Na cidade

Tribunal Constitucional abre pela primeira vez ao público para visitas este fim de semana

Acontece no âmbito da 11.ª do Open House Lisboa que dá a conhecer edifícios lisboetas “habitualmente inacessíveis”.
É uma oportunidade única.

Lisboa, a cidade das sete colinas, é muito mais do que praias, jardins e miradouros com vistas incríveis. É também a casa de edifícios cheios de história e com muito para contar.

A correria do dia a dia nas deslocações pela cidade nem sempre nos deixa observar o que está mesmo à frente dos nossos olhos, mas não conseguimos ver. Não há tempo para parar um minuto e apreciar a beleza e o detalhe dos edifícios pelos quais passamos todos os dias. Não são invisíveis, mas é quase como se fossem. Na 11.ª do Open House Lisboa, que decorre já este fim de semana, 14 e 15 de maio, são dados a conhecer alguns dos melhores exemplos da arquitetura lisboeta “habitualmente inacessíveis ao olhar do público”.

O evento chegou à capital em 2012 e, este ano, celebra dez anos desde a sua primeira edição. Através de um roteiro novo todos os anos, mostra vários espaços da capital, dos privados aos públicos, contemporâneos ou históricos,.

“O Open House é um conceito internacional que surgiu em Londres em 1992 e há 30 anos começou a expandir-se por várias cidades. Chegou a Lisboa em 2012 e, desde 2017, decidimos convidar uma equipa de comissariado externa para se juntar à equipa trienal e sentimos uma evolução enorme”, conta Carolina Vicente, produtora do evento.

Esta 11.ª edição é comissariada pelo atelier Aurora Arquitetos, fundado por Sérgio Antunes e Sofia Couto em 2010, no pico da crise económica. Dedicados sobretudo à reabilitação urbana, muitos dos seus edifícios já tinham sido escolhidos como locais a visitar em edições anteriores. 

Este ano, coube-lhes a tarefa de selecionar os 69 espaços disponíveis para visita, em Lisboa e Almada, sendo que alguns deles abrem pela primeira vez ao público. Com o tema “A Rebeldia dos Invisíveis”, escolhido a dedo pelos comissários do evento, os ícones arquitetónicos e as ruas ditas banais vão estar em destaque no próximo fim de semana. 

“Tivemos de fazer a seleção e encontrar um critério de escolha. Tivemos esta ideia porque o nosso trabalho de arquitetura tem sido sempre de reabilitação, sobretudo em edifícios correntes, que são uma espécie de fundo na cidade. Passamos pelos edifícios e não damos por eles e fomos observando que, de facto, os edifícios por dentro são muito diferentes do que se vê por fora”, explica à NiS Sérgio Antunes, do gabinete Aurora Arquitectos. 

O exterior dos edifícios que está à vista de todos está limitado “pelas normas urbanísticas para preservação da identidade coletiva”, enquanto que os interiores, do domínio privado, são quase como um “património invisível que evolui de forma mais livre”. É precisamente esse contraste que vai poder observar durante o evento, que funciona como um programa de visitas ao longo do fim de semana. 

O objetivo desta iniciativa é promover a “democratização e o acesso generalizado das pessoas à arquitetura” — e não há melhor maneira de o atingir do que abrir espaços que nunca estão abertos. 

“Alguns deles vão ser abertos pela primeira vez ao público, são edifícios que podem ser privados e desconhecidos, como casas particulares ou até mesmo o Tribunal Constitucional, um antigo palácio que foi adaptado à função de tribunal”, revela. Apesar do seu caráter público, não existem muitos lugares em Lisboa que sejam tão privados como o Tribunal Constitucional, que vai ser aberto ao público pela primeira vez.

É a oportunidade perfeita para descobrir o que se esconde por trás das portas do único tribunal português cujas decisões são definitivas e inapeláveis. Segundo o comissário, na visita ao edifício os guias vão explicar a história de várias processos que ali decorrem, como o sorteio dos partidos nos boletins de voto, as votações sobre constitucionalidade das leis onde só podem estar os 13 juízes, a maneira sempre igual como se sentam à mesa ou a forma como todas as portas têm que estar fechadas. 

O palácio que alberga o tribunal constitucional desde 1982, na rua de O Século, foi originalmente residência da família Ratton, que o construiu no local onde tinha adquirido uma fábrica de chapéus e os edifícios contíguos.

O interior do edifício contém marcas da ocupação inicial cruzadas com a função atual e “os espaços carregam símbolos do seu uso, como a sala de sessões onde o tribunal reúne e delibera, ou a sala de actos, dominada pela tapeçaria de Eduardo Batarda, pano de fundo para a leitura de acórdão e a face mais pública deste instituição — mil vezes televisionada, presenciada por muito poucos”.

O Tribunal Constitucional.

Além do Tribunal Constitucional, pode conhecer espaços como a Sinagoga Shaare Tikvah, o Palácio Verride, a Biblioteca de Alcântara, o Convento dos Cardaes ou a Casa dos Gessos, do Museu Militar de Lisboa.

O roteiro inclui várias tipologias de espaços, cada um com diferentes usos e funções. Além das visitas ao interior dos edifícios, o programa inclui percursos urbanos a pé acompanhados por especialistas e passeios sonoros orientados por narrações. Estes últimos pode fazê-los a qualquer momento, basta descarregar o roteiro para o telemóvel.

“A par da abertura dos espaços, temos um programa Júnior, destinado a famílias, outro de visitas acessíveis e duas visitas dedicadas a pessoas surdas. Queremos tornar o Open House um evento mais inclusivo”, revela a produtora. 

Todas as visitas são gratuitas, sendo que 22 dos espaços necessitam de reserva prévia. Podem ser livres, acompanhadas por especialista ou pelo voluntariado do evento. Os espaços e horários disponíveis podem ser consultados no site. 

O evento é organizado pela Trienal de Arquitectura de Lisboa desde 2012, uma organização sem fins lucrativos com a missão de investigar, dinamizar e promover o pensamento e a prática da arquitetura. Desde 2015, o evento é feito em parceria com a EGEAC — Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural.

De seguida, carregue na galeria para conhecer alguns dos espaços que pode visitar este fim de semana. 

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