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A família alemã que há 30 anos criou um império ligado ao vinho no Alentejo

A Quinta da Plansel é o "único operador em Portugal" que clona diferentes plantas das mesmas castas. Oferece também experiências de enoturismo.

Jörg Böhm planeava dar uma volta ao mundo quando, em 1961, o seu veleiro naufragou no porto de Cascais. Forçado a ficar em Portugal, o empresário de vinicultura alemão começou a viajar pelo País e acabou por render-se às paisagens nacionais.

“Foi no tempo do Salazar e ele não conseguiu sair”, recorda à NiT Dorina Lindemann, de 60 anos, empresária e filha de Jörg, atualmente com 87. “Ele acabou por apaixonar-se por Portugal e o coração ficou por aqui”. Nessa altura, durante uma visita ao Alentejo, o empresário viu uma oportunidade para expandir o negócio do vinho.

No entanto, só nos anos 70 é que conseguiu comprar uma quinta em Montemor-o-Novo para dar início à produção. “Nessa altura, achava a região um terroir fantástico para plantar vinhas”, partilha Dorina. “Criou uma amizade com o professor Francisco Colaço Rosário e foram até ao norte para tentar descobrir quantas castas existiam em Portugal.”

Além do vinho, uma das principais paixões de Jörg eram as plantas e, desde o início, o alemão focou-se nesta área. Nos anos 90, fundou a Quinta da Plansel que cedo se destacou pela produção de vinhos alentejanos de grande qualidade (com alma alemã) focados na valorização das castas autóctones.

Dorina, que herdou o amor do pai pelo vinho, veio para Portugal na mesma década. Nos anos 80, a alemã licenciou-se em Viticultura e Tecnologia de Adega, na Universidade de Geisenheim, na Alemanha, numa época em que o ramo era dominado por homens.

“Na nossa turma, tínhamos 99 homens e apenas duas mulheres. Foi uma luta para vencer neste meio”, confessa. Já em Portugal, serviu de braço direito ao pai e, em 1997, criou a “primeira adega em Portugal liderada apenas por mulheres.”

Hoje, a Quinta da Plansel oferece uma série de experiências ligadas ao vinho, bem como um alojamento junto aos seus 55 hectares de vinho. Destaca-se, sobretudo, por ser o único operador em Portugal que clona diferentes plantas das mesmas castas.

“Somos os únicos em Portugal, nem o Estado tem material de clone”, garante Dorina. “Isso significa que vamos para o campo, procuramos uma ou duas plantas no meio que são diferentes das outras, mais resistentes e que têm uvas diferentes e, depois, utilizamo-nas para propagação.” O próprio nome da quinta é uma referência a esta inovação: Plansel significa “planta selecionada”. 

O terreno estende-se por 100 hectares.

Da galeria de arte à festa anual para celebrar o vinho

Atualmente, a quinta é gerida por Dorina e as duas filhas: Júlia e Luísa Lindemann, de 32 e 30 anos, respetivamente. “Só estou aqui e continuo a fazer isso tudo por causa delas e da nossa equipa maravilhosa”, aponta. Júlia está mais ligada à administração e ao marketing do espaço, enquanto Luísa dedica-se à produção, como a mãe.

Em 2022, a quinta inaugurou duas casas para receber hóspedes — a Alicante e a Arinto, que ficam rodeadas pelas vinhas e têm vista para o castelo de Montemor-o-Novo. Ambas contam com dois quartos e uma piscina privada. 

Outro dos destaques da propriedade é uma galeria de arte com obras originais de diversos artistas alemães. Ali, os clientes podem também realizar as provas de vinho. 

A galeria.

Anualmente, a quinta organiza uma festa, que acontece no meio das vinhas e tem como objetivo celebrar os seus vinhos. Este ano, a Plansel Rosé Party vai acontecer a 30 de maio e terá como foco as propostas de rosés e branco produzidas na propriedade. 

A festa também marcará o lançamento da gama “Touriga Goes Low”, descrita como “uma interpretação contemporânea da casta Touriga Nacional, pensada para responder à procura por vinhos mais leves, frescos e versáteis.”

Na parte das experiências, a quinta oferece duas abordagens ligadas às provas de vinhos: uma mais tradicional e outra que mistura jogos e mistério. “Uma das atividades que fazemos, por exemplo, é dar aos clientes copos pretos com diferentes vinhos brancos e tintos para eles adivinharem o que estão a beber. As pessoas têm dificuldade em perceber qual é qual”, refere Dorina. 

Por fim, a quinta é a casa de uma escola de vinhos (batizada de Plansel Wine School), que nasce da parceria da propriedade com Wilmy Matton, uma apreciadora da vitivinicultura portuguesa e professora de vinhos nos Países Baixos. O intuito foi trazer para Portugal o modelo de ensino WSET, uma formação com mais de 50 anos, presente em cerca de 70 países.

Os vinhos da quinta estão disponíveis a partir de 6,50€ no site oficial. Quanto ao alojamento, pode ser reservado a partir de 210€ por noite. 

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Quinta da Plansel. 

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