Na cidade

Vai ser possível visitar as novas descobertas arqueológicas de Tróia

Vai ter um dia específico para visitar e terá de fazer reserva antes, para garantir lugar. Mas vai valer a pena.
Uma oportunidade única.

Talvez não saiba ainda mas os trabalhos de escavação arqueológica nas Ruínas Romanas de Tróia, iniciados em abril deste ano, têm revelado inúmeras e surpreendentes descobertas e estão permitir um melhor enquadramento do desenvolvimento turístico relativo ao património histórico da área. O dia 24 de setembro, em plena comemoração das Jornadas Europeias do Património, foi a data escolhida para um Dia Aberto às escavações arqueológicas, uma oportunidade única de conhecer melhor in loco as novas descobertas.

As arqueólogas responsáveis pelas escavações acreditam ter descoberto uma hospedaria do século XVII onde as pessoas pernoitavam quando vinham à Festa de Nossa Senhora da Tróia ou quando aguardavam a passagem de barco para Setúbal. As escavações permitiram também descobrir uma área de calçada, provavelmente do século XVIII, que seria um espaço público diante da hospedaria.

“Todos estes resultados são ainda preliminares”, explica Inês Vaz Pinto, a responsável pelo projeto de valorização das Ruínas Romanas de Troia. “Mas parecem”, adianta, “cada vez mais demonstrar que esta área teve uma ocupação muito mais longa e dinâmica do que até agora se pensava. E a intensidade desta ocupação pode muito bem ter que ver com o culto em torno da Capela da Nossa Senhora do Rosário de Troia.”

A capela, que já existia no século XV, é adjacente à igreja romana, dos séculos IV-V, e as escavações vêm, mais uma vez, demonstrar a forte ligação entre o passado e o presente da ocupação desta área da península.

As descobertas continuam agora na área a sul da Capela de Nossa Senhora do Rosário de Troia, onde os vestígios demonstram uma ocupação romana muito intensa, e comprovam que esta capela foi construída propositadamente numa área já sacralizada que perdurou no imaginário popular. «Estamos a escavar uma zona de cemitério romano, possivelmente cristão. Pensamos que as sepulturas sejam cristãs porque os esqueletos são encontrados sem qualquer espólio e voltados para Nascente. Mas ainda há muito por perceber», refere Inês Vaz Pinto.

Sob este cemitério, há vestígios de uma possível domus — casa romana — mais antiga, demonstrando a sobreposição de diferentes fases e tipos de ocupação, e o quanto há ainda por descobrir sobre este monumento nacional.

Após finalizados os trabalhos de escavação, prevê-se a construção de um novo acesso à Capela de Nossa Senhora do Rosário de Troia, sobrelevado, que permita o acesso a visitantes e devotos, dando a conhecer a história que estará na origem deste culto que tamanha devoção tem ainda nos dias que correm.

No dia 24, vai pode descobrir isto tudo e muito mais. As visitas terão um número limitado de participações, pelo que requerem inscrição, através do email arqueologia@nulltroiaresort.pt. Cumprindo-se as recomendações da DGS, será possível inscrever-se nos seguintes horários: 11h; 11h30; 14h30; 15h e 16h.

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