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A família apaixonada por cavalos que abriu um “santuário” só para adultos

A trineta do cavaleiro Vitorino Froes é uma apaixonada pelo mundo equestre — que inspirou o agroturismo Equinatura, nas Caldas da Rainha.
Fica nas Caldas da Rainha.

Joana Magalhães era miúda quando os pais começaram a perceber que tinha uma forte ligação com os animais. Até aos dois anos, a hora de dormir era um desafio. “Dava-nos imensos problemas porque, sempre que a íamos deitar, tínhamos de abrir a cama porque estava sempre a levar caracóis ou lagartinhas lá para dentro”, começa por contar o pai à NiT, Jorge Magalhães, de 62 anos.

Uma das primeiras memórias da casa onde cresceu, nas Caldas da Rainha, é precisamente a de uma gata que nasceu no terreno de três hectares. “Tínhamos também uns burros, umas charretes e brincava muito com os meus primos”, recorda a jovem de 24 anos.

Com a idade, a paixão pelos animais foi crescendo, mas houve um que se destacou — talvez porque é “uma tradição de família”. Tinha quatro anos quando começou a montar a cavalo, seguindo o exemplo da mãe e do trisavô, Vitorino Froes. Nos primeiros anos do século XX, Froes um dos mais famosos cavaleiros tauromáquicos do País, com ligações próximas ao rei D. Carlos. 

Quando Joana tinha nove anos, os pais começaram a fazer criação de cavalos apenas “por gosto”. Afinal, tinham espaço mais do que suficiente na propriedade que adquiriram no início do século XXI. Apesar de Jorge ter nascido nas Caldas da Rainha, trabalhou muitos anos em Lisboa. Só quando a primeira filha nasceu é que decidiu arriscar e voltar à terra onde nasceu.

“Viemos para um terreno que tinha na freguesia de Alvorminha, a maior das Caldas da Rainha, com uma baixa densidade populacional. Começámos a construir a nossa casa e a Joana passou a infância aqui, sempre ligada aos animais”, adianta o pai.

Quando nasceu o segundo filho, Francisco, já tinham um “amor pela terra que era uma coisa parva”. Conheciam todas as pessoas da freguesia e estavam cada vez mais entrosados na comunidade local. De um terreno onde não existia nada, tentaram criar “algo engraçado”. Agora é “um género de santuário”, onde criaram condições para que espécies como os coelhos, raposas, corujas e éguas se fossem reproduzindo.

A família é sócia fundadora do Oeste Lusitano, um dos festivais equestres mais icónicos da região. A iniciativa chegou a dar a Joana a possibilidade de fazer um estágio na área em São Paulo, no Brasil, quando tinha apenas 14 anos. “Depois aventurei-me a ir estudar para Abrantes para tirar o 12.º já na área dos cavalos, em gestão equina, e depois estudei turismo de natureza”, conta a jovem.

O que começou por ser uma brincadeira tornou-se algo cada vez mais sério. No início dava aulas de equitação a amigos e familiares e hoje é a grande responsável pelos cavalos na Equinatura Silver Coast, o novo agroturismo na Costa da Prata, inaugurado a 18 de maio.

 
 
 
 
 
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“Quando veio a pandemia começámos a pensar na possibilidade de transformar a nossa quinta em algo mais. É um sítio tão mágico e queríamos que as pessoas pudessem usufruir dele”, explica a família. Tudo começou com os cavalos, mas depois incluíram também a parte do alojamento.

“Queríamos umas casas ao nível das árvores, depois ainda pensámos em tendas, mas voltámos a mudar de ideias. Sabíamos que queríamos algo charmoso”, afirmam.

O resultado foram três unidades de alojamento (o fogo, a terra e a água) em terraços elevados, ao nível da copa das árvores. “O deck é de madeira e as casas foram construídas com desperdícios de cimento com madeira e resina. Parece betão, mas não é”, explica Jorge. Cada quarto, com capacidade para dois hóspedes, está equipado com uma cama king size, casa de banho e um terraço onde é possível “observar o luar a pousar sobre os campos e luzes de Alvorninha”.

A cozinha é comum a todos os hóspedes e oferece também ela um “momento de contemplação”, uma vez que tem uma das paredes de pedra e a outra em vidro, com vista privilegiada para a moldura natural do picadeiro.

Por quererem criar algo realmente calmo, a Equinatura só aceita hóspedes com mais de 18 anos. Além das três unidades de alojamento e das aulas e passeios de cavalo (custam 80€ por uma hora), o agroturismo oferece também uma piscina exterior e uma zona de ioga e meditação, à qual deram o nome “Namastê”. Ainda dentro da propriedade é possível fazer passeios a pé ou de bicicleta.

Seguros da importância do desenvolvimento de uma consciência ambiental e social, o empreendimento privilegia a sustentabilidade com o reaproveitamento das águas, tratamentos de resíduos, produção de energia solar e o desenvolvimento local, tendo em conta que privilegiaram os materiais e mão de obra locais.

Quanto aos valores da estadia, os preços variam entre os 160€ e os 200€ por noite. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo agroturismo das Caldas da Rainha. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Moinhos, 39, Casal do Rodo
    2500-350  Caldas da Rainha
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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