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A vista deslumbrante do hotel perfeito para conhecer o outro lado do Douro

O Octant Douro empoleira-se na margem do rio, a meio caminho entre o Porto e as famosas vinhos. Um repórter da NiT passou por lá.
A vista sobre o Douro
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Entre as chamadas de trabalho, as mudanças de fraldas, o almoço, o jantar, os recados e as compras, são cada vez mais raros termos tempo para aqueles momentos de puro descanso. Quando os temos, naquela meia-hora que conseguimos roubar à azáfama, num fim de semana, parecem-nos verdadeiros tesouros. O problema? É que estão longe de serem “momentos de puro descanso”. E só percebemos isso quando um desses momentos finalmente chega e nos coloca num estado de relaxamento total.

Não me lembrava da última vez que isso tenha acontecido. Aconteceu precisamente no Octant Douro, naquele bendito quarto de paredes envidraçadas. Faltavam poucos minutos para as oito da noite, mas o pôr-do-sol ainda espreitava por cima das árvores, suficientemente forte para aquecer a cama. Na preciosa coluna Marshall, Chet Baker cantava “My Funny Valentine”. Puro. Descanso.

Vindo do Porto, não é preciso fazer uma longa viagem até se chegar ao hotel anteriormente conhecido por Douro 41 e agora rebatizado de Octant Douro. O nome não foi a única coisa que mudou na unidade totalmente renovada em 2019. Aos quatro pisos já existentes, foram acrescentados mais cinco, que sobem a encosta como socalcos. O resultado é um hotel com 61 quartos e suites e um ambiente moderno e minimalista.

A renovação não está terminada. Está prevista a ampliação com mais 20 novas suites, algumas com piscinas privativas, uma nova zona para provas de vinho e um projeto que vai iluminar a fachada do hotel.

Esqueça-se por um segundo o Douro vinhateiro, que por estes dias absorve todas as atenções. Há mais no Douro além das belíssimas vinhas e da sua foz, no Porto. Este é um Douro diferente, sem os trunfos vínicos, mas com muito para oferecer.

No que toca ao Octant, o primeiro trunfo é evidente: os quartos e as suas vistas. Embora alguns não tenham vista rio, a maioria pode gabar-se disso mesmo. As enormíssimas janelas garantem que nenhum centímetro da vista é desperdiçado. As áreas amplas certificam-se de que temos mais espaço do que aquele de que precisámos.

Tudo isso é verdade no quarto full view com terraço que, na verdade, são dois: um maior, com direito a duas espreguiçadeiras; e um mais pequeno, com uma mesa e duas cadeiras. No interior, a atenção ao detalhe que importa para quem, como eu, precisa de uma banda-sonora a cada momento do dia. Estrategicamente colocada na secretária de trabalho — que também tem, ora nem mais, vista para o rio —, está uma coluna Marshall. Depois é só escolher o sítio onde quer ouvir música, no pequeno terraço, no grande terraço, na cama ou numa das poltronas.

No duche, outro pormenor delicioso, a janela mágica que, com um toque no interruptor, passa de opaca a transparente e permite, mais uma vez, ver o rio. Só que toda esta luminosidade traz um problema. Porque o mundo não é perfeito, os blackouts são insuficientes para conterem toda a luz do dia que, sorrateiramente, se esgueira pelas frestas assim que o sol nasce. O remédio? Um sleeping kit oferecido pelo hotel que inclui uma venda e tampões para os ouvidos. É a solução possível.

No que toca a piscinas, a oferta também dá para todos os gostos. Erguida sobre o rio está a mais pequena piscina infinita, apenas para adultos. Quem trouxer a garotada terá que subir até ao nono piso, onde uma nova e maior piscina está instalada, neste caso com o apoio de um bar e muitas mais espreguiçadeiras. Quem não gosta de poder escolher em que piscina vai molhar o pé?

É, aliás, necessário haver mais do que uma opção, já que em caso de ocupação plena, podemos estar a falar de uma competição com mais de cem hóspedes. Nos dias mais frios, o refúgio pode ser encontrado no spa, que conta com uma piscina interior — note-se que, apesar de acolhedora, é relativamente pequena —, uma sauna, um banho turco, duches sensações e um ginásio.

Com apenas uma dezena de espreguiçadeiras, a piscina interior pode ficar lotada ao ponto de perder a sensação zen que se procura quando se entra num spa. Ainda assim, a vista desafogada sobre o rio ajuda a dar algum espaço, algo que deixa de ser tão fácil de usufruir quando as janelas não estão limpas, como foi o caso.

O spa oferece também experiências mais exclusivas nos seus diversos tratamentos nas salas privadas, que incluem massagens e rituais de beleza, feitos em salas com vista de rio — e com todas as comodidades necessárias, da simpatia aos pequenos doces e bebidas no momento de relaxamento pós-tratamento.

O hotel foi renovado e ampliado em 2019

Esta renovação geral do Octant Douro trouxe também outra enorme novidade, a chegada do chef Dárcio Henriques ao restaurante Raiva, ele que conquistou uma estrela Michelin em Inglaterra e desde setembro que comanda a cozinha do hotel. Há também um conceito mais leve e mais prático na entrada, o À Terra, que aproveita ao máximo o forno a lenha que aquece o ambiente do lounge de entrada.

Mas voltando ao restaurante: é no conforto minimalista do Raiva que se servem, pela manhã, os pequenos-almoços. Boa variedade de quentes, dos ovos ao tomate e à batata doce; nota positiva para as manteigas, o pão fresquíssimo caseiro, o favo de mel e os crepes quentes à disposição no buffet. Menos variedade nas frutas, com falta de alguma fruta da época.

À noite, o Raiva veste-se de gala para o menu de degustação do chef Dárcio Henriques, apresentado em cinco momentos. Mas antes, os preparativos: um agradável bolinho de beterraba com maçã, queijo de cabra e avelã; pão fresco caseiro, para perfumar com a notável manteiga caseira, fumada com a abundante planta local, a carqueja.

Depois, desfilam pela mesa uma sopa de espargos biológicos com trigo sarraceno, tosta e presunto pata negra; ovo crocante com consommé de cogumelos e azeite fumado; robalo escalfado com puré de couve flor e um beurre blanc deliciosamente avinagrado; e vazia arouquesa com cogumelos, puré de alho fermentado, molho de carne, acompanhado de um saboroso arroz de rabo de boi.

A nível de sabor, nada a apontar. Tudo deliciosamente equilibrado e muito bem acompanhado das escolhas do wine pairing. Fica, no entanto, uma pequena nota para as doses que, sabemos, serão sempre mais reduzidas num longo menu de degustação, mas que aqui se apresentam talvez um pouco abaixo do desejável.

Com ou sem o estômago cheio, há várias experiências fora de portas para conhecer a região de Castelo de Paiva. Uma delas leva-o, num dos confortáveis barcos do hotel, até à Ilha dos Amores — uma pequena ilhota no cruzamento do Paiva com o Douro — para um piquenique, entre copos de espumante, sandes de frango ou salmão, salada e até um bolo caseiro. Depois? É só relaxar nos sofás do barco, apanhar o sol e aproveitar para ver a paisagem — peça para explorar a paisagem mais agreste do rio Paiva.

Os valores da estadia, por noite, arrancam nos 200€ e podem chegar aos 600€. No que toca aos jantares no Raiva, há menus de degustação de quatro (95€) e cinco (115€) momentos que incluem já o wine pairing.

O Octant Douro poderia muito bem ser uma dose rápida de Douro para quem está sem tempo para ir rio acima até à região vinhateira. Mas não é. É, por si só, um ótimo motivo para conhecer outro lado do Douro — e, se estiver pouco preocupado com passeios e visitas, deixe-se ficar por lá. Há mais do que garantias de que também vai poder ter o seu momento de puro descanso.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    EN 222, Km 41 - Vista Alegre, Raiva, 4550-631
    4550-631
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
mais de 250€
AMBIENTE
rio

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