Na cidade

Um dos maiores tesouros do rio Tejo (que poucos conhecem)

Isabel Saldanha é a embaixadora do projeto "Aveleda Acompanha", uma crónica que o leva a conhecer vários recantos do País.
Acompanhe os detalhes deste roteiro.

Apaixonada por gastronomia, fotografia e por ter os melhores vinhos à mesa, Isabel Saldanha é a viajante do projeto “Aveleda Acompanha“, um roteiro que lhe mostra alguns dos melhores segredos de Portugal. Depois das viagens por Tavira e Costa Vicentina, desta vez a influencer esteve entre a Beira Baixa e o Alto Alentejo para revelar algumas surpresas inesperadas.

A distância em linha reta entre Vila Velha de Rodão (Castelo Branco) e Nisa (Portalegre) é de 15,30 quilómetros. Começamos a nossa viagem nesta vila Raiana. Que raiana é nome do que raia a fronteira, quase que a toca, quase que é Espanha, mas este pedaço de história, feita vila pequena é nossa, toda nossa, deste encantador Alentejo, deste nosso Portugal.

Avancemos então, sem pressas na calçada vermelha desta terra famosa pelos queijos. Calquemos esta ruazinha em serpentina sobre o chão de olaria pedrada, deixem-se levar até encontrar a fonte. Onde se enche de água estes potes de artesão, que agora seguram flores e fazem de luz nas paredes.

Recordemos as histórias dos que cá moraram porque na rua há sempre alguém com um raminho de coentros e hortelã, disposto a contar a história das gentes, ao lado das fotografias que decoram as paredes.

E para ver Espanha e olival é subir ao castelo, olhar de lado a igreja, as casas coladas, os telhados escaldados do sol e o campo que parece que nunca acaba de se desenhar. Ao descer pode aviar uns queijos premiados, conhecer os artesãos, comprar pão quente para os trilhos e para os passeios de barco.

Seguir daqui para a Vila Velha de Ródão para ver o rio Tejo fintar montanhas e os grifos a fazer ninho nas escarpas, sobrevoando os barcos que passam numa coreografia em espiral. E levar um vinho fresquinho, porque aqui faz calor e o passeio não demora tanto, como a vontade que temos que se prolongue.

Sou fã de passeios de barco, não sou messias, mas o que adoro sobrevoar as águas. Rendo-me em absoluto aos piqueniques nas margens do rio, e aqui o Tejo é verde escuro e tem ilhas de pescadores e fontes de virtudes.

Enquanto passeia, vê o comboio a atravessar a ponte, os grifos a voar e uma imensa colónia de aves (são 116 espécies) e fica com inveja, porque lá de cima deve ser uma vertigem espetacular. À sua direita fica a torre do castelo visigodo do Rei Wamba, lendas e lendas e outra história de amor.

As margens também falam em arte rupestre e são mais de 20 mil gravuras em espólio. Se isto não merece um brinde? Encha o copo, se faz favor.

Quando acaba o passeio, dá-lhe a fome. Aproveite e vá para Portalegre, pelas nacionais, que estas estradas do alto Alentejo, são uma perdição, pasto para o gado e para os olhos.

Chegados a Portalegre, o buffet gastronómico é vasto, avancemos para o Tomba Lombos, com uns pezinhos de coentrada com pão frito, e depois umas costeletas de cabrito, uma corvina e todas as sobremesas que o Apolónio conseguir trazer (o preço varia entre os 20€ e os 40€).

Nessa noite, vai dormir de barriga para cima a ouvir Cantares Alentejanos e a sonhar que atravessa um rio feito de açorda de pão e coentros com ilhas de ovos escalfados.

Pernoite de novo na vila velha de Rodão, há silêncio por todo o lado, respire p Tejo outra vez e quando acordar regalado, arranque para outras portas, que aqui a casa não foi feita só de janelas para arejar.

Vá até às Portas do Almourão para fazer um trilho na foz do cobrão. A água desce, o sol sobe, a sede também. Mergulhe no penedo dos cágados. Continuo surpreendida com a singularidade de cada um destes lugares. Como é bonita esta pedra maciça no meio do rio.

Tudo acaba na Sertã, no restaurante da Ponte Romana, a comer chanfana e maranhos, com doses gigantes de batatas fritas caseiras e agradecer à gastronomia local por não fazerem da sazonalidade uma salada. Neste caso, o intervalo de preços vai de 6€ a 10€.

E a partir daqui, é consigo: subir, descer ou deixar-se ficar na horizontal. O mal da vida moderna é o pouco que tem para se contemplar.

Acompanhem-me devagarinho, depois de acordar.

Carregue na galeria para conhecer mais alguns detalhes sobre este roteiro “Aveleda Acompanha“, preparado por Isabel Saldanha.

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Este artigo foi escrito em parceria com a Aveleda.

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