Lisboa tem cada vez mais espaços híbridos, mas poucos funcionam como uma verdadeira casa aberta. O Studio Plantasia, inaugurado em fevereiro no Rato, quer ser exatamente isso: um lugar onde as pessoas entram, circulam e se encontram: sem portas nem barreiras.
Por detrás do projeto está Patrícia Santos, 43 anos, chef e criadora do espaço. Estudou comunicação cultural e trabalhou vários anos na área da cultura e ativação de marcas, sempre com um estilo de vida pouco convencional. “Trabalhava no inverno e no verão ia viajar. Sempre tive essa necessidade de sair e conhecer o mundo”, conta à NiT.
Essa vontade levou-a a trabalhar com Vhils, onde acabou por assumir a comunicação de vários projetos, incluindo o festival Iminente. Foram quatro anos intensos, mas também decisivos. “Foi uma experiência incrível, mas comecei a sentir que estava demasiado presa. Precisava de voltar a viajar”.
E foi isso que fez. Passou por vários países, estudou ioga e mergulhou em culturas diferentes: sempre à procura de sabores, pessoas e histórias. “Andava sempre à procura de ingredientes, de cheiros, de tudo o que pudesse trazer comigo”.
O regresso aconteceu no final de 2023. No ano seguinte, nasce o embrião do projeto: primeiro como conceito gastronómico, depois como espaço físico. “O Plantasia começou com a comida. Peguei em tudo o que aprendi nas viagens e quis partilhar isso com outras pessoas”, recorda.
A necessidade de uma cozinha levou-a a procurar um espaço maior e encontrou-o. Com cerca de 300 metros quadrados, o Studio Plantasia tornou-se mais do que um simples estúdio. “Queria um sítio onde pudesse juntar pessoas à volta da mesa, mas também muito mais do que isso.”

Um espaço multidisciplinar
Hoje, é um espaço multidisciplinar onde cabem quase todas as ideias. A programação cruza gastronomia, arte, cultura, movimento e conversas contemporâneas, com workshops, concertos, experiências imersivas e eventos privados.
Mas há um detalhe que define o espaço: não tem portas. “É como uma casa. As divisões ligam-se umas às outras e as pessoas vão passando, circulando. Era isso que queria criar: um lugar de encontro”, diz. E é precisamente isso que tem acontecido.
Desde a abertura, a 7 de fevereiro, o estúdio já recebeu de tudo um pouco: mercados de designers independentes, jantares temáticos, workshops, encontros de mulheres empreendedoras, aulas de boxe, concertos e até experiências mais inesperadas.
Uma das mais curiosas é o chamado spa musical. “As pessoas entram, vão para uma sala de lounge, há uma viagem musical com DJ e temos pessoas (a que chamamos de ‘fadas’) a fazer massagens, com penas e incensos”, explica.
A comida continua no centro de tudo, mas raramente aparece sozinha. “Gosto mais de colaborar do que fazer coisas sozinha. Este espaço é para cruzar pessoas — artistas, cozinheiros, criativos”.
Essa lógica vai continuar nos próximos meses. Um dos próximos eventos junta música e gastronomia com Tiago Bettencourt a 16 e 17 de abril. “Vai ser uma viagem pelas viagens dele e pelas minhas. Ele toca as músicas que foi aprendendo e eu cozinho os pratos dos sítios por onde passei.”
O objetivo é simples, mas ambicioso: criar comunidade. “Tudo cabe aqui dentro. Quero que as pessoas sintam que podem entrar como se estivessem em casa.”
Num momento em que muitos espaços tentam definir-se por categorias, o Studio Plantasia faz o contrário: mistura tudo. E talvez seja precisamente por isso que está a tornar-se um dos sítios mais interessantes da cidade. Os preços do espaço variam consoante os eventos que por lá decorrem.
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