Turismos Rurais e Hotéis

A história de amor de Nilza e António deu origem a um refúgio intimista em Ponte de Lima

O casal conheceu-se por acaso no Brasil. Agora, juntou duas culturas para criar um lar que também está aberto a outras pessoas.

António e Nilza Montenegro Fiúza conheceram-se em 2010, num dia de chuva, na agitada cidade de São Paulo, no Brasil. O português estava a visitar a região a trabalho e, certo dia, enquanto esperava um táxi, começou a conversar com uma amiga da brasileira. 

“O António queria ir conhecer a Vila Madalena e essa minha amiga disse que íamos ter uma feijoada lá no dia seguinte e acabou por convidá-lo”, recorda à NiT a empresária, de 60 anos. O também empresário, de 57, aceitou o convite e, no dia seguinte, foi encontrá-las. O clique foi instantâneo.

“Ele depois voltou a Portugal, mas ligava-me todos os dias”, partilha Nilza. Poucos meses depois, António voltou a trabalhar no Brasil e os dois deram início a uma história de amor que, em 2025, ganhou uma nova camada: uma casa que conta, de certa forma, o percurso de ambos.  

A propriedade onde hoje está instalada a Capim Limão Country House, a residência do casal e também o refúgio onde recebe hóspedes, foi adquirida há cerca de uma década. A casa, datada de 1747, estava em ruínas quando foi assumida pelos fundadores.

“É uma história de amor, minha e da minha mulher, mas também por este local que nos apaixonou e que nos levou há 11 anos a adquirir um espaço que estava em ruínas numa das aldeias do Alto Minho”, refere António, cuja família é natural daquela região.

Desde o início que o objetivo foi criar uma casa onde pudessem viver e receber pessoas, um interesse que sempre partilharam. “Não foi pensado como um projeto turístico, na verdadeira ascensão do termo de negócio”, garantem os fundadores.

Um dos destaques da propriedade é os cerca de cinco mil metros de jardins, com “mais de 500 pés de lavandas, mais de 60 cerejeiras e árvores de fruto.” Todos estes, com excepção das oliveiras, foram plantados pelo casal na última década.

A country house conta com cerca de 1200 metros quadrados de área construída. E tudo funciona num único edifício — tanto a residência do casal como a zona destinada a hóspedes. Os fundadores referem que juntaram um edifício antigo a um mais recente, construído no âmbito da obra para albergar mais quartos. 

Ainda assim, Nilza e António mantiveram tudo com um ambiente intimista — no total, a country house conta apenas com seis suites. A decisão foi tomada para que os fundadores conseguissem dar uma maior atenção aos hóspedes que recebiam ali. 

Durante as obras, foi possível conservar as paredes exteriores e alguns elementos interiores em granito. “Quando adquirimos o terreno, o jardim não existia. Era mato e estava cheio de silvas. Só as oliveiras é que já lá estavam”, aponta António.

Os fundadores começaram a receber amigos e conhecidos no final de 2025. Este ano, porém, expandiram para hóspedes de diferentes partes do mundo. “Costumamos dizer que temos o serviço de um boutique hotel, mas somos uma casa com alma. E a alma somos nós”, diz o empresário.

A ligação entre Portugal e o Brasil está também presente em todo o edifício, desde a decoração até ao pequeno-almoço, servido diariamente. “Temos sempre café e pão de queijo. Depois, juntamos croissants, que são uma coisa básica, uma seleção de queijos e frutas, todos aqui da região. Não há nada processado”, garante Nilza. “Se recebêssemos as pessoas mais importantes e mais amigas do mundo, não faríamos um pequeno-almoço melhor do que aquilo que fazemos quando recebemos hóspedes”, acrescenta António.

O espaço também serve refeições mais elaboradas, com uma cozinha que celebra os sabores do Minho com “simplicidade, autenticidade e profundo respeito pela sazonalidade.” Muitos dos vinhos disponíveis, incluindo o Capim Limão, são também provenientes da produção dos pais de António. 

Os fundadores optaram também por privilegiar as marcas portuguesas para decorar a casa — toda a loiça, por exemplo, é da Vista Alegre, os produtos de higiene são da Castelbel, os tapetes têm a etiqueta da Ferreira de Sá e os lençóis da Lameirinho.

O Brasil, claro, também está presente em vários apontamentos. Há, por exemplo, uma parede repleta de cocares (adornos tradicionais feitos com penas), oferecidos a António durante uma feira de povos indígenas em Brasília.

As diárias na Capim Limão Country House começam nos 245€ por noite. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do refúgio em Ponte de Lima. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Cerqueira, 506
    4990-655  Ponte de Lima
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
mais de 250€
AMBIENTE
familiar

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