Na cidade

Ricardo quer criar o maior percurso pedestre circular do mundo em Portugal

A ideia surgiu durante um passeio pela Serra de Aires e Candeeiros. O primeiro trilho vai ser inaugurado em julho.
Vai ter mais de 3.000 quilómetros.

Ricardo Bernardes é gerente de uma empresa de comunicação e design há 24 anos, mas o que realmente gosta de fazer nos tempos livres é explorar o melhor que Portugal tem para oferecer. Natural de Alcobaça, sempre adorou pegar no carro, quer seja com a família ou sozinho, para descobrir as diversas regiões do País.

“Portugal pode até ser pequeno, mas é enorme a nível paisagístico e das suas tradições. Em 200 quilómetros em linha reta encontramos culturas completamente distintas”, começa por contar à NiT Ricardo, de 44 anos. Foi precisamente num passeio que fez pelo Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros, há cerca de três anos, que perguntou para si: “E se isto não terminasse aqui? E se fosse possível dar a volta e regressar exatamente ao mesmo sítio?”. 

“Estava num ponto alto, com uma vista muito interessante, onde até se via o mar quando me ocorreu a ideia”, recorda. Sem saber, era o início do projeto Palmilhar, que pretende criar o maior percurso pedonal circular do mundo.

A aventura de criar um percurso que desse a volta a todo o País surgiu de forma “muito natural e espontânea”. O passo seguinte era perceber se “fazia mesmo sentido implementar as ideias” que, na sua cabeça, “eram ótimas”. “Começámos logo a falar com algumas entidades de turismo e autarquias e percebemos que o projeto despertava um interesse muito grande”, explica.

Mais do que construir um roteiro que atravessa Portugal, o objetivo era mostrar “mostrar as gentes, os costumes e as tradições do País e reduzir a sazonalidade turística em algumas regiões“. O projeto prevê a criação de um percurso circular que atravessa entre 90 a 100 concelhos, passando pelo litoral e linha de fronteira de norte a sul. O objetivo é criar um trilho de 360 graus, “uma característica ímpar no mundo”, com mais de três mil quilómetros. No final, o Palmilhar será uma “referência nacional e internacional no turismo de natureza, aventura, desporto, saúde e bem-estar”.

Ainda há muito para trabalhar, uma vez que cada etapa está a ser construída de raiz, mas o primeiro troço vai ser inaugurado já no mês de julho. O primeiro percurso a ser criado será no concelho de Alenquer, no distrito de Lisboa. O trilho terá cerca de 40 quilómetros e o destaque serão as “paisagens ligadas aos moinhos e aos vinhedos”. 

“O trajeto foi construído de raiz, apesar de passar por locais já demarcados por outros trilhos. O nosso objetivo passa também por ajudar a promover os restantes percursos do concelho”, explica o fundador do projeto.

Nos meses seguintes, está prevista a abertura de mais quatro percursos no Alentejo, três na região centro e dois em Trás-os-Montes. Até ao final do ano, o responsável espera ter 15 percursos em todo o País.

O projeto, que representa um investimento de 3,5 milhões de euros, passará sempre por terrenos públicos, exclusivamente pedestres e sem alcatrão. Até estar tudo concluído, o processo deverá levar cerca de três anos.

Por ser circular, as pessoas podem começar o trilho em qualquer local. A rota vai passar pelo litoral do País, passando por todo o Algarve até chegar junto à fronteira com Espanha, aonde voltará a fechar para o Minho. 

Além das autarquias, Ricardo pretende chamar para o projeto outras entidades culturais, desportivas e atividades económicas como a hotelaria e restauração para criar packs de experiência em cada região. Mais do que construir o maior percurso pedestre circular do mundo, o responsável “quer ir mais longe” e organizar regularmente uma série de atividades para dinamizar os concelhos envolvidos.

O Palmilhar vai, portanto, apostar na realização de eventos como caminhadas, trail, BTT, ou até mesmo experiências gastronómicas, visitas a museus ou outras atrações das regiões. Com o desejo que todos possam vivenciar a experiência, o projeto tem também um grande cuidado no sentido de oferecer, sempre que possível, etapas inclusivas e trilhos acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida.

Em breve, será lançada uma aplicação onde os utilizadores poderão aceder a todo o percurso através do telemóvel. “Desenvolvemos várias funcionalidades na app, incluindo a possibilidade de criar pacotes e experiências personalizadas para cada utilizador”, explica. Também será disponibilizado um passaporte digital e físico, que poderá ser carimbado ao longo dos diversos percursos, seguindo o modelo da EN2.

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