegais de eletricidade chegam a uma determinada proporção, causam um curto-circuito que derrete o cabo. Foi este o caso dessa vez e interrompeu-nos a energia.”
Como resultado, as duas rádios estão sem emissão FM desde domingo, 10 de maio, funcionando apenas com a versão online. Ricardo explica que, apesar da frustração e dos problemas atuais, a situação não é nova. Começou em 2024 e acabou por agravar-se no final do mesmo ano. 

O diretor explica que, em março de 2025, a E-REDES e a EDP chegaram a enterrar o cabo principal de eletricidade, mas a solução só resultou durante cerca de cinco meses. A meio do ano, os moradores do bairro da Penajoia terão descoberto a sua nova localização e voltaram a fazer as puxadas ilegais. 

“Mais uma vez, estamos com o mesmo problema e eles não conseguiram solucionar”, lamenta o diretor. Ricardo partilha que, só esta segunda-feira, 11 de maio, as autoridades retiraram “mais de 400 metros” de puxadas ilegais.

O problema é recorrente.

Para conseguir encontrar as ilegalidades, as autoridades precisam de fazer grandes buracos no chão. Além disso, há outro problema grave nos arredores. 

“O Hospital Garcia da Horta fica ao nosso lado, onde tem um heliporto para os helicópteros do INEM. Há também a rota de aterragem para o aeroporto de Lisboa, e a torre está sem iluminação há 48 horas”, frisa. “Portanto, neste momento, aquilo é um perigo para a aeronáutica.”

Desde que os problemas começaram, Ricardo refere que, através de advogados, tentou contactar a Câmara Municipal de Almada, mas nunca obteve resposta — o mesmo acontece com o IHRU, proprietário do terreno que arrendam. 

“As instalações da Proteção Civil de Almada ficam também em frente a este bairro. Eles viram aquilo crescer e nunca fizeram nada”, acrescenta o diretor. “Em dois anos, o bairro ficou 10 vezes maior porque as pessoas desalojadas da Trafaria e de outros sítios da Margem Sul foram todas para lá. É um caso dramático.”

A sustentabilidade dos projetos tem também sido afetada pelas puxadas ilegais. “Todos os nossos patrocinadores, anunciantes e parceiros deixam de ter o principal, que é o FM. Portanto, ficamos sem resposta”, frisa.

Obviamente afetam-nos em termos de sustentabilidade, rendimento, salários e pagamentos das próprias contas da EDP, que são caríssimas. Todas essas situações são coisas que não conseguimos manter, neste momento, porque cortam os rendimentos”, conclui.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias dos problemas enfrentados pelas duas rádios. 

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