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Taguspark reage a polémica sobre busto do cosmonauta Yuri Gagarin em Oeiras

A homenagem ao primeiro cosmonauta tem uma imagem associada ao comunismo. As críticas não se fizeram esperar.
Imagem da CM Oeiras.

“Despropositado”, uma “vergonha”, “falta de tato”, “brincadeira”. Estes são alguns dos adjetivos publicados nas redes sociais — muitos deles, nas plataformas da própria Câmara de Oeiras — em reação ao busto de homenagem ao cosmonauta Yuri Gagarin, o primeiro humano a viajar pelo espaço.

A cerimónia da inauguração, que decorreu no passado domingo, 17 de outubro, contou com a presença do Vereador Nuno Neto, do Embaixador da Federação da Rússia, Mikhail L. Kamynin e do CEO do Taguspark, Eduardo Correia. O busto, em bronze, é da autoria de A. D. Leónov, oferecido pela Fundação Internacional de Caridade ‘O Diálogo das Culturas – O Mundo Unido’ e pela Embaixada da Federação da Rússia em Portugal. A estátua serve de homenagem ao 60.º aniversário do primeiro voo espacial tripulado por um ser humano e faz agora parte do acervo do MAU —Museu de Arte Urbana, em desenvolvimento no Taguspark. 

Mas não é o busto em si que muitas pessoas estão a criticar; e sim o seu suporte, com uma imagem associada ao comunismo, em forte destaque. 

Já no passado mês de setembro, quando o busto foi revelado — e ainda antes desta inauguração oficial —, o Taguspark explicava, citado pela “New in Oeiras”, a sua decisão. 

“Esta obra de arte, que muito nos orgulha pelo seu significado histórico e cultural, é uma homenagem ao primeiro ser humano no espaço e a este acontecimento marcante. Por esse motivo, e porque a História deve ser respeitada, decidimos incluir a bandeira da URSS junto ao busto de Yuri Gagarin e do foguetão Vostok 1. Numa época em que muitos querem apagar factos da história, no Taguspark, damos claros sinais do respeito pela preservação da história, para que através dela possamos aprender e contribuir para um mundo melhor. É o respeito pelo rigor da história que nos levou a colocar no museu de arte urbana, nesta peça, o logotipo internacionalmente reconhecido como o símbolo do comunismo”, dizia então Eduardo Baptista Correia, CEO do Taguspark.

No entanto, foi depois da inauguração oficial do passado domingo que surgiram as críticas mais fortes, pelo que a NiT questionou novamente o Taguspark sobre esta escolha. Em resposta, o gabinete de comunicação deste hub empresarial começa por explicar que o MAU (Museu de Arte Urbana) é um espaço que reúne cultura e história e está “em pleno desenvolvimento” no Taguspark.

Esta nova peça, o busto de Yuri Gagarin, é, adianta a entidade, a mais recente no MAU, juntando-se ao busto de Nelson Mandela, da autoria de Clo Bourgard, ao Esquilo, de Bordalo II, aos murais grafitados nas garagens que celebram diferentes conceitos como os Descobrimentos ou Sophia de Mello Breyner Andresen, “entre outras obras de vários artistas portugueses”. A mesma fonte acrescenta ser o “objetivo do Taguspark ter um museu disruptivo, arrojado e urbano, que encarne os valores que a Cidade do Conhecimento pretende transmitir para a comunidade.

Sobre a obra do busto “que tem motivado alguns comentários”, o Taguspark diz que é importante em primeiro lugar “sublinhar que a obra tem como objetivo homenagear o primeiro cosmonauta na história da humanidade, Yuri Gagarin”; e que “o próprio Taguspark – Cidade do Conhecimento tem uma ligação ao tema por estar num ecossistema com empresas dedicadas à aeronáutica”.

Além disso, a peça, relembra a mesma fonte, é composta pelo busto do cosmonauta, ao lado do foguetão Vostok 1. O busto foi uma oferta da Fundação Internacional de Caridade “O Diálogo das Culturas – O Mundo Unido” e da Embaixada da Federação Russa em Portugal, ao Município de Oeiras, frisa.

“O Museu de Arte Urbana do Taguspark aceitou receber este busto oferecido ao Município e, por iniciativa própria, integrou-o numa obra composta pelo foguetão Vostok 1 e com um suporte que inclui o símbolo associado ao comunismo (a foice e o martelo) que é, também, a bandeira da antiga URSS”, diz o Taguspark.

E reitera: “O MAU respeita assim a história, uma vez que a mesma não pode ser alterada, motivo pelo qual o feito do primeiro Homem no espaço tem de estar contextualizado com a missão espacial da URSS, um regime comunista que existiu no século XX”.

Finalmente, a entidade adianta que a obra do busto do cosmonauta Yuri Gagarin exposta no Museu de Arte Urbana do Taguspark conta inclusivamente com sinalética onde é possível ao visitante aceder a um QR Code, para obter mais informações sobre a história e assim perceber que a obra preserva o rigor da história, revelando este logotipo internacionalmente reconhecido como o símbolo do comunismo. Esta referência está, portanto, “integrada num projeto de partilha de conhecimento através da arte que é o Museu de Arte Urbana do Taguspark, tal como acontece em inúmeros projetos culturais nacionais e internacionais”.

 

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