Turismos Rurais e Hotéis

A casa do avô Modesto é um dos sítios mais cool para ficar no Algarve

A velha casa dos anos 40 renovou-se, ganhou prémios de arquitetura e hoje volta a encher-se de gente à procura de descanso.
É tudo bonito, assim. (Foto: Guilherme da Rosa)

Era uma casa simples, de gente simples. Modesta de carácter e, neste caso, também de nome. Foi perto de Olhão, numa zona rural com vista para ria Formosa, que os bisavós de Carlos Fernandes construíram uma pequena casa onde viriam a crescer três gerações.

Erguida nos anos 40, era modesta também no tamanho. “Tinha uma sala, uma cozinha e dois quartos. Parece mentira, quando digo que cabiam ali dois quartos, mas as camas também eram estreitas”, recorda à NiT.

Lá moraram os bisavós, os avós e, até 1999, Carlos e os irmãos, Vânia e Pedro — os três responsáveis pelo novo fôlego dado à velha casa, que abriu como hotel em 2016. O arranque não podia ter sido melhor.

No ano seguinte, a Casa Modesta foi eleita pela “Condé Nast Johansens” como o melhor hotel ambiental da Europa. Mais tarde, chegaria outra distinção, desta vez com merecidos elogios para a arquitetura dos edifícios: foi a escolha do júri nos prémios A+ da Architizer, na categoria de hotel.

Foi o impulso de que precisavam para chamar muito do público que imaginaram no dia em que completaram o projeto. Mas para lá das distinções, o que Carlos queria mesmo era que os hóspedes pudessem “desconectar-se da cidade” e “desfrutar a natureza”.

A Casa Modesta cumpre o que promete. Os traços simples e minimalistas da arquitetura e decoração — Vânia Fernandes foi também uma das arquitetas do projeto, idealizado pela Par, com decoração da The Home Project — antecipam a simplicidade dos quartos e espaços comuns. Sem excessos decorativos, cores e materiais crus, simples. Tudo em sintonia para a tal desconexão sem obstáculos.

A Casa nasceu com o objetivo extra de manter vivas essas tradições de fazer o pão — o edifício foi demolido e apenas mantiveram o forno, que hoje serve de palco para workshops de pão —, mas também de voltar a reunir pessoas.

Os quartos com terraço (Foto: Guilherme da Rosa)

O tão elogiado projeto nasceu de um estudo profundo sobre a arquitetura e os métodos de construção da região. Da estrutura original, sobrou apenas a casa construída nos anos 40 e o forno a lenha. Não era possível fazer ampliações por causa das restrições existentes, por estar situado em pleno parque natural da ria Formosa.

“Usámos tijolos de barro de Santa Catarina, feito a poucos quilómetros daqui. A cortiça foi usada como isolamento e as paredes são todas caiadas. Latão, madeira, cortiça e barro, são os materiais usados e que são todos feitos aqui perto”, explica Carlos Fernandes.

Para lá da área de estar que serve de receção, de uma sala de refeições com mesa comunitária e da cozinha do forno que tem também um honesty bar, existem nove quartos com diferentes tipologias — mas todos eles de dimensões reduzidas que se situam entre os 18 e os 22 metros quadrados.

A decoração encontrou também a inspiração nas criações do avô Modesto, também ele um construtor de barcos de madeira e criador de pequenas peças que serviram de base às outras peças que pontuam os quartos. São poucas, até porque a família pretendia “deixar apenas o essencial”.

“É tudo muito simples, mas tem tudo a ver com a identidade do local, do Algarve. Foi a partir dos objetos deixados pelo avô que se criaram outros e que se deixou apenas o essencial, o que fazia sentido, para ser o mais minimal possível.”

Ali vive-se com calma, muita calma (Foto: Guilherme da Rosa)

Há uma outra particularidade nos quartos, todos eles construídos com um roupeiro no meio, que esconde, entre dois acessos, a casa de banho num formato peculiar. Entre as três tipologias, existem opções simples, outras com direito a um terraço privado de 35 metros quadrados por cima do quarto e um quarto premium, o maior de todos, num primeiro piso com vista para o mar.

O pequeno-almoço está sempre incluído na estadia. À noite, ao jantar, a Casa Modesta revisita o velho livro de receitas da família para preparar refeições tipicamente algarvias — sempre sob reserva no dia anterior e servidas às 20 horas para todos os hóspedes —, de cataplanas a peixe, ao mais fresco marisco da ria. De momento, é tudo servido no quarto ou na esplanada, enquanto a pandemia não volta a deixar os hóspedes aproveitarem a mesa comunitária.

Há mais para descobrir entre as imaculadas paredes brancas da casa. Lá fora, um tanque que é uma piscina — ou será uma piscina que é um tanque? — com água límpida sem tratamento de químicos ou sal, até porque também é usada para regar a horta. No interior de uma velha cisterna, as paredes assemelham-se a uma gigantesca colmeia de barro. Na vez do mel, outro néctar: é a garrafeira que guarda apenas os vinhos regionais para os hóspedes.

Para desligar, atividades não faltam. Pode deitar-se a ler numa das redes, passear pela ecovia da ria, fazer um dos passeios interpretativos ou, se a sua ideia de férias passar por aprender, aproveitar um dos muitos workshops organizados por Carlos, Vânia e Pedro — que dão lições que vão da cestaria ao famoso pão da avó Carminda.

Passar uns dias na casa do avô Modesto tem um preço. Os valores começam nos 120€ por noite, no quarto duplo, em época baixa; e vão até um máximo de 260€ no quarto premium em época alta.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Casa Modesta , Quatrim do Sul
    8700-128 Olhão
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
entre 51€ e 100€
AMBIENTES
familiar, rural

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