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Troca dos materiais do cabo poderá ter levado ao acidente do Elevador da Glória

A mudança, que aconteceu há seis anos, deveria ter sido acompanhada por uma alteração do sistema, segundo especialistas.

O primeiro relatório oficial sobre a causa que levou à tragédia do Elevador da Glória, ocorrida a 3 de setembro — e que provocou a morte de 16 pessoas e mais de 20 feridos —, confirmou que o acidente se deveu à cedência do cabo que unia as duas cabines. Além da informação, avançada a 6 de setembro, surgem agora mais detalhes sobre o caso.

De acordo com algumas pistas presentes no relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a mudança do tipo de materiais que compõem o cabo utilizado no ascensor, feita há seis anos, poderá ter contribuído acidente, segundo o jornal “Expresso.” 

A alteração de um cabo totalmente feito de aço para um cabo formado por seis cordões de aço com núcleo de fibra é apontada como a origem do acidente. “Existiu efetivamente a troca do cabo que era de aço e passou a ser um de alma de fibra, mudando o interior para uma rigidez muito inferior, o que implica uma mudança de sistema”, explicou Pedro Amaral, engenheiro de materiais, àquele meio.

Apesar da mudança, o sistema de fixação ao elevador manteve-se e, com o tempo, o cabo terá perdido resistência (relativa à forma como é apertado num torno, típica daqueles veículos), além de ter sido afetado pelo calor, pela vibração e pela deformação do material, como engenheiros do Instituto Superior Técnico explicaram ao “Expresso”.

Os especialistas partilham que a Carris deveria ter testado o novo sistema de amarração logo após as alterações. No entanto, tudo indica que isso não foi feito pela empresa. Foram também apontadas falhas nos travões, que, sem o cabo, não têm capacidade para imobilizar as cabinas em movimento.

“Se assim é, trata-se de uma falha de conceção grave ninguém ter percebido que o sistema de travagem afinal não tinha capacidade para aguentar com o ascensor se o cabo se partisse. Choca-me muito”, referiu Fernando Branco, professor catedrático de engenharia civil do Instituto Superior Técnico (IST).

É também apontada outra possível causa para a falha dos travões, que foi perceptível a partir das imagens do dia do acidente: nessas, os trabalhadores são vistos com óleo nas luvas ao retirarem o cabo da calha. “Haver óleo é uma hipótese que reduziria a capacidade de travagem contra as paredes da calha, mas o relatório não refere esse aspeto”, acrescentou Fernando Branco.

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