Na cidade

Um dos primeiros parques aquáticos do País fica no Alentejo. Está abandonado há 34 anos

Foi inaugurado em 1989 e só durou três anos. Nas últimas décadas, três incêndios deflagraram nas instalações.

Três anos depois da abertura do Slide & Splash, o primeiro parque aquático de Portugal que ainda hoje funciona, o País ganhou um outro espaço de diversões na água. Também no sul, a cinco quilómetros de Beja, um novo recinto com escorregas e piscinas foi inaugurado em 1989. Mas não durou muito tempo. 

O parque aquático alentejano foi encerrado, três anos depois, e nunca mais voltou a abrir. Este verão, Vasco Alves, criador de conteúdos de 23 anos, decidiu visitar o que ainda resta do espaço para mostrar o estado atual da propriedade.

“É completamente surreal”, conta à NiT. “Tem piscinas, escorregas, tubos, bombas e outras estruturas que continuam lá, mas tudo ficou parado no tempo. Há ainda muitas marcas dos incêndios que aconteceram ao longo dos anos, com várias estruturas queimadas.” 

O complexo, com cerca de 15 mil metros quadrados, foi construído numa altura em que os parques aquáticos começaram a ganhar popularidade em Portugal. Contava com três piscinas e um grande escorrega para todas as idades, além de edifícios menores de apoio. 

No entanto, a popularidade não foi suficiente para manter o parque aberto. As portas fecharam em 1992, apenas três anos depois da abertura. Na altura, as notícias apontavam para a falta de clientes, o que impossibilitava a manutenção dos equipamentos, sendo assim um projeto destinado a falir. 

“O mais impressionante é perceber que praticamente ninguém se deu ao trabalho de retirar os equipamentos de lá”, aponta Vasco. “Um parque aquático inteiro ficou ali abandonado durante décadas.”

 
 
 
 
 
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Durante quase 20 anos, o parque caiu no esquecimento, até 2014 voltar a dar que falar. Nesta altura, um incêndio deflagrou numa das dependências do recinto, mas acabou por ser facilmente controlado. Mais tarde, em 2020, o mesmo aconteceu, mas desta vez foi preciso chamar as autoridades.

Naquele ano, um incêndio rural atingiu o escorrega do complexo e mobilizou 24 operacionais dos bombeiros de Beja e da Guarda Nacional Republicana (GNR), apoiados por 24 viaturas, segundo uma notícia do “Jornal de Notícias” da altura. 

Pouco mais de um ano depois, em 2021, o mesmo voltou a acontecer. Desta vez, o terceiro incêndio desde o abandono aconteceu após o fogo ter chegado aos antigos tubos de gás de plástico, que estavam ressequidos e arderam com facilidade. 

Nesta altura, as autoridades partilharam um comunicado a referir que o proprietário “já tinha sido notificado diversas vezes pelo Tribunal e pela Câmara de Beja para desmontar a estrutura face ao perigo que constitui para a população” da região. Até à data, porém, as estruturas continuam na propriedade. 

Vasco refere que o acesso até ao complexo não é fácil. O parque fica localizado nos arredores de algumas aldeias alentejanas e é pouco conhecido por pessoas de fora. “Isso tornou a experiência ainda mais especial”, sublinha o criador de conteúdos. “Além disso, o local continua a ter proprietário, por isso não é um espaço aberto ao público.”

Leia também o artigo da NiT sobre o parque aquático abandonado no Algarve que vai ganhar uma nova vida.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do parque aquático abandonado.

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