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Semana de 4 dias é uma “vergonha” e será “um tiro no pé”, diz diretor do grupo Pestana

Para José Theotónio, responsável executivo do conglomerado hoteleiro, manter a carga horária nas 40 horas semanais será um “desastre”.
Afinal, não agrada a todos.

A semana de trabalho de apenas quatro dias é um conceito cada vez mais popular na Europa, incluindo em Portugal. Por cá, ainda não entrou oficialmente em vigor, mas 86 por cento dos portugueses gostavam de trabalhar menos um dia, segundo os resultados de um inquérito realizado pela startup Coverflex. O Governo preparou um projeto-piloto para testar o novo modelo, porém, o plano traçado não agrada ao setor do turismo.

José Theotónio, diretor executivo do grupo Pestana, um dos maiores conglomerados hoteleiros nacionais, acredita que reduzir a semana de trabalho para quatro dias mantendo as 40 horas semanais, seria um “desastre”. Com a falta de mão-de-obra que existe no setor do turismo, o responsável considera a medida “impensável”.

“Numa indústria em que sentimos que há uma redução da qualidade do serviço, nesta fase do campeonato, passar para quatro dias [de trabalho] e manter a carga horária é um desastre, um tiro nos pés”, afirmou José Theotónio no 33.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, citado pelo “Eco”. O hoteleiro não poupou nas críticas às decisões do Governo que afetam o setor: “Depois da questão do novo aeroporto, é a segunda maior vergonha nacional”.

O projeto-piloto desenhado pelo Executivo arranca em junho de 2023. As empresas que aceitem testar o novo modelo, poderão optar por reduzir o horário semanal das 40 para as 36, 34 ou 32 horas, sem que isso implique, claro, qualquer redução salarial.

A carga horária de 36 horas levará, naturalmente, a que os trabalhadores tenham que completar nove horas diárias de trabalho, mais uma do que o habitual. Para que a jornada se mantenha inalterada, seria necessário baixar para as 32 horas semanais. Segundo o projeto, tudo será decidido “por acordo entre a gestão e os trabalhadores”.

O teste irá decorrer em empresas privadas, que não receberão ajudas financeiras do Estado, apenas apoio logístico à transição para o novo modelo. As participantes serão escolhidas em fevereiro e o projeto terá a duração de seis meses, uma decisão que é “voluntária e reversível”.

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