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Tomás criou um “guia oficial” dos Santos Populares com todos os bailaricos

O objetivo da platatorma é dar visibilidade a artistas locais. Uma das funcionalidades é um tracker para encontrar amigos nos arraiais mais movimentados.

O sentimento acompanha-o durante o ano inteiro, mas é especialmente em junho que Tomás Prudente mais gosta de “ser um turista no próprio País”. “Gosto desta vida bairrista e a energia dos Santos Populares é algo que só acontece neste mês. Quem já foi, sabe exatamente como é”, explica à NiT.

No entanto, o lisboeta de 34 anos deparava-se com o mesmo problema que muitos outros moradores da cidade. Entre publicações em diferentes redes sociais ou cartazes espalhados pelas ruas, a informação encontra-se dispersa, já que, muitas vezes, “não há estruturas oficiais a comunicar” estes eventos.

Para que as pessoas tivessem a informação completa num só sítio, ao mesmo tempo que se dá visibilidade aos artistas locais, Tomás criou uma nova plataforma disponível desde 28 de maio. É descrito como “o guia oficial para os melhores arraiais, sardinhadas e bailaricos” para descobrir “onde a festa nunca acaba”.

Atualmente, o site já conta com 316 eventos distribuídos por 33 bairros da capital, incluindo os do arraial promovido pela NiT. O site, que está organizado por dias, de 1 a 30 de junho, foi terminado em pouco mais de duas semanas, algo que o responsável garante que só foi possível graças ao recurso a ferramentas de inteligência artificial.

O foco está precisamente nas atuações musicais. “Pelos bairros todos, encontra-se gente com muita qualidade do ponto de vista musical. Há muita riqueza escondida”, confessa. “A ideia é trazer as pessoas para a rua de forma simples e encontrarem também estes artistas mais típicos.”

Algumas das funcionalidades.

À NiT, Tomás explica que houve um momento específico em que mais sentiu isso, quando encontrou um casal na Madragoa há cerca de dois anos, ambos professores. “Este ano, na primeira noite em que passei por lá, por coincidência, reencontrei-os. Cantam lindamente e animam imenso as ruas.”  

Este destaque à componente musical não é uma coincidência. Apesar da formação em engenharia de telecomunicações e informática, no ISCTE, e do background profissional como programador — ambos cruciais para este projeto, nascido apenas da sua paixão pela época — teve aulas de guitarra clássica durante três anos “e um ouvido treinado” para reconhecer um bom entertainer.

Todas as funcionalidades

A ideia estava guardada na gaveta há dois anos. A epifania deu-se após uma viagem ao Brasil, durante o Carnaval. “É o melhor povo em termos de marketing, porque parece que já nascem com o mestrado integrado. Havia uma grande quantidade de eventos e tinham toda a logística tão bem montada.”

Quando voltou, começou a implementar o plano, mas acabou por ficar em stand-by. Até que este ano, já “em cima do acontecimento”, percebeu que tinha mesmo de lançar o guia, que usou para experimentar novas ferramentas de tecnologia. Todas foram pensadas para facilitar a experiência dos utilizadores.

Na aplicação ou no site, pode fazer um registo para adicionar os seus arraiais favoritos e ver a agenda completa, por dia ou por bairro. No caso do fundador, admite que costuma selecionar os mais históricos, como Alfama, Bica, Mouraria ou Madragoa, sobretudo durante a semana, quando estão menos movimentados, mas igualmente animados.

Além disso, há um mapa interativo que introduz duas funcionalidades. O botão “cheguei” permite alertar quando a pessoa chega ao arraial, para avisar os amigos adicionados em que arraial está, e um radar de amigos através do qual, com a localização ativa, grupos podem fazer tracking um dos outros, resolvendo o típico problema nos dias mais movimentados.

Tudo isto começou com uma versão piloto, apenas para amigos, que cresceu graças a um “one man show”, como descreve o programador. “Faço o desenvolvimento, carrego tudo e faço a comunicação. Tem sido um desafio”, mas sente que é recompensador graças ao feedback recebido. “Através do passa-palavra, já apanho pessoas nos arraiais a dizer que conhecem.”

A aplicação está ainda pronta para lançar notificações, embora o foco esteja em colocar os cartazes de que faltam até ao fim dos Santos Populares de 2026. “Tenho falado com alguns bairros ou Juntas de Freguesia para os ajudar nesse sentido.”

Um dos maiores objetivos da aplicação é também ajudar as organizações nessa gestão. No site, há um banner que convida os representantes dos bairros a entrar em contacto com o guia e poderem introduzir os seus eventos, sejam ou não musicais. “Além do utilizador final, mas também eles podem beneficiar disto.”

Este é, contudo, apenas um primeiro passo para um guia ainda mais alargado. Finda a época dos Santos Populares, Tomás quer fazer uma versão 2.0 “que dá vida ao bairro durante o ano inteiro e não apenas em junho”, seja através de uma exposição de arte ou programas de atividade física. “Pode haver vida bairrista fora dos Santos.”

Carregue na galeria para conhecer também a seleção da NiT com 12 dos maiores arraiais que decorrem em Lisboa nas próximas semanas.

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