Turismos Rurais e Hotéis

8 netos transformaram a quinta dos avós num turismo rural a meia hora de Lisboa

Em 1988, Rita e António Maria compraram um terreno em Loures para abrirem um alojamento. Os planos mudaram quando a família cresceu.
Fica em Loures.

Todos os anos, no verão, os oito netos de Rita e António Maria passavam um mês inteiro com os avós na Quinta do Boição, em Loures, sem a presença dos pais. Era uma autêntica festa, o momento mais ansiado do ano pelos mais novos desta família madeirense. Passavam os dias a andar de bicicleta, a dar mergulhos no riacho que havia lá perto e a percorrer os 30 mil metros quadrados do terreno.

Cresceram ali e ganharam, inevitavelmente, uma grande afeição pela propriedade. Agora, já adultos — e todos a morar em Lisboa — continuam a reunir-se todos os domingos, exatamente no mesmo local, para comer filetes de peixe-espada, uma refeição típica da Madeira. Num desses convívios, a família decidiu partilhar a casa com outros, tornando-a num dos principais destinos de turismo rural na freguesia de Bucelas.

Esta não é a primeira vez que o espaço recebe hóspedes. Em tempos, chegou a funcionar como alojamento, embora o negócio não tenha durado muito tempo aberto. Tudo começou em 1988, quando Rita e António compraram a Quinta do Boição, construída no início dos anos 60.

“O meu avô sempre teve uma paixão pelo hipismo. Já tinha os próprios negócios na área da hotelaria, na Madeira, mas queria ter um espaço próprio para ter os cavalos”, começa por contar à NiT o neto Tomás Silva, de 26 anos, o terceiro mais novo.

Com o seu espírito empreendedor, o casal decidiu transformá-la num turismo rural, uma vez que era utilizado pelos próprios esporadicamente. Só não estavam à espera que, nos anos seguintes, a família crescesse tanto. 

Em 1992 tiveram a sua primeira neta, a Carolina, e no ano de 2000 já tinham nascido mais sete: o Tiago, a Madalena, a Inês, a Leonor, o Tomás, a Rita e a Sara. Como se reuniam frequentemente na propriedade de Bucelas, decidiram abandonar o projeto de turismo e aproveitar o local apenas para convívios com os familiares e amigos mais próximos.

Os netos com os avós.

A propriedade permaneceu reservada ao uso da família durante duas décadas. Até que os miúdos cresceram, mudaram-se para Lisboa e decidiram, em conjunto, continuar com o legado dos avós.

“Já éramos todos jovens adultos, a começar a nossa vida profissional, e sentimos que estava na altura de dar mais vida ao espaço. Sempre gostámos de ter lá muita gente e queremos que todos possam desfrutar do local, tanto como nós o fizemos em crianças”, explica. 

Arrancaram com o projeto em 2020, ainda sem saber que teriam de enfrentar uma pandemia pelo meio. Começaram por remodelar duas das casas, que ainda “estavam aptas para se viver”, mas foram necessárias algumas obras até abrirem as primeiras unidades de alojamento ao público.

Rodeada de vales e vinhas de um dos maiores produtores de vinhos portugueses — a ENOPORT Wines —, a Quinta do Boição possui a moradia principal, apelidada Casa dos Avós, com uma suite e outras três moradias particulares. 

A mais recente (e a mais moderna também) abriu portas no final do verão, em agosto. Chama-se Casa da Azenha e foi pensada para famílias numerosas ou grupos de amigos. “Era um espaço que nunca teve um grande proveito e estava na altura de mudar, até porque tinha grande potencial”, confessa Tomás.

Com capacidade para acomodar um máximo de 14 pessoas, a unidade dispõe de um quarto com cama de casal e outros dois com duas camas single e quatro beliches, além de uma espaçosa sala com lareira e uma cozinha totalmente equipada. No exterior, construíram ainda uma piscina privada com “vistas fantásticas para as vinhas e um lounge para relaxar.”

Os hóspedes podem ainda optar por ficar alojados no apartamento Rita ou Sara, ambos com capacidade para cinco pessoas, ou na suite Carolina, que faz parte da moradia principal, embora tenha um acesso próprio. Em breve, estará disponível também a casa Madalena, um T2 para cinco. Cada uma das unidades de alojamento ganhou o nome de um dos netos do casal madeirense.

Dentro da Casa dos Avós, encontra-se ainda um salão de jogos com mesa de bilhar e ténis de mesa. Já no exterior, é possível aproveitar a piscina partilhada no jardim em frente à sala ou conhecer as cavalariças exteriores e interiores onde estão os animais. A propriedade dispõe ainda de um campo de ténis, um relvado enorme perfeito para piqueniques, e um salão de eventos para 120 pessoas, com tenda exterior e jardim.

Atualmente não organizam passeios a cavalo, mas a ideia faz parte dos planos que têm para o empreendimento. “Temos vários projetos em mãos, até porque queremos alargar a oferta de alojamento, criar outro tipo de casas sobre as vinhas”, adianta. 

Até lá, pode sempre ficar hospedado nos vários apartamentos disponíveis da quinta. Os preços começam nos 280€ para seis pessoas, para quem escolher a recém-inaugurada Casa da Azenha. As tarifas diárias para a Casa Rita rondam os 190€, o apartamento Sara começa nos 140€, enquanto a suite Carolina pode ser reservada a partir de 100€. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para ver mais imagens desta quinta a meia hora de Lisboa. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Cmte. Sacadura Cabral 22, Bucelas
    2670-632 Loures
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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