Na cidade

Visitas às Berlengas vão ter regras (ainda) mais restritas a partir desta quarta-feira

Além do pagamento da taxa turística de 3€, a partir de 1 de junho terá de obter autorização através plataforma Berlengas-Pass.
Há um limite diário de 550 visitantes em simultâneo.

Os destinos turísticos mais concorridos, sobretudo no verão, começaram a apostar na cobrança de uma taxa aos visitantes. O fenómeno acontece um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. A NiT já tinha anunciado que as Berlengas impõem aos turistas o pagamento de um valor que entrou em vigor a 1 de abril, sexta-feira.

Além do pagamento da taxa turística de 3€, os visitantes das ilhas ao largo de Peniche, terão de fazer um registo online através da plataforma Berlenga-Pass, que entra em funcionamento já a partir do dia 1 de junho, quarta-feira. A notícia foi avançada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“Com vista a garantir a preservação da Reserva Natural das Berlengas, a partir de 1 Junho de 2022 será necessário obter permissão de acesso à área terrestre da ilha da Berlenga”, informou em nota de imprensa. 

O pagamento da taxa é feito no momento do registo prévio para o acesso e permanência na ilha. Os visitantes entre os seis e os 18 anos, e maiores de 65 anos, pagam apenas metade do valor.

A Berlenga Grande tem um limite diário condicionado a 550 visitantes em simultâneo, devido à sua pequena dimensão e necessidade de preservar as suas espécies e habitats. O número não inclui agentes das autoridades no âmbito de intervenções relativas à segurança pública e outros.

O dinheiro das receitas será utilizado para fazer obras de saneamento, gestão de resíduos e de abastecimento de água de uso público e na implementação de alternativas de fornecimento de energia elétrica sustentável e em melhorias das infraestruturas existentes no cais do Carreiro do Mosteiro.

A NiT já lhe contou tudo sobre as Berlengas: são reserva natural há décadas, devido à sua importância enquanto ecossistema insular, o valor biológico da área marinha, o seu elevado interesse botânico, o papel da ilha em termos de avifauna marinha e a “presença de interessante património arqueológico subaquático”. O arquipélago foi também classificado como Zona de Proteção Especial para as Aves Selvagens em 1999.

Certo é que, no verão, mais de mil turistas chegavam a visitar a ilha diariamente, que é também Reserva da Biosfera da UNESCO (desde 2011): mais de 43 mil visitas no total em média, a cada verão. Durante anos, a situação esteve, por isso, descontrolada quer quanto à preservação da biodiversidade, como à experiência dos visitantes. Desde 2014 que tem sido feito um esforço para inverter esta tendência.

Como ir, onde ficar e o que ver

Se quiser visitar as Berlengas, basta chegar a Peniche (o acesso mais fácil é pela A8), procurar o Cais de Embarque e apanhar o barco para a Berlenga Grande. É aconselhável reservar a viagem, sobretudo no verão, e pode fazê-lo através da Viamar — não é a única empresa a fazer o trajeto, mas é a mais concorrida. A viagem é de cerca de 10 quilómetros, ou seis milhas náuticas.

Para dormir, tem normalmente três opções: o Hotel Forte de São João Baptista, que fica precisamente no forte e agora é gerido pela Associação Amigos da Berlenga. Tem também a Pensão Pavilhão Mar e Sol, que pertence ao Restaurante Mar e Sol; e o Parque de Campismo das Berlengas (reservas para campismo.berlenga@nullcm-peniche.pt, e é melhor reservar pois está sempre cheio).

Convém lembrar que não precisa de pernoitar por lá — existem muitas excursões de um dia a partir de Peniche, onde as opções de alojamento são vastas, ou pode simplesmente comprar bilhete de ida e volta.

Para visitar, tem a Fortaleza de São João Batista, o farol do Duque de Bragança ou farol da Berlenga, construído em 1840 e as praias: a Praia do Carreiro do Mosteiro, a maior, e as mais pequenas, a Praia do Forte ou a Praia Cova do Sonho. Tem ainda trilhos, caminhadas, pode espreitar o Centro de Visitantes e tem excursões de barco às grutas: a Gruta da Lagosteira, a Gruta da Flandres, da Inês, do Brandal, Gruta Azul e Gruta Muxinga.

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