Na cidade

Casas em Aspen eram muito caras para os trabalhadores — mas as tiny homes resolveram

As pequenas acomodações foram a resposta perfeita ao problema, numa das regiões de ski mais caras do mundo.
Lá encontram tudo o que precisam.

Aspen, no Colorado, é uma das regiões de ski mais caras do mundo, onde os bilhetes chegam a custar até 175€. A acomodação é ainda mais cara, atingindo os 262€ por noite. Podíamos pensar que estes valores elevados apenas seriam importantes os visitantes, mas os trabalhadores das várias estâncias também são afetados. 

A Aspen Snowmass, uma empresa que detém quatro áreas de ski diferentes na zona estava farta de ver os trabalhadores a serem forçados a abandonar a cidade por falta de dinheiro para pagar o alojamento, e decidiram criar habitações que respondessem às suas necessidades básicas, sem rendas absurdas. Assim nasceu o complexo de casas pequenas na famosa estância de desportos de inverno.

Em 2016, deram o primeiro passo rumo à sustentabilidade, com a construção de seis casas com 46 metros quadrados. Fizeram tanto sucesso, que cinco anos depois já contam com 40 acomodações e planeiam fazer ainda mais.

Esta é uma forma de a empresa atrair trabalhadores que ganham o salário mínimo. Além das pequenas casas, a Aspen Snowmass, que também tem hotéis, acaba por disponibilizar vários quartos entre os diversos alojamentos.

Quando Blake Sims começou a trabalhar para o grupo, fizeram-lhe quatro propostas: duas delas implicavam partilhar um apartamento, a terceira seria viver numa das casinhas que construíram e a última era arranjar a sua própria casa. Conta à “Insider” que esta última opção não era, de todo, viável, “a menos que quisesse dormir no carro.”

O trabalhador acabou por optar pela casa de 46 metros quadrados, pagando assim um renda mensal de 550 dólares — ou 481€ — um valor entre 100 a 200 dólares mais barato do que alugar o seu próprio espaço.

O interior de uma das casas.

O complexo fica num enorme descampado adquirido pela empresa em 2008. No início, sonhavam em mudar por completo aquela zona, mas o projeto relevou ser demasiado caro. Foi aí que se lembraram das casas em formato mini — cada uma a custar 100 mil dólares (aproximadamente 87 mil euros). Cada uma aloja duas pessoas e pode ser considerada uma auto-caravana, visto que está sobre rodas e tem um atrelado. “Têm feito um  enorme sucesso”, refere Phillip Jeffreys, o gerente do projeto, à mesma publicação.

Em 2017 a Aspen Snowmass comprou mais 34 edifícios, desta vez com capacidade de acolher três pessoas. O próximo passo é adicionarem 25 casas com quatro quartos ao projeto. Cada uma com tudo o que é necessário: casa de banho, cozinha, sala, quartos e até um toucador. No exterior, têm acesso a arrecadações, lavandaria, uma zona de lounge e espaços verdes para jardinagem ou atividades outdoor.

Rapidamente, o que outrora era um descampado acabou por se tornar numa espécie de aldeia que, segundo os que lá vivem, é bastante unida. “Fiz vários amigos. A comunidade aqui é espetacular”, afirma Sims. 

Antes da pandemia, juntavam-se todos na área de convívio para festas, jantares e noitadas à frente de jogos de tabuleiro. Infelizmente, estes serões foram postos em pausa — foram trocados por um parque de ski improvisado dentro da propriedade.

 

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